Soluções — Regressão Linear e Máxima Verossimilhança

Aula 5 — Por Que Mínimos Quadrados É Máxima Verossimilhança Sob Ruído Gaussiano

Autor

Marcos M. Raimundo — Instituto de Computação, UNICAMP

Aula Exercícios

NotaTeste 1 — Geometria da Projeção e Resíduos
  • □ Se o vetor observado \(y\) já estivesse exatamente dentro do subespaço gerado pelas colunas de \(X\) (por exemplo, se os dados não tivessem ruído algum), a projeção \(\hat y\) coincidiria com o próprio \(y\), e o resíduo seria o vetor nulo.
  • □ Se o número de colunas de \(X\) (incluindo o intercepto) fosse igual ao número de observações \(N\), e essas colunas fossem linearmente independentes, o subespaço \(\mathcal S\) ocuparia todo o espaço \(\mathbb R^N\), e o ajuste por mínimos quadrados reproduziria \(y\) exatamente, com resíduo nulo em todos os pontos.
  • □ Num algoritmo de recomendação que aproxima as avaliações de um usuário como combinação linear de “perfis latentes” pré-definidos, a mesma lógica de projeção ortogonal sobre o subespaço gerado pelos perfis garante que a aproximação encontrada terá erro zero sempre que houver pelo menos dois perfis latentes disponíveis.
  • □ Como o resíduo \(y-\hat y\) é ortogonal a cada coluna de \(X\) individualmente, ele é necessariamente ortogonal a qualquer vetor fora do subespaço \(\mathcal S\) também.
Dica(Resposta) Teste 1 — Geometria da Projeção e Resíduos
  • ✔ Verdadeiro — A projeção ortogonal de um vetor sobre um subespaço que já o contém é o próprio vetor — não há “sobra” fora do subespaço para descartar, então o resíduo é nulo.
  • ✔ Verdadeiro — \(N\) colunas linearmente independentes em \(\mathbb R^N\) geram o espaço inteiro; a projeção de qualquer \(y\in\mathbb R^N\) sobre \(\mathbb R^N\) é o próprio \(y\) — é o caso degenerado de interpolação perfeita (zero graus de liberdade sobrando).
  • ✗ Falso — Ter “pelo menos dois” perfis não garante que o vetor de avaliações esteja dentro do subespaço que eles geram — erro zero só ocorre se o vetor alvo pertencer exatamente a esse subespaço, o que depende da dimensão do subespaço relativa à dimensão do problema, não de uma contagem mínima arbitrária de perfis.
  • ✗ Falso — Ortogonalidade às colunas de \(X\) garante ortogonalidade a todo o subespaço \(\mathcal S\) que elas geram (por linearidade) — mas nada garante ortogonalidade a um vetor arbitrário fora de \(\mathcal S\), que pode ter componentes em qualquer direção.
NotaTeste 2 — RSS, Equações Normais e Posto de X
  • □ Se todas as colunas de atributos de \(X\) (exceto o intercepto) fossem multiplicadas por uma mesma constante \(c\ne 0\) antes do ajuste, o vetor \(\hat\beta\) mudaria (os coeficientes correspondentes seriam divididos por \(c\)), mas a previsão \(\hat y=X\hat\beta\) e o RSS mínimo permaneceriam exatamente os mesmos.
  • □ No limite em que \(X\) tem uma única coluna (só o intercepto, sem nenhum atributo), a equação normal \(X^T(y-X\hat\beta)=0\) se reduz a dizer que \(\hat\beta_0\) é exatamente a média amostral \(\bar y\).
  • □ Num ajuste de regressão linear que busca prever o preço mediano de um imóvel (dataset California Housing) a partir da renda mediana da região, a mesma equação normal determinaria os coeficientes independentemente de qual atributo do dataset for usado como preditor — e a extrapolação da reta ajustada para valores de renda muito fora do intervalo observado no treino teria a mesma confiabilidade estatística que dentro do intervalo observado.
  • □ Como \(\text{RSS}(\beta)\) é uma função quadrática (e portanto convexa) de \(\beta\), ela tem sempre um único mínimo global estritamente, mesmo quando as colunas de \(X\) são linearmente dependentes (\(X^TX\) singular).
