Aprendizado Não Supervisionado
2026-09-13
KL: \(\mathrm{KL}(q\|p)\ge0\). Decomposição geral: \(\ln p(\mathbf{X})=\mathcal{L}(q)+\mathrm{KL}(q\|p(\mathbf{H}\mid\mathbf{X}))\) — o ELBO \(\mathcal{L}(q)\) é sempre cota inferior calculável.
EM clássico (Aula 4) = \(\theta\) fora do tratamento, ponto fixo, sem priori \(\Rightarrow\) ELBO no ótimo colapsa à verossimilhança no melhor ponto, sem penalidade de complexidade.
Nota
\(\theta\) dentro, com priori de verdade \(\Rightarrow\) Navalha de Occam via KL — mas troca “escolher \(K\)” por “calibrar hiperparâmetros de priori” (mesmo dilema no K-Means, no DBSCAN).
Sem via analítica sempre disponível: validação empírica (Silhueta/Davies-Bouldin, verossimilhança preditiva, Posterior Predictive Checks).
Nota
Em toda essa trajetória (Aulas 3–5), a variável não observada \(z_n\) foi sempre categórica: “de qual das \(K\) populações?”
Breast Cancer Wisconsin: \(30\) atributos — impossível visualizar diretamente. Até aqui: ignorada (só \(2\) atributos à mão) ou combatida (maldição da dimensionalidade, Aula 2).
Nova pergunta: não “de qual população veio?” (categórica), mas “que posição, em dimensão \(M\ll D\), resume este paciente?” — variável latente contínua \(\mathbf{z}\in\mathbb{R}^M\).
1. “Resumir sem perder o que importa”: PCA responde de duas formas equivalentes — quais, por que coincidem?
2. Existe versão probabilística (estilo GMM, mas \(z\) contínuo, linear-Gaussiano)? O que ela revela?
3. Um autoencoder raso (rede neural) resolve outro problema, ou é a mesma coisa disfarçada?
4. Essas três ferramentas têm alguma limitação em comum?
Sem fórmula ainda: escolha \(2\) atributos padronizados do Breast Cancer Wisconsin. Se só pudesse guardar uma direção de projeção por paciente, qual escolheria — e por quê essa e não outra?
Trocar a variável latente categórica (GMM) por uma contínua muda o tipo de problema que se resolve, ou é só uma variação técnica?
Pense no tipo de resposta que cada variável latente permite: um rótulo entre \(K\) opções, ou uma posição contínua num espaço de \(M\) dimensões.
Resposta — mudança de eixo, não só de método
Voltando à pergunta: muda o tipo de pergunta (rótulo discreto vs. posição contínua), mas a lógica de fundo — resumir sem perder o que importa — é a mesma. O resto da aula formaliza “o que importa”.
Mesmo par padronizado (radius_worst, concave points_worst). Duas direções candidatas para resumir num único número: o eixo bruto de radius_worst, ou a diagonal a \(45°\).
Eixo bruto (radius_worst): variância \(=1{,}00\). Direção a \(45°\): variância \(=1{,}79\) — quase o dobro.
Nota
“Resumir melhor” = maximizar a variância da projeção. A direção a \(45°\) não foi escolhida à mão — é o autovetor de maior autovalor da covariância, provado no Bloco 3.
\(\{\mathbf{x}_n\}\subset\mathbb{R}^D\); projetar sobre direção unitária \(\mathbf{u}_1\) (\(\mathbf{u}_1^T\mathbf{u}_1=1\)). Variância projetada: \[ \frac1N\sum_n\{\mathbf{u}_1^T\mathbf{x}_n-\mathbf{u}_1^T\bar{\mathbf{x}}\}^2=\mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1 \]
\(\mathbf{S}\) é sempre simétrica (\(\mathbf{S}=\mathbf{S}^T\)) e semidefinida positiva (\(\mathbf{v}^T\mathbf{S}\mathbf{v}=\frac1N\sum_n[\mathbf{v}^T(\mathbf{x}_n-\bar{\mathbf{x}})]^2\ge0\)).
Sem restrição, \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1\) não tem máximo finito (escalar \(\mathbf{u}_1\) aumenta sem limite). Lagrange: \[ \mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1+\lambda_1(1-\mathbf{u}_1^T\mathbf{u}_1) \]
Derivada \(=0\): \(\mathbf{S}\mathbf{u}_1=\lambda_1\mathbf{u}_1\) — \(\mathbf{u}_1\) é autovetor de \(\mathbf{S}\); pré-multiplicando por \(\mathbf{u}_1^T\): variância \(=\lambda_1\) no ótimo.
Importante
\(\mathbf{S}\) simétrica \(\Rightarrow\) autovalores reais, autovetores ortogonais (Teorema Espectral). Máximo quando \(\mathbf{u}_1\) = autovetor do maior autovalor.
Nota
Teorema (PCA, máxima variância): o subespaço de dimensão \(M\) que maximiza a variância projetada total é gerado pelos \(M\) autovetores de \(\mathbf{S}\) com os \(M\) maiores autovalores.
Prova por indução: com \(\mathbf{u}_1,\dots,\mathbf{u}_{M-1}\) já fixados, maximizar entre as direções ortogonais a elas ainda exige \(\mathbf{S}\mathbf{u}_M=\lambda_M\mathbf{u}_M\); entre os autovetores restantes, o de maior autovalor vence. \(\blacksquare\)
Aviso
np.linalg.eigh devolve autovalores em ordem ascendente — reordenar explicitamente, ou “o primeiro componente” vira silenciosamente o autovetor de menor variância.
