Aprendizado Não Supervisionado
2026-09-17
GMM: \(z_n\) latente (1-de-\(K\), nunca observado), prior \(\pi_k=p(z_{nk}=1)\); \(\mathbf{x}_n\mid z_{nk}=1\sim\mathcal N(\mu_k,\Sigma_k)\).
EM: Passo E — responsabilidade \(\gamma(z_{nk})=p(z_{nk}=1\mid \mathbf{x}_n,\theta)\) (Bayes, parâmetros correntes). Passo M — MLE ponderada por \(\gamma\). Itera até convergir, sem nunca piorar \(\ln p(\mathbf{X}\mid\theta)\).
Importante
\(\theta\) é ponto fixo otimizado, sem priori — pode colapsar \(\Sigma_k\to\mathbf{0}\) sobre um único ponto: densidade explode, log-verossimilhança \(\to+\infty\). Singularidade, não ajuste.
E se \(\theta\) inteiro — não só \(z_n\) — também tivesse uma priori? Passagem de máxima verossimilhança (ponto ótimo) para Bayesiana Variacional completa (distribuição de incerteza sobre tudo).
Nota
Ganho concreto: priori sobre \(\mu_k,\Sigma_k\) proíbe o colapso de covariância; priori sobre \(\pi\) poda componentes supérfluos — os dois problemas do EM clássico, resolvidos pelo mesmo mecanismo.
1. Seleção Bayesiana de modelos, em geral — de onde vem a Navalha de Occam.
2. GMM Bayesiano por dentro — as prioris e sua defesa estrutural.
3. O ELBO resultante — decomposição e padrão numérico.
4. Além do ELBO de treino — validação preditiva e geométrica.
5. PPC quantitativo — a prova definitiva de forma.
Repetindo o teste da Aula 4: GMM clássico (EM puro), \(K=1,\dots,10\), todos os pontos do Breast Cancer Wisconsin — o que acontece com a log-verossimilhança de treino?
\(-1339{,}45\) nats (\(K=1\)) a \(-1169{,}66\) nats (\(K=10\)) — nunca cai. Cada componente extra pode sempre “imitar” a solução anterior (\(\pi_k\approx0\) para si mesmo) e, na prática, sempre melhora um pouco mais.
Importante
No limite \(K=N\): um componente por ponto, log-verossimilhança \(\to+\infty\) (singularidade já revisada).
A pergunta central: como definir a estrutura do modelo — aqui \(K\), mas o mesmo problema aparece em qualquer hiperparâmetro estrutural — punindo complexidade de forma fundamentada, não ad hoc?
Se a log-verossimilhança de treino nunca pune a complexidade, isso significa que ela é uma quantidade inútil — ou ela ainda tem algum papel legítimo dentro de um critério maior?
Pense em quais dos ingredientes de uma verossimilhança continuam fazendo sentido, e o que exatamente falta a ela para virar um critério de seleção de modelos completo.
Resposta — o papel legítimo da log-verossimilhança
Voltando à pergunta: a log-verossimilhança de treino não é descartada — ela continua sendo o termo de ajuste dentro de um critério maior. O que falta é exatamente o termo de penalidade, e os Blocos 1-3 mostram de onde ele vem quando se leva a estrutura inteira do modelo a sério, de forma Bayesiana.
Trate cada estrutura candidata \(\mathcal{M}_m\) (ex.: “GMM com \(K=m\)”) como evento, com priori \(p(\mathcal{M}_m)\). Bayes: \[ p(\mathcal{M}_m\mid\mathbf{X}) = \frac{p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\,p(\mathcal{M}_m)}{p(\mathbf{X})} \;\propto\; p(\mathcal{M}_m)\,p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) . \]
\(p(\mathbf{X})=\sum_m p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)p(\mathcal{M}_m)\) não depende de \(m\) — irrelevante para comparar estruturas. Sem favoritismo a priori, \(p(\mathcal{M}_m)\) uniforme \(\Rightarrow\) comparação vira só sobre \(p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\), a evidência.
\[ p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) = \int p(\mathbf{X},\mathbf{H}\mid\mathcal{M}_m)\,\mathrm{d}\mathbf{H} \] (Bishop, PRML, §3.4) — sem nenhuma penalidade adicionada à mão.
Intuição: \(p(\mathbf{X}\mid\mathbf{H},\mathcal{M}_m)\) integra a \(1\) sobre o espaço de todos os datasets possíveis. Modelo complexo: espaço de \(\mathbf{H}\) maior, massa se espalha por mais combinações — inclusive muitas que não parecem dados reais.
