Soluções — Aula 5: Seleção de Modelos, ELBO e Validação Empírica
Aprendizado Não Supervisionado
Dica(Resposta) Teste 1 — Por que o EM clássico não penaliza complexidade
- ✔ Verdadeiro — Com \(\theta\) fora do tratamento variacional (sem prior), o Passo E fecha o KL a zero e o Passo M persegue só \(\theta_{\mathrm{ML}}\); no ótimo, \(\mathcal{L}(q^\star, \theta_{\mathrm{ML}})=\ln p(\mathbf{X}\mid\theta_{\mathrm{ML}})\) exatamente — a mesma quantidade da log-verossimilhança de treino máxima, com o mesmo problema de nunca piorar com mais componentes.
- ✗ Falso — \(\pi_k\) é usado como priori sobre a variável latente \(\mathbf{Z}\) (de qual componente um ponto vem), mas o vetor \(\pi\) em si, no EM clássico, nunca tem priori nenhuma — é tratado como um número fixo, igual a \(\mu_k,\Sigma_k\). O problema estrutural é a ausência de priori sobre \(\pi\), não sobre \(\mu_k,\Sigma_k\) (dar-lhes priori, mantendo \(\pi\) fixo, não resolveria nada).
- ✔ Verdadeiro — Levar \(h\to0\) concentra o kernel inteiro sobre um único ponto de treino, fazendo a densidade estimada ali (e portanto a log-verossimilhança) divergir a \(+\infty\) — a mesma degenerescência estrutural do GMM, agora aplicada a um estimador de densidade não paramétrico visto na Aula 2, não exclusiva de misturas gaussianas.
- ✔ Verdadeiro — Priori quase pontual \(\Rightarrow\) \(q(\pi)\) quase não se move de \(p(\pi)\) \(\Rightarrow\) o custo de KL sobre \(\pi\) vira aproximadamente constante, reduzindo o comportamento ao caso em que \(\pi\) é tratado como fixo — o EM clássico.
Dica(Resposta) Teste 2 — ELBO com priori sobre π e a Navalha de Occam
- ✗ Falso — A decomposição \(\ln p(\mathbf{X}\mid\phi)=\mathcal{L}(q,\phi)+ \mathrm{KL}(q\|p)\) vale para qualquer \(q\) normalizada, fatorada ou não; a fatoração de campo médio afeta só o quão apertada é a cota (o KL residual entre a família fatorada e a posterior verdadeira), nunca a validade da desigualdade \(\mathcal{L}(q,\phi)\le\ln p(\mathbf{X}\mid\phi)\).
- ✔ Verdadeiro — Sem ganho no termo de ajuste, a única forma de aumentar \(\mathcal{L}(q,\phi)\) é reduzir o KL — e o mínimo do KL naquela coordenada é \(q(\pi)=p(\pi)\), custo zero.
- ✗ Falso — O ELBO é sempre \(\le\ln p(\mathbf{X}\mid\phi)\), com igualdade só quando \(\mathrm{KL}=0\) (a posterior é exatamente atingida); maximizar a cota aproxima a evidência, mas não a torna idêntica a ela em geral — a diferença (o KL residual) é justamente o que a escolha da família de \(q\) não elimina.
- ✔ Verdadeiro — Uma priori Gaussiana centrada em zero sobre os coeficientes, combinada com MAP, produz exatamente o termo \(\lambda\|\mathbf{w}\|_2^2\) da regularização Ridge — o mesmo princípio de “pagar para se afastar de uma crença prévia”, em outra roupagem.
Dica(Resposta) Teste 3 — Priori de Dirichlet e poda automática de componentes
- ✔ Verdadeiro — É exatamente o fenômeno de poda automática: a priori concentrada já favorece poucos componentes ativos antes de ver os dados, e a otimização variacional empurra os pesos supérfluos para perto de zero num único ajuste.
- ✔ Verdadeiro — Uma priori mais difusa “custa menos” (em KL) para manter um componente ativo, então o modelo tem menos pressão para podá-lo — mais componentes sobrevivem com peso não desprezível.
- ✗ Falso — A poda automática depende da família de modelo e da priori escolhida serem adequadas ao problema; ela é uma forma de penalidade analítica, não substitui checar, empiricamente (Silhueta, verossimilhança de validação, PPC), se a estrutura resultante de fato generaliza ou captura a forma real dos dados.
- ✔ Verdadeiro — Mesmo mecanismo: uma priori que concentra massa perto de zero (Laplaciana no LASSO, Dirichlet concentrada aqui) empurra parâmetros/pesos supérfluos para zero automaticamente, sem exigir busca exaustiva por subconjuntos de variáveis/componentes.
Dica(Resposta) Teste 4 — O dilema dos hiperparâmetros
- ✗ Falso — Ser um número real contínuo não elimina a subjetividade, só troca um conjunto discreto de opções por um contínuo; calibrar \(\alpha_0\) ainda exige o mesmo tipo de decisão (e validação) que calibrar \(K\) diretamente.
