Exercícios — Aula 5: Modelos Variacionais, GMM Bayesiano e Seleção de Modelos
Aprendizado Não Supervisionado
Contexto e notação
Um Modelo de Mistura Gaussiana (GMM) explica cada ponto \(\mathbf{x}_n\) como vindo de uma entre \(K\) populações gaussianas, via uma variável latente categórica \(z_n\), com prior de mistura \(\pi_k=p(z_{nk}=1)\). O EM clássico ajusta \(\theta=\{\pi_k,\mu_k,\Sigma_k\}\) por máxima verossimilhança, sem nenhuma priori sobre \(\theta\) — a log-verossimilhança de treino nunca piora ao aumentar \(K\), tornando-a inútil para escolher \(K\).
Seleção Bayesiana de modelos. Tratando a estrutura do modelo \(\mathcal{M}_m\) (ex.: “GMM com \(K=m\)”) como variável, \(p(\mathcal{M}_m\mid\mathbf{X})\propto p(\mathcal{M}_m)p(\mathbf{X}\mid \mathcal{M}_m)\), onde a evidência \(p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m)=\int p(\mathbf{X},\mathbf{H}\mid \mathcal{M}_m)\,\mathrm{d}\mathbf{H}\) já embute uma Navalha de Occam orgânica (modelos complexos espalham massa de probabilidade por um espaço maior de \(\mathbf{H}\)). Como essa integral é intratável, usa-se o ELBO \(\mathcal{L}_m(q)\), uma cota inferior tratável obtida via divergência de Kullback-Leibler, \(\mathrm{KL}(q\|p)=\mathbb{E}_q[\ln\{q/p\}]\ge0\): \[ \ln p(\mathbf{X}\mid\mathcal{M}_m) = \mathcal{L}_m(q) + \mathrm{KL}\big(q(\mathbf{H})\,\|\,p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X},\mathcal{M}_m)\big) . \]
GMM Bayesiano. Coloca-se \(\mathbf{H}=(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\) inteiro dentro do tratamento variacional (campo médio \(q(\mathbf{Z})q(\pi)\prod_kq(\mu_k,\Sigma_k)\)): uma priori de Dirichlet sobre \(\pi\) (concentração \(\alpha_0\), fixa e neutra, ex. \(\alpha_0=1\)) produz posterior \(\mathrm{Dir}(\alpha_0+N_1,\dots, \alpha_0+N_K)\), com \(N_k\) a contagem esperada de pontos no componente \(k\) — componentes com \(N_k\approx0\) são podados; uma priori Normal-Wishart sobre \((\mu_k,\Sigma_k)\) garante que a escala posterior \(W_k^{-1}=W_0^{-1}+N_kS_k+\dots\) nunca esquece o termo \(W_0^{-1}\) da priori, impedindo analiticamente o colapso \(\Sigma_k\to\mathbf{0}\). O ELBO resultante se decompõe como \[ \mathcal{L}_m(q) = \underbrace{\mathbb{E}_{q(\mathbf{Z})q(\mu,\Sigma)}\big[\ln p(\mathbf{X}\mid\mathbf{Z},\mu,\Sigma)\big]}_{\text{Ajuste}} - \underbrace{\mathrm{KL}\big(q(\mathbf{Z},\pi,\mu,\Sigma)\,\|\,p(\cdot\mid\mathbf{X})\big)}_{\text{Navalha de Occam}} . \] Diferente da log-verossimilhança crua, esse ELBO sobe e depois cai em função de \(K\).
Validação preditiva e geométrica. O alvo estatístico verdadeiro é a Esperança da Log-Densidade Preditiva (ELPD), \(\mathbb{E}_{\mathbf{x}\sim p_{\text{true}}}[\ln p(\mathbf{x}\mid \mathbf{X}_{\text{train}})]\) — estimar essa quantidade usando os próprios dados de treino produz viés de otimismo (double-dipping); um conjunto de validação \(\mathbf{X}_{\text{val}}\), nunca exposto ao ajuste, fornece um estimador de Monte Carlo não-viesado. Como nem todo método tem probabilidade (K-Means, DBSCAN), métricas puramente geométricas na validação unificam a comparação: o Coeficiente de Silhueta (Rousseeuw, 1987), \(s(i)=\frac{b(i)-a(i)}{\max\{a(i),b(i)\}}\) (\(a(i)\) = coesão, \(b(i)\) = separação), e o Índice de Dunn (Dunn, 1974), razão entre a menor distância entre clusters diferentes e o maior diâmetro interno de qualquer cluster — puramente geométrico, sem assumir forma esférica.
PPC quantitativo. Amostrando \(\mathbf{X}_{\text{sim}}\) do modelo ajustado, comparamos contra \(\mathbf{X}_{\text{real}}\) via (a) projeções sobre múltiplas direções aleatórias, com teste de Kolmogorov-Smirnov (Massey, 1951) em cada direção, e (b) Maximum Mean Discrepancy (MMD; Gretton et al., 2012) com kernel RBF, cuja largura de banda determina que escala de discrepância o teste enxerga.