Importante
Modelo simples: menos onde espalhar, mais massa concentrada em qualquer \(\mathbf{H}\) específico. Ao integrar, o complexo só ganha se os dados realmente precisarem da flexibilidade extra — mesmo que, para algum \(\mathbf{H}\) pontual, ele ajuste tão bem ou melhor (o problema do Motivador, agora superado pela integração).
Definição: \(\mathrm{KL}(q\|p)=-\int q(\mathbf{H})\ln\{p(\mathbf{H}) /q(\mathbf{H})\}\,\mathrm{d}\mathbf{H} = \mathbb{E}_q[\ln\{q(\mathbf{H}) /p(\mathbf{H})\}]\) — não simétrica.
Nota
Teorema (Gibbs): \(\mathrm{KL}(q\|p)\ge0\), igualdade sse \(q=p\).
Prova. \(-\ln(\cdot)\) convexa \(\Rightarrow\) Jensen: \(-\ln\mathbb{E}_q[X]\le\mathbb{E}_q[-\ln X]\), com \(X=p(\mathbf{H})/q(\mathbf{H})\): \(\mathrm{KL}(q\|p)\ge-\ln\int p(\mathbf{H})\,\mathrm{d}\mathbf{H}=0\).
\(\mathcal{L}_m(q):=\int q(\mathbf{H})\ln\{p(\mathbf{X},\mathbf{H}\mid \mathcal{M}_m)/q(\mathbf{H})\}\,\mathrm{d}\mathbf{H}\). Passo 1: regra do produto, \(p(\mathbf{X},\mathbf{H}\mid\mathcal{M}_m)= p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\,p(\mathbf{X}\mid \mathcal{M}_m)\).
Passo 2: separa o log em soma — \(\ln\{\dots\} = \ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) - \ln\{q(\mathbf{H}) /p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\}\).
Passo 3: volta à integral, separa em dois termos: \[ \mathcal{L}_m(q) = \int q(\mathbf{H})\ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\,\mathrm{d}\mathbf{H} - \int q(\mathbf{H})\ln\frac{q(\mathbf{H})}{p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)}\,\mathrm{d}\mathbf{H}. \]
Passo 4: \(\ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\) não depende de \(\mathbf{H}\), \(\int q(\mathbf{H})\,\mathrm{d}\mathbf{H}=1\) \(\Rightarrow\) primeiro termo = \(\ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\).
Passo 5: segundo termo = \(\mathrm{KL}(q\|p(\mathbf{H}\mid \mathbf{X},\mathcal{M}_m))\). Logo:
Nota
\[ \ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) = \mathcal{L}_m(q) + \mathrm{KL}\big(q\,\|\,p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\big) \;\Rightarrow\; \mathcal{L}_m(q)\le\ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) . \]
\(\mathcal{L}_m(q)\): cota inferior tratável para a evidência intratável. Igualdade sse \(q=p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\) (posterior verdadeira, inatingível).
Importante
Usamos \(\mathcal{L}_m\) para ranquear estruturas, no lugar da evidência direta — aproximação cuja qualidade depende de quão apertada é a cota (Bloco 4 questiona isso com cuidado).
Se a evidência \(p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)\) já embute a Navalha de Occam por si só, por que ainda precisamos do ELBO — ele adiciona alguma penalidade de complexidade nova, ou serve para outra coisa?
Releia a definição da evidência como integral e o motivo de ela ser intratável para o GMM. Pense no que exatamente o ELBO resolve: um problema matemático (calculabilidade) ou um problema conceitual (ausência de penalidade)?
Resposta — o que o ELBO resolve, de fato
Voltando à pergunta: o ELBO não inventa nenhuma penalidade nova — a Navalha de Occam já mora na integral da evidência. O ELBO é a forma prática de trabalhar com essa integral quando ela é intratável, ao custo de uma aproximação cuja qualidade (o gap de KL) precisa ser levada a sério, não assumida como desprezível.
\(\mathbf{H}=(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\) — tudo dentro do tratamento variacional (não só \(\mathbf{Z}\), como o EM clássico). Posterior exata intratável \(\Rightarrow\) campo médio (PRML §10.1): \[ q(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma) \approx q(\mathbf{Z})\,q(\pi)\prod_{k=1}^K q(\mu_k,\Sigma_k) . \]
Nota
Resultado geral (CAVI, PRML §10.1.1, citado — não rederivado): \(\ln q_j^\star(\mathbf{H}_j)=\mathbb{E}_{i\ne j}[\ln p(\mathbf{X}, \mathbf{H})]+\text{const}\) — otimiza um bloco de cada vez, alternando entre distribuições, não pontos.