Dica(Resposta) Teste 2 — RSS, Equações Normais e Posto de X
  • ✔ Verdadeiro — Reescalar uma coluna por \(c\) e dividir o coeficiente correspondente por \(c\) deixa o produto \(X\beta\) inalterado — a reta ajustada e a soma de quadrados mínima não dependem da escala escolhida para os atributos.
  • ✔ Verdadeiro — Com \(X\) sendo um vetor de uns, a equação normal vira \(\mathbf 1^T(y-\hat\beta_0\mathbf 1)=0\), ou seja, \(\sum(y_n-\hat\beta_0)=0\), cuja solução é exatamente \(\hat\beta_0=\bar y\).
  • ✗ Falso — A equação normal de fato não depende de qual atributo do dataset é usado como preditor — mas extrapolar para fora do intervalo onde os dados de treino existiram nunca tem a mesma confiabilidade estatística que interpolar dentro dele; não há garantia de que a relação linear observada continue válida fora da faixa observada.
  • ✗ Falso — \(\text{RSS}(\beta)\) é sempre convexa, mas só é estritamente convexa quando \(X^TX\) é não-singular (posto completo). Quando \(X^TX\) é singular, existe um subespaço inteiro de vetores \(\beta\) que atingem o mesmo valor mínimo de RSS — o mínimo deixa de ser único, mesmo continuando global.
NotaTeste 3 — Premissas do Modelo Gaussiano Homocedástico
  • □ Se assumíssemos que os erros \(\epsilon_n\) são gaussianos mas NÃO independentes entre observações (por exemplo, erros correlacionados entre imóveis vizinhos geograficamente), a verossimilhança conjunta deixaria de ser simplesmente o produto das densidades marginais de cada observação.
  • □ Se a variância do ruído \(\sigma^2\) fosse igual para todas as observações mas extremamente grande (tendendo a infinito), o modelo linear perderia praticamente toda sua capacidade preditiva, mesmo que \(\beta\) estivesse corretamente especificado.
  • □ Num modelo que prevê o tempo de resposta de um servidor a partir da carga de requisições, supor ruído gaussiano homocedástico seria tão razoável quanto no caso de preços de imóveis, desde que a variabilidade do tempo de resposta realmente não dependa sistematicamente do nível de carga — e, uma vez feita essa suposição, ela nunca precisaria ser verificada empiricamente depois do ajuste, pois o próprio ajuste por mínimos quadrados a confirma automaticamente.
  • □ Como um modelo de regressão linear assume \(Y\mid X\sim\mathcal N(\beta^TX,\sigma^2)\), isso implica que a distribuição marginal (não condicional) de \(Y\) também deve ser gaussiana, para o modelo fazer sentido.
Dica(Resposta) Teste 3 — Premissas do Modelo Gaussiano Homocedástico
  • ✔ Verdadeiro — A fatoração da densidade conjunta como produto de densidades individuais é consequência direta da suposição de independência — sem ela, a densidade conjunta exigiria modelar a estrutura de correlação entre observações, não apenas suas marginais.
  • ✔ Verdadeiro — Com \(\sigma^2\to\infty\), a distribuição condicional de \(Y\) dado \(X\) se torna cada vez mais dispersa em torno da média correta \(\beta^TX\) — o valor médio previsto continua certo, mas a incerteza em torno dele domina completamente qualquer previsão individual útil.
  • ✗ Falso — A primeira parte é razoável (homocedasticidade é uma suposição plausível quando a variabilidade não depende sistematicamente da variável explicativa), mas a segunda não: o ajuste por mínimos quadrados não verifica homocedasticidade — ele simplesmente minimiza RSS independentemente de a suposição valer ou não. Confirmar (ou refutar) homocedasticidade exige inspecionar os resíduos depois do ajuste (como o próprio bloco de “Limitações” faz ao encontrar heterocedasticidade real no ajuste de preços de imóveis), nunca é uma garantia automática do procedimento de ajuste.
  • ✗ Falso — O modelo só faz uma suposição sobre a distribuição condicional de \(Y\) dado \(X\). A distribuição marginal de \(Y\) depende também de como \(X\) está distribuído na população, e em geral não é gaussiana (é uma mistura de gaussianas ponderada pela distribuição de \(X\)) — a suposição do modelo não exige nada sobre essa marginal.