- ✔ Verdadeiro — Sem verossimilhança nem priori, a única forma de calibrar \(K\) no K-Means é observar o comportamento do algoritmo em dados — daí a necessidade das métricas empíricas do Bloco 3 (Silhueta, Davies-Bouldin) desta aula.
- ✔ Verdadeiro — \(\epsilon\)/
min_samplescontrolam a granularidade de densidade que o DBSCAN reconhece como cluster, exatamente como \(K\) controla quantos grupos o K-Means pode formar e \(\alpha_0\) controla quantos componentes a priori “permite” ao GMM Bayesiano. - ✗ Falso — Falsa equivalência: a ausência de um hiperparâmetro explícito de estrutura não impede sobreajuste — ele pode aparecer por outras vias (escolha de métrica de distância, de atributos, do próprio algoritmo) mesmo sem um número único para calibrar.
Dica(Resposta) Teste 5 — Validação empírica de clusterização dura
- ✔ Verdadeiro — É o mesmo erro estrutural da log-verossimilhança de treino: qualquer métrica calculada nos dados que definiram a partição favorece partições mais ajustadas àquele conjunto específico, sem dizer nada sobre generalização.
- ✔ Verdadeiro — Com um único ponto no cluster, “distância média aos outros pontos do mesmo cluster” não tem nenhum outro ponto para formar a média — a Silhueta perde sentido matemático nesse extremo.
- ✗ Falso — Ser geométrica não isenta a métrica do viés de “medir nos dados que já definiram a resposta”; o mesmo problema de inflar a aparência de qualidade se aplica a qualquer métrica, geométrica ou probabilística, calculada no conjunto que gerou o modelo.
- ✔ Verdadeiro — Mesmo princípio: erro de reconstrução da PCA no treino sempre cai (ou se mantém) com mais componentes; medir em validação revela se componentes extras generalizam ou só decoram o treino.
Dica(Resposta) Teste 6 — Validação por verossimilhança em modelos probabilísticos
- ✔ Verdadeiro — O colapso infla artificialmente a densidade só naquele ponto específico de treino; pontos de validação, por serem diferentes, não se beneficiam desse artefato, e a densidade que o modelo lhes atribui reflete o resto do ajuste, tipicamente pior.
- ✔ Verdadeiro — Esse descolamento é precisamente o sintoma empírico de sobreajuste: o modelo está melhorando o ajuste a particularidades do treino que não se repetem na validação — não precisa de fator de Occam analítico para ser detectado.
- ✗ Falso — A validação reduz o risco de sobreajuste, mas o \(K\) vencedor é uma estimativa sujeita à variância de amostragem daquela divisão treino/validação específica, não uma prova da estrutura populacional verdadeira.
- ✔ Verdadeiro — A receita não depende de o hiperparâmetro ser \(K\): é “ajustar no treino, avaliar em validação”, igualmente aplicável a \(\alpha_0\), ou a qualquer outro hiperparâmetro de estrutura.
Dica(Resposta) Teste 7 — Incerteza da validação e variância amostral
- ✔ Verdadeiro — Toda estimativa calculada sobre uma amostra finita (aqui, a divisão específica treino/validação) carrega variância; o \(K\) escolhido é a melhor aposta sob essa amostra, não uma certeza populacional.
- ✗ Falso — Modelos com \(K\) diferentes atribuem, em geral, densidades diferentes a qualquer ponto específico — mesmo com um único ponto de validação, a comparação continua possível, só fica mais ruidosa (mais sujeita a variância).
- ✗ Falso — Repetir a divisão e observar a estabilidade da escolha de \(K\) entre repetições é justamente o que informa o quão confiável (ou ruidosa) é aquela escolha — informação que uma única divisão treino/validação, sozinha, não fornece.
- ✔ Verdadeiro — O mesmo cuidado: o grau escolhido por erro mínimo de validação é o que generalizou melhor nessa amostra específica, não necessariamente o grau “verdadeiro” do processo gerador dos dados.
Dica(Resposta) Teste 8 — Posterior Predictive Checks
- ✔ Verdadeiro — Componentes elípticos não reproduzem o formato de crescente das luas: cobrem razoavelmente a posição média de cada grupo (log-verossimilhança aceitável) mas preenchem o vão côncavo entre elas — uma falha de forma, não de posição/densidade agregada.
- ✔ Verdadeiro — É a definição operacional de “o modelo capturou o processo gerador”: amostras do modelo devem ser, na prática, intercambiáveis com dados reais em qualquer estatística relevante.
- ✗ Falso — O PPC não se limita a médias/variâncias: pode (e, para detectar falhas de forma, deve) comparar propriedades estruturais como formato, multimodalidade, densidade espacial — exatamente o que o exemplo das luas mostra que métricas agregadas escalares não capturam. Reduzir o PPC a média/variância perderia seu principal valor.
- ✔ Verdadeiro — A mesma lógica: um escore agregado favorável (FID baixo) não garante ausência de artefatos visíveis em amostras individuais — inspeção direta continua sendo necessária.