\(p(\pi)=\mathrm{Dir}(\pi\mid\alpha_0,\dots,\alpha_0)\). Termos com \(\pi\): \(\ln p(\mathbf{Z}\mid\pi)=\sum_n\ln\pi_{z_n}\) e \(\ln p(\pi)\). CAVI: \[ \ln q^\star(\pi) = \sum_k N_k\ln\pi_k + \sum_k(\alpha_0-1)\ln\pi_k + \text{const}, \quad N_k:=\sum_n\gamma(z_{nk}) . \]
Importante
\[ q^\star(\pi) = \mathrm{Dir}(\pi\mid\alpha_0+N_1,\dots,\alpha_0+N_K) . \] \(N_k\) pequeno \(\Rightarrow\) concentração \(\approx\alpha_0\) \(\Rightarrow\) \(\pi_k\) empurrado a zero. Aqui \(\alpha_0=1\) fixo e neutro — quem decide \(K\) é a comparação de ELBO (Bloco 3), não a variação de \(\alpha_0\) (diferente da Aula 5 original).
\(p(\mu_k,\Lambda_k)=\mathcal{N}(\mu_k\mid m_0,(\beta_0\Lambda_k)^{-1})\,
\mathcal{W}(\Lambda_k\mid W_0,\nu_0)\), \(\Lambda_k=\Sigma_k^{-1}\). \(W_0\) = inversa da covariância global dos dados (Empirical Bayes, default do BayesianGaussianMixture).
Atualização variacional citada de PRML §10.2.1 (não rederivada aqui): \[ W_k^{-1} = W_0^{-1} + N_k S_k + \frac{\beta_0 N_k}{\beta_0+N_k}(\bar{\mathbf{x}}_k-m_0)(\bar{\mathbf{x}}_k-m_0)^T . \]
Importante
Soma de três termos positivos semidefinidos — \(W_0^{-1}\) nunca desaparece. Se \(S_k\to\mathbf{0}\) (colapso sobre um ponto), \(W_k^{-1}\) fica no mínimo \(W_0^{-1}\succ0\): a Wishart nunca concentra massa em matrizes singulares com escala positiva definida \(\Rightarrow\) \(\Sigma_k\) nunca colapsa. Impedido analiticamente, não só desencorajado.
Se \(\alpha_0\) agora fica fixo e neutro (em vez de variar, como na Aula 5 original), a priori de Dirichlet perdeu a capacidade de podar componentes supérfluos?
Releia a fórmula de \(q^\star(\pi)\): o que exatamente muda entre um componente com \(N_k\) grande e um com \(N_k\approx0\), mesmo mantendo \(\alpha_0\) fixo? A poda depende de comparar \(\alpha_0\) entre valores diferentes, ou de comparar \(\alpha_0\) contra \(N_k\)?
Resposta — poda com \(\alpha_0\) fixo
Voltando à pergunta: a Dirichlet com \(\alpha_0\) fixo continua podando — o mecanismo depende do contraste \(\alpha_0\) vs. \(N_k\) por componente, não de variar \(\alpha_0\) entre rodadas. O que muda é como usamos essa poda para decidir \(K\): antes, comparando \(\alpha_0\)’s; agora, comparando o ELBO resultante entre diferentes \(K\)’s — o Bloco 3 mostra esse resultado.
Bloco 1 já deu \(\ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)=\mathcal{L}_m(q)+ \mathrm{KL}(q\|p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m))\) para qualquer \(\mathbf{H}\). Aqui, \(\mathbf{H}=(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\) — vale isolar \(\pi\) de dentro de \(\mathcal{L}_m(q)\).
Dado \(\mathbf{Z},\mu,\Sigma\): \(\mathbf{X}\) não depende de \(\pi\) (\(\pi\) só decide qual componente). Regra do produto: \[ p(\mathbf{X},\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma\mid\mathcal{M}_m) = p(\mathbf{X}\mid\mathbf{Z},\mu,\Sigma,\mathcal{M}_m)\,p(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma\mid\mathcal{M}_m) . \]
Mesmos Passos 2-3 do Bloco 1 (log em soma, integral em dois termos); primeiro termo não depende de \(\pi\) \(\Rightarrow\int q(\pi)\, \mathrm{d}\pi=1\) elimina \(\pi\), sobrando esperança só sobre \((\mathbf{Z},\mu,\Sigma)\).