NotaTeste 4 — Construção da Verossimilhança Conjunta

Sob o modelo \(Y\mid X=x\sim\mathcal N(\beta^Tx,\sigma^2)\) com observações independentes, a log-verossimilhança dos \(N\) dados é \(\ell(\beta,\sigma^2)=-\frac N2\ln(2\pi)-N\ln\sigma-\frac{\text{RSS}(\beta)}{2\sigma^2}\), com \(\text{RSS}(\beta)=\sum_n(y_n-\beta^Tx_n)^2\).

  • □ Se, em vez de tomar o logaritmo da verossimilhança, trabalhássemos diretamente com o produto de densidades \(\prod_n\mathcal N(y_n\mid\beta^Tx_n,\sigma^2)\), maximizar esse produto em relação a \(\beta\) ainda levaria exatamente ao mesmo \(\hat\beta\) obtido via log-verossimilhança, porque o logaritmo é uma função estritamente crescente.
  • □ No caso extremo de \(N=1\) (uma única observação), a “log-verossimilhança” ainda pode ser escrita pela mesma fórmula geral, mas maximizá-la em relação a \(\beta\) (com mais de um parâmetro livre) não determina um único \(\hat\beta\), porque há infinitas retas passando exatamente por um ponto.
  • □ Num modelo que assume que o tempo entre chegadas de clientes numa fila segue uma distribuição exponencial (não gaussiana), a mesma lógica de multiplicar densidades individuais (assumindo observações independentes) e tomar o logaritmo se aplicaria — ainda que a forma final da função a maximizar fosse diferente da gaussiana acima, o valor numérico do máximo obtido seria sempre diretamente comparável ao valor máximo de uma log-verossimilhança gaussiana ajustada a um problema de regressão, permitindo escolher qual dos dois modelos descreve melhor seus respectivos dados só comparando os números brutos.
  • □ Como a log-verossimilhança acima é \(\ell(\beta,\sigma^2)=-\frac N2\ln(2\pi)-N\ln\sigma-\frac{\text{RSS}(\beta)}{2\sigma^2}\), maximizar \(\ell\) em relação a \(\beta\) e maximizar \(\ell\) em relação a \(\sigma^2\) são operações que precisam ser feitas simultaneamente, nunca uma depois da outra, porque os dois parâmetros aparecem na mesma expressão.
Dica(Resposta) Teste 4 — Construção da Verossimilhança Conjunta
  • ✔ Verdadeiro — Uma função estritamente crescente preserva a localização do máximo — maximizar \(f(\beta)\) ou \(\ln f(\beta)\) (com \(f>0\)) sempre produz o mesmo \(\hat\beta\). O log só é usado por conveniência algébrica (transforma produto em soma), não porque muda o resultado.
  • ✔ Verdadeiro — Com um único ponto e dois ou mais parâmetros livres (\(\beta_0,\beta_1,\ldots\)), existe uma família inteira de retas com RSS\(=0\) passando exatamente por esse ponto — todas maximizam igualmente a log-verossimilhança, sem um único ótimo.
  • ✗ Falso — A parte sobre multiplicar densidades e logaritmar é válida para qualquer família de distribuições — mas comparar valores brutos de log-verossimilhança máxima entre famílias distribucionais diferentes (gaussiana vs. exponencial) não é uma comparação válida sem correção; são escalas e normalizações distintas, não diretamente comparáveis pelo valor numérico bruto.
  • ✗ Falso — É exatamente o oposto: para qualquer \(\sigma^2>0\) fixo, maximizar \(\ell\) em relação a \(\beta\) equivale a minimizar \(\text{RSS}(\beta)\) (o termo \(1/2\sigma^2\) é apenas um fator multiplicativo positivo que não muda onde está o mínimo) — dando \(\hat\beta_{\text{OLS}}\) independentemente de \(\sigma^2\). Só depois, com \(\hat\beta\) fixo, maximiza-se em relação a \(\sigma^2\). A sequência funciona perfeitamente bem.