Nota
\[ \mathcal{L}_m(q) = \underbrace{\mathbb{E}_{q(\mathbf{Z})q(\mu,\Sigma)}\big[\ln p(\mathbf{X}\mid\mathbf{Z},\mu,\Sigma,\mathcal{M}_m)\big]}_{\text{Ajuste}} \;-\; \underbrace{\mathrm{KL}\big(q(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\,\|\,p(\cdot\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\big)}_{\text{Navalha de Occam}} \]
KL agora carrega o custo de todo o modelo — pesos (via \(\pi\)), médias e covariâncias (via Normal-Wishart) — se afastando das prioris. É essa soma que impede \(K\) arbitrariamente grande, ao contrário da log-verossimilhança crua.
BayesianGaussianMixture: Normal-Wishart (\(W_0\) via Empirical Bayes, default) + Dirichlet (\(\alpha_0=1\) fixo), \(K=1,\dots,10\), todos os dados. ELBO (lower_bound_) vs. log-verossimilhança clássica:
Log-verossimilhança clássica: \(-1339{,}45\) (\(K=1\)) a \(-1169{,}66\) (\(K=10\)), monotônica.
ELBO Bayesiano: \(-174\,522{,}02\) (\(K=1\)) \(\to\) máximo \(-105\,559{,}38\) em \(K=2\) \(\to\) \(-123\,818{,}91\) (\(K=10\)). Sobe e cai.
Importante
Escalas absolutas não são comparáveis entre os dois painéis (o ELBO soma termos de entropia/KL de escala própria) — o que importa é a forma: o custo de KL cobra o preço de complexidade além de \(K=2\).
\(K^\star=2\) pelo ELBO coincide com a estrutura conhecida do dataset — primeira vez nesta disciplina que um critério só de treino acerta \(K\), sem validação nenhuma.
Se o ELBO já acertou K=2 usando só os dados de treino, ainda faz sentido gastar tempo com validação em dados nunca vistos?
Pense no que exatamente o ELBO mede (uma cota inferior da evidência, sob a família variacional \(q\) escolhida) versus o que esta aula ainda não questionou sobre essa cota. Um resultado bater com a intuição uma vez é garantia de que o método sempre vai acertar?
Resposta — o ELBO acertar uma vez não encerra a questão
Voltando à pergunta: sim, ainda faz sentido — e muito. O ELBO acertar \(K=2\) aqui não prova que a cota é sempre apertada, nem que a forma gaussiana sempre captura a estrutura real. O Bloco 4 formaliza por que a validação em dados nunca vistos continua sendo necessária, mesmo com um critério analítico que já parece funcionar.
Não importa explicar o treino — importa generalizar. Com \(p_{\text{true}}(\mathbf{x})\) = densidade real (desconhecida): \[ \mathrm{ELPD} := \mathbb{E}_{\mathbf{x}\sim p_{\text{true}}}\big[\ln p(\mathbf{x}\mid\mathbf{X}_{\text{train}})\big] \] (Vehtari & Ojanen, 2012) — média sobre a população, não sobre o treino.
Importante
Viés de treino (double-dipping): usar \(\mathbf{X}_{\text{train}}\) para estimar o ELPD julga o modelo por decorar ruído, não por generalizar — mesmo mecanismo do Problema Motivador.
\(\mathbf{X}_{\text{val}}\) i.i.d., nunca exposto ao ajuste: \[ \widehat{\mathrm{ELPD}} := \frac{1}{N_{\text{val}}}\sum_{n\in\text{val}}\ln p(\mathbf{x}_n\mid\mathbf{X}_{\text{train}}) \]
Nota
Lei dos Grandes Números: média amostral de v.a. i.i.d. converge para a esperança populacional \(\Rightarrow\) \(\widehat{\mathrm{ELPD}}\) é não-viesado, sem double-dipping (nenhum ponto usado participou do ajuste).
\(569\) pacientes: treino (\(N=398\)), validação (\(N=171\), \(30\%\)). GMM clássico e GMM Bayesiano (\(\alpha_0=1\)), \(K=1,\dots,10\), ajustados só no treino, avaliados na validação:
GMM clássico: treino \(-938{,}05\to-808{,}51\) (monotônico); validação máxima em \(K=2\) (\(-361{,}95\)), oscila e piora depois (\(-376{,}42\) em \(K=10\)).
GMM Bayesiano (predito na validação): máximo também em \(K=2\) (\(-364{,}43\)), cai suavemente até \(-369{,}67\) (\(K=10\)) — mais estável.
Importante
Três critérios independentes convergem para \(K=2\): ELBO de treino, log-verossimilhança preditiva clássica, log-verossimilhança preditiva Bayesiana.
1. Folga variacional: \(\mathcal{L}_m(q)=\ln p(\mathbf{X}\mid \mathcal{M}_m)-\mathrm{KL}(q\|p)\) — nada garante que essa folga seja igual entre \(K\)’s diferentes. Validação ignora a folga, mede generalização crua.
2. Má especificação: se a forma real não é gaussiana, o ELBO ainda penaliza complexidade dentro da família gaussiana — mas pode inflar \(K\) tentando ladrilhar uma forma que desconhece.
3. Comparação universal: K-Means/DBSCAN não têm ELBO nem AIC — comparar partições numa validação comum, via métricas geométricas, resolve isso.
\[ \mathrm{Dunn} := \frac{\min_{i\ne j}\min_{\mathbf{x}\in C_i,\mathbf{y}\in C_j}\|\mathbf{x}-\mathbf{y}\|}{\max_k\max_{\mathbf{x},\mathbf{y}\in C_k}\|\mathbf{x}-\mathbf{y}\|} \] (Dunn, 1974) — separação mínima / diâmetro máximo, maior é melhor.
Nota
Diferente do Davies-Bouldin (centroide + dispersão média, assume clusters ~esféricos), o Dunn usa só distâncias ponto-a-ponto — serve tanto para K-Means (convexo) quanto DBSCAN (forma arbitrária).
DBSCAN não tem predict para pontos novos — rotula só quem foi ajustado. Adaptação: DBSCAN no treino (\(\epsilon=0{,}35\), min_samples=5), descarta ruído, treina \(k\)-NN (\(k=5\)) nos pontos restantes.
Cada ponto de validação \(\to\) cluster da maioria entre seus \(5\) vizinhos mais próximos do treino. Extensão permite Silhueta/Dunn na validação, igual a qualquer outro método.
DBSCAN (\(\epsilon=0{,}35\)): \(2\) clusters no treino, \(17\) de \(398\) pontos como ruído.
Silhueta: máxima em \(K=2\) (\(0{,}593\)), cai depois. DBSCAN adaptado (\(0{,}4591\)) fica entre \(K=2\) e \(K=3\) do K-Means.
Importante
Dunn discorda: máximo em \(K=5\) (\(0{,}0463\)), não \(K=2\) (\(0{,}0333\)); DBSCAN adaptado (\(0{,}0618\)) supera os dois.
Dunn é sensível a extremos — usa só o par mais próximo entre clusters e o par mais distante dentro de um cluster, não médias. Ruidoso em amostras moderadas.
Lição: nenhuma métrica geométrica isolada é definitiva — métricas que discordam são um sinal a investigar, não a ignorar.
Se a Silhueta e o Dunn discordam sobre qual K é melhor, isso significa que pelo menos uma das duas métricas está simplesmente errada?
Pense no que cada métrica realmente resume: a Silhueta usa médias de distância (coesão/separação por ponto, depois agregadas); o Dunn usa extremos (o par mais próximo entre clusters, o par mais distante dentro de um). Será que “discordar” é a mesma coisa que “uma delas estar computando errado”?
Resposta — discordância não é erro
Voltando à pergunta: discordar não é estar errado — Silhueta e Dunn respondem perguntas ligeiramente diferentes sobre a mesma partição. Usar as duas, em vez de confiar cegamente numa só, é a prática mais honesta quando não há rótulo para arbitrar.
ELBO, ELPD, Silhueta, Dunn — todos concordaram em \(K=2\). Mas todos são números únicos: um erro médio agregado pequeno pode esconder um problema de forma que a média não vê.
Nota
Aula 5 original: PPC (Gelman & Rubin, 1996) qualitativo — inspeção visual de \(\mathbf{X}_{\text{sim}}\) vs. \(\mathbf{X}_{\text{real}}\). Aqui: mesma ideia, com números.
Testar igualdade de distribuições multivariadas é difícil; testar em 1D é clássico e resolvido — teste de Kolmogorov-Smirnov (Massey, 1951) sobre \(\mathbf{X}_{\text{real}}\cdot\mathbf{v}\) vs. \(\mathbf{X}_{\text{sim}}\cdot\mathbf{v}\), \(\|\mathbf{v}\|=1\).