NotaTeste 5 — O Teorema Central: OLS = MLE
  • □ Se a variância \(\sigma^2\) fosse conhecida e fixa de antemão (não estimada), o valor de \(\hat\beta\) que maximiza a log-verossimilhança ainda seria exatamente o mesmo \(\hat\beta_{\text{OLS}}\), porque \(\sigma^2\) entra na log-verossimilhança apenas como um fator multiplicativo positivo do termo que depende de \(\beta\).
  • □ Se, por hipótese, \(\text{RSS}(\hat\beta)=0\) para o \(\hat\beta\) que minimiza a soma de quadrados (ajuste perfeito, sem nenhum resíduo), o estimador \(\hat\sigma^2_{\text{MLE}}=\text{RSS}(\hat\beta)/N\) seria exatamente zero, e a log-verossimilhança avaliada nesse ponto tenderia a \(+\infty\) conforme \(\sigma\to0\) nessa mesma expressão, revelando uma degenerescência do modelo gaussiano nesse caso extremo.
  • □ Se, em outro domínio qualquer, alguém provar que maximizar uma verossimilhança assumida é algebricamente idêntico a minimizar uma soma de quadrados, essa prova por si só já implica que o ruído daquele modelo específico foi assumido gaussiano, porque é a densidade gaussiana (e nenhuma outra densidade comum) que produz esse termo quadrático especificamente na log-verossimilhança.
  • □ Como \(\hat\beta_{\text{MLE}}=\hat\beta_{\text{OLS}}\) sob um modelo de regressão linear com ruído gaussiano homocedástico, conclui-se que máxima verossimilhança e mínimos quadrados são sempre a mesma coisa, para qualquer modelo estatístico, não apenas para regressão linear sob ruído gaussiano.
Dica(Resposta) Teste 5 — O Teorema Central: OLS = MLE
  • ✔ Verdadeiro — Para qualquer \(\sigma^2>0\) fixo, o único termo de \(\ell\) que depende de \(\beta\) é \(-\text{RSS}(\beta)/(2\sigma^2)\) — maximizar isso em relação a \(\beta\) equivale a minimizar \(\text{RSS}(\beta)\), independentemente do valor específico de \(\sigma^2\).
  • ✔ Verdadeiro — Com \(\text{RSS}=0\), \(\ell=-\frac N2\ln(2\pi)-N\ln\sigma\); conforme \(\sigma\to0^+\), \(\ln\sigma\to-\infty\), então \(-N\ln\sigma\to+\infty\) — a log-verossimilhança diverge, um sintoma conhecido de degenerescência do ajuste perfeito no modelo gaussiano.
  • ✔ Verdadeiro — É o mesmo mecanismo do teorema central desta aula rodado ao contrário: a forma exponencial-quadrática \(\exp\{-(\cdot)^2/2\sigma^2\}\) é o que torna a log-verossimilhança gaussiana literalmente uma soma de quadrados com sinal trocado. Outras densidades comuns (Laplace, por exemplo) produzem outros termos (valor absoluto) — só a gaussiana produz especificamente o termo quadrático que colapsa em minimizar RSS.
  • ✗ Falso — A equivalência é específica do ruído gaussiano aditivo em regressão linear — sob outra suposição de ruído (Laplace) ou outro tipo de modelo (regressão logística, por exemplo, com alvo binário), a máxima verossimilhança leva a minimizar uma função de erro diferente, não a soma de quadrados.
NotaTeste 6 — Viés do MLE de \(\sigma^2\)
  • □ Se, em vez de dividir por \(N\), dividíssemos \(\text{RSS}(\hat\beta)\) por \(N-2\) (número de observações menos o número de parâmetros do modelo — por exemplo, \(2\) num ajuste de regressão linear simples, com intercepto e uma única inclinação), o estimador resultante teria valor esperado exatamente igual a \(\sigma^2\) verdadeiro — mas deixaria de ser o estimador de máxima verossimilhança.
  • □ Conforme \(N\to\infty\) (mantendo o número de parâmetros de \(\beta\) fixo), a diferença relativa entre \(\hat\sigma^2_{\text{MLE}}=\text{RSS}/N\) e o estimador não-viesado \(\text{RSS}/(N-2)\) tende a zero, porque \(N/(N-2)\to1\).