Importante
Uma única direção (mesmo a de maior variância) pode não capturar a diferença — por isso múltiplas direções aleatórias, não uma só (“teste sliced”).
Compara as distribuições direto no espaço original, via kernel RBF \(k(\mathbf{x},\mathbf{y})=\exp(-\gamma\|\mathbf{x}-\mathbf{y}\|^2)\) (Gretton et al., 2012): \[ \widehat{\mathrm{MMD}}^2 = \tfrac{1}{n(n-1)}\sum_{i\ne i'}k(\mathbf{x}_i,\mathbf{x}_{i'}) + \tfrac{1}{m(m-1)}\sum_{j\ne j'}k(\mathbf{y}_j,\mathbf{y}_{j'}) - \tfrac{2}{nm}\sum_{i,j}k(\mathbf{x}_i,\mathbf{y}_j) \] Zero (em expectativa) sse mesma distribuição — significância via teste de permutação.
Importante
Largura de banda \(\gamma\) importa: heurística da mediana opera na escala global, pode não perceber um vazio local de densidade. Bandwidth menor (mais estreita) é mais sensível a estrutura fina.
GMM \(K=2\) ajustado a todo o Breast Cancer Wisconsin (\(N=569\)), \(\mathbf{X}_{\text{sim}}\) amostrado, \(40\) direções aleatórias + MMD (\(\gamma\approx1{,}0662\)):
Problema-fio: KS máximo \(0{,}0738\), \(0\%\) das direções significativas; \(\mathrm{MMD}^2\approx-0{,}0005\), \(p\approx0{,}565\) — sem evidência de diferença.
Importante
Duas luas: visualmente, o GMM gera pontos no vazio entre os crescentes. KS máximo \(0{,}1025\), \(55\%\) das direções significativas — mas PC1 sozinha só \(p\approx0{,}099\) (por isso múltiplas direções importam).
MMD com largura de banda default (mediana): não rejeita (\(p\approx0{,}94\)) — escala grande demais para o vazio local. Largura \(4\times\) mais estreita: rejeita claramente (\(\mathrm{MMD}^2=0{,}0032\), \(p=0{,}005\)).
Nota
A escolha do kernel não é neutra — decide que tipo de discrepância o teste consegue enxergar.
Três camadas de validação não competem — se complementam, cada uma pegando um tipo diferente de falha.
Analítica (ELBO) + empírica preditiva (ELPD): blindam contra sobreajuste paramétrico (excesso de \(K\), covariâncias colapsadas).
Importante
Nenhuma das duas garante a forma certa — só o PPC quantitativo testa isso diretamente, com números.
Se o MMD com largura de banda padrão (heurística da mediana) não rejeitou a hipótese de “mesma distribuição” para as duas luas, isso significa que o teste falhou como ferramenta de PPC?
Pense na diferença entre “o teste, com essa configuração específica, não detectou o problema” e “o problema não existe” — e no que a comparação entre \(\gamma\) e \(4\gamma\) revelou sobre qual escala de estrutura cada largura de banda consegue enxergar.
Resposta — o teste não falhou, a configuração é que importa
Voltando à pergunta: o teste não falhou — a configuração específica (largura de banda global) não era sensível àquela escala de estrutura. Um PPC quantitativo cuidadoso testa em mais de uma escala antes de concluir “sem evidência de diferença”, exatamente como esta aula fez.
1. Evidência \(\propto p(\mathcal{M}_m)p(\mathbf{X}\mid \mathcal{M}_m)\), já com Occam embutido; ELBO = proxy tratável.
2. \(\mathbf{H}=(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\) inteiro; Dirichlet poda \(\pi\), Normal-Wishart impede colapso de \(\Sigma\) — analiticamente.
3. ELBO = ajuste \(-\) KL; sobe até \(K=2\), cai depois (ao contrário da verossimilhança crua).
4. ELPD é o alvo real; folga variacional + má especificação + comparação universal justificam validar sempre.
5. PPC quantitativo (KS + MMD) revela, com números, falhas de forma que escalares únicos escondem.
Toda a aula assumiu \(\mathbf{X}\) observado diretamente. E se os próprios atributos fossem projeção de uma estrutura latente de dimensão muito menor?
Ponte para a Aula 6
O ELBO desta aula — ajuste menos KL, aproximação variacional de uma posterior intratável — reaparece quase palavra por palavra na PPCA (Aula 6) e, mais adiante, no Autoencoder Variacional (Aula 7): o mesmo ferramental, com variável latente contínua em vez de categórica.
UNICAMP — Instituto de Computação