  • □ O mesmo padrão de viés — dividir por \(N\) em vez de \(N\) menos o número de parâmetros estimados — reaparece em qualquer estimador de variância obtido por máxima verossimilhança que primeiro estime uma média (ou, aqui, um hiperplano) a partir dos mesmos dados usados para medir a dispersão em torno dela; e por isso, na prática, é sempre preferível reportar o estimador não-viesado em vez do MLE, em qualquer aplicação, sem exceção.
  • □ Como \(\hat\sigma^2_{\text{MLE}}\) é viesado para baixo, ele é necessariamente um estimador pior do que o estimador não-viesado \(\text{RSS}/(N-2)\) em qualquer critério razoável de qualidade, incluindo o erro quadrático médio do próprio estimador de \(\sigma^2\).
Dica(Resposta) Teste 6 — Viés do MLE de \(\sigma^2\)
  • ✔ Verdadeiro — É o estimador não-viesado clássico de \(\sigma^2\) em regressão linear — corrige exatamente o viés introduzido por estimar \(\beta\) a partir dos mesmos dados usados para medir a dispersão residual, mas o estimador de máxima verossimilhança é, por definição, \(\text{RSS}/N\), não essa versão corrigida.
  • ✔ Verdadeiro — A razão entre os dois estimadores é exatamente \(N/(N-2)\) — conforme \(N\) cresce com o número de parâmetros fixo, essa razão converge a \(1\), e o viés relativo desaparece assintoticamente.
  • ✗ Falso — A primeira parte (o padrão de viés é geral) é correta — é o mesmo fenômeno já visto para a variância gaussiana em problemas de estimação de densidade. Mas a conclusão de que o estimador não-viesado é “sempre preferível… sem exceção” é um exagero: viés não é o único critério de qualidade de um estimador (ver item seguinte, sobre erro quadrático médio).
  • ✗ Falso — Viés é só um dos componentes do erro quadrático médio (MSE = viés² + variância). Um estimador viesado pode ter variância menor o bastante para ter MSE menor que a versão não-viesada — “viesado” não implica “pior em qualquer critério”, é uma generalização indevida do fato do viés isoladamente.
NotaTeste 7 — Verificação Numérica e Otimização
  • □ Se uma otimização numérica (por exemplo, via algoritmo Nelder-Mead) da log-verossimilhança de um modelo de regressão linear gaussiano tivesse sido inicializada num ponto de partida muito distante de \(\hat\beta_{\text{OLS}}\) (por exemplo, \(\beta_0=100,\beta_1=-50\), quando o ótimo verdadeiro está perto da origem), o algoritmo ainda convergiria ao mesmo ponto ótimo, porque a log-verossimilhança gaussiana em função de \(\beta\) é uma função côncava sem outros máximos locais.
  • □ Se uma grade (grid search) usada para visualizar a superfície de log-verossimilhança de um modelo de regressão linear gaussiano tivesse uma resolução extremamente grosseira (poucos pontos, muito espaçados), o pico da grade poderia ficar visivelmente deslocado do verdadeiro \(\hat\beta_{\text{OLS}}\), mesmo que a forma fechada continuasse exata — e, por essa razão, sempre que uma forma fechada exata existir, o grid search se torna uma ferramenta cientificamente inútil, sem nenhum valor pedagógico ou de verificação.
  • □ Em problemas de otimização com muitos parâmetros (por exemplo, uma rede neural com milhões de pesos), a mesma ideia de verificar uma solução fechada contra uma busca numérica deixaria de ser prática simplesmente por causa do volume de contas — não porque o princípio de comparação deixe de fazer sentido.
  • □ Como uma otimização numérica confirmou o resultado da forma fechada num exemplo específico de ajuste, isso prova matematicamente (não apenas ilustra empiricamente) que \(\hat\beta_{\text{MLE}}=\hat\beta_{\text{OLS}}\) para qualquer conjunto de dados sob o modelo gaussiano.
Dica(Resposta) Teste 7 — Verificação Numérica e Otimização
  • ✔ Verdadeiro — Para \(\sigma\) fixo, \(\ell(\beta)\) é uma parábola invertida (côncava) em \(\beta\) — tem um único máximo global, sem máximos locais escondidos onde um otimizador possa ficar preso, independentemente de onde a busca comece.
  • ✗ Falso — A primeira parte é correta (grades grosseiras introduzem erro de discretização), mas a conclusão é um exagero: um grid search continua tendo valor real de verificação/pedagógico (mostrar visualmente que a superfície tem um único pico exatamente onde a forma fechada aponta) mesmo quando uma forma fechada já está disponível.
  • ✔ Verdadeiro — O princípio (comparar um resultado analítico contra uma busca numérica independente) continua logicamente válido em qualquer dimensão; o que muda é a viabilidade computacional de visualizar/varrer uma superfície com milhões de dimensões, uma limitação prática, não conceitual.
  • ✗ Falso — A confirmação numérica vale para um dataset específico e um otimizador que convergiu corretamente — é uma ilustração empírica, não uma prova geral. A prova matemática de que a equivalência vale para qualquer conjunto de dados é a derivação algébrica do teorema central, não a checagem numérica.
NotaTeste 8 — Limitações: Heterocedasticidade, Censura e Não-Linearidade

O alvo MedHouseVal do dataset California Housing é artificialmente censurado: todo imóvel cujo preço mediano real seria maior que \(\$500\,001\) (a unidade do dataset é centenas de milhares de dólares, então o valor aparece como \(5{,}00001\)) é registrado com exatamente esse valor de teto — cerca de \(4{,}49\%\) das observações são afetadas. Além disso, num ajuste de regressão linear de MedHouseVal a partir de MedInc nesse dataset, a variância dos resíduos cresce sistematicamente com MedInc (heterocedasticidade real, não apenas hipotética).

  • □ Se MedHouseVal não fosse artificialmente censurado em \(5{,}00001\) (ou seja, se os \(4{,}49\%\) de observações no teto tivessem seus valores reais, possivelmente maiores), o \(\hat\beta_1\) estimado para MedInc provavelmente mudaria, porque essas observações censuradas concentram-se desproporcionalmente entre os imóveis de renda mais alta.
  • □ No extremo em que a censura afetasse 100% das observações (todos os valores exibidos como exatamente \(5{,}00001\)), a variância amostral de MedHouseVal seria zero, e o ajuste de mínimos quadrados encontraria \(\hat\beta_1=0\).
  • □ Num estudo que mede o tempo de sobrevivência de pacientes após um tratamento, mas o estudo termina antes de alguns pacientes falecerem (censura à direita, análoga à censura de MedHouseVal no teto), a mesma distorção de ajustar mínimos quadrados diretamente sobre os tempos observados (ignorando a censura) se aplicaria, subestimando o verdadeiro tempo médio de sobrevivência — mas esse problema desapareceria automaticamente com uma amostra suficientemente grande, já que o viés de censura, ao contrário do viés de estimadores de variância, diminui conforme \(N\) aumenta.
  • □ Como a variância dos resíduos de um ajuste de regressão linear cresce com MedInc (heterocedasticidade real, já confirmada empiricamente nesse ajuste), o modelo linear ajustado por mínimos quadrados se torna inútil para prever MedHouseVal, e nenhuma previsão feita a partir dele deveria ser usada.
Dica(Resposta) Teste 8 — Limitações: Heterocedasticidade, Censura e Não-Linearidade
  • ✔ Verdadeiro — Como a censura afeta principalmente a cauda de renda alta, “destelhar” esses valores mudaria justamente a relação entre MedInc alto e MedHouseVal, a região que mais influencia a inclinação estimada.
  • ✔ Verdadeiro — Se \(y\) é constante, \(\text{Cov}(x,y)=0\) para qualquer \(x\), e \(\hat\beta_1=\text{Cov}(x,y)/\text{Var}(x)=0\) — não há variação em \(y\) para nenhum atributo explicar.
  • ✗ Falso — O viés de censura é sistemático (estrutural), não um efeito de variância amostral — aumentar \(N\) reduz a incerteza em torno de uma estimativa, mas não corrige um viés que vem de ignorar uma distorção presente em cada observação censurada; o viés persiste independentemente do tamanho da amostra.
  • ✗ Falso — Heterocedasticidade compromete a confiabilidade da quantificação de incerteza em torno das previsões (intervalos de confiança, testes de hipótese), não a validade do ponto central previsto — as previsões pontuais continuam informativas, só precisam ser interpretadas com o cuidado adicional de que a incerteza real varia com MedInc.