\(\lambda_1=13{,}2816\) (\(44{,}27\%\)), \(\lambda_2=5{,}6914\) (\(18{,}97\%\)) — juntos, \(63{,}24\%\) da variância total de \(30\) atributos, em só \(2\) números, sem usar diagnosis.
O multiplicador de Lagrange \(\lambda_1\) é só um artifício técnico da restrição, ou carrega significado próprio?
Releia o Passo 3: o que \(\lambda_1\) passa a representar depois de pré-multiplicar a equação por \(\mathbf{u}_1^T\)?
Resposta — o significado de \(\lambda_1\)
Voltando à pergunta: carrega significado pleno — \(\lambda_1\) é exatamente a variância que sobra depois de projetar na melhor direção possível.
Base ortonormal completa \(\{\mathbf{u}_i\}\); \(\tilde{\mathbf{x}}_n=\sum_{i\le M}z_{ni}\mathbf{u}_i+\sum_{i>M}b_i \mathbf{u}_i\). Minimizar \(J=\frac1N\sum_n\|\mathbf{x}_n- \tilde{\mathbf{x}}_n\|^2\).
Ótimo: \(z_{nj}=\mathbf{x}_n^T\mathbf{u}_j\), \(b_j=\bar{\mathbf{x}}^T \mathbf{u}_j\) — erro sempre ortogonal ao subespaço de projeção (nunca oblíquo).
Substituindo: \(J=\sum_{i=M+1}^D\mathbf{u}_i^T\mathbf{S}\mathbf{u}_i\) — só função dos \(\mathbf{u}_i\) descartados.
Importante
Minimizar sob ortonormalidade \(\to\mathbf{S}\mathbf{u}_i=\lambda_i \mathbf{u}_i\) de novo; \(J^\star=\sum_{i=M+1}^D\lambda_i\) — minimizado descartando os menores autovalores.
Nota
Teorema (PCA, erro mínimo): o mesmo subespaço principal minimiza \(J\); \(J^\star=\sum_{i=M+1}^D\lambda_i\).
Por que as duas formulações concordam: \[ \|\mathbf{x}_n-\bar{\mathbf{x}}\|^2 = \underbrace{\textstyle\sum_i z_{ni}^2}_{\text{retido}} + \underbrace{\|\mathbf{x}_n-\tilde{\mathbf{x}}_n\|^2}_{\text{erro}} \]
Nota
Variância total (\(\mathrm{tr}(\mathbf{S})\)) é fixa. Maximizar variância retida = minimizar erro — o mesmo problema, dois nomes, não duas coincidências.
Rótulo diagnosis nunca entrou no ajuste — só os \(30\) atributos. Colorido só para avaliar: um limiar em \(z_1\) já classifica \(92{,}1\%\) corretamente.
Nota
Mesmo padrão das Aulas 3–4 (HDBSCAN, GMM): estrutura clínica real deixa marca estatística forte o bastante para emergir de um critério puramente geométrico.
A alta acurácia obtida (92,1%) sem usar o rótulo prova que a PCA “sabia” sobre o diagnóstico durante o ajuste?
Releia com cuidado onde diagnosis entrou nos cálculos do Bloco 3/4 — em algum passo da decomposição espectral, ou só depois, para colorir o gráfico?
diagnosis durante o ajuste.Resposta — a PCA não viu o rótulo em nenhum momento
diagnosis só entrou depois, para colorir o gráfico e avaliar; a separação é um achado real, não um vazamento de rótulo.Voltando à pergunta: não — a PCA nunca viu diagnosis. A separação é um achado genuíno de que a variação biológica entre tumores benignos e malignos domina boa parte da variância total dos \(30\) atributos.
Comparando com o GMM (Aula 4): \(z_n\) era 1-de-\(K\) (categórica); aqui, \(\mathbf{z}\in\mathbb{R}^M\) é contínua.
Nota
Definição (PPCA): \(p(\mathbf{z})=\mathcal{N}(\mathbf{0},I)\); \(p(\mathbf{x}\mid\mathbf{z})=\mathcal{N}(\mathbf{Wz}+\boldsymbol\mu, \sigma^2I)\) — equivalente a \(\mathbf{x}=\mathbf{Wz}+\boldsymbol\mu+ \boldsymbol\epsilon\).
\[ p(\mathbf{x})=\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid\boldsymbol\mu,\mathbf{C}),\qquad \mathbf{C}=\mathbf{WW}^T+\sigma^2I \] (\(\mathbf{z}\), \(\boldsymbol\epsilon\) independentes, \(\mathbb{E}[\mathbf{zz}^T]=I\)).
Nota
Sem variável latente: \(D(D+1)/2\) parâmetros livres em \(\mathbf{C}\). Com PPCA: \(\mathbf{C}\) restrita à forma \(\mathbf{WW}^T+\sigma^2I\) — muito menos parâmetros quando \(M\ll D\).
Nota
Teorema (Tipping & Bishop, 1999; PRML eq. 12.45–12.46): \[ \mathbf{W}_{\mathrm{ML}}=\mathbf{U}_M(\mathbf{L}_M-\sigma^2I)^{1/2}\mathbf{R},\qquad \sigma^2_{\mathrm{ML}}=\frac{1}{D-M}\sum_{i=M+1}^D\lambda_i \] Máximo atingido com os \(M\) maiores autovalores.
\(\mathbf{R}\) (ortogonal, \(M\times M\)) é invariância rotacional: \(\mathbf{WRR}^T\mathbf{W}^T=\mathbf{WW}^T\) — mesma densidade preditiva, qualquer \(\mathbf{R}\). Análogo contínuo do label switching do GMM.
\(\sigma^2_{\mathrm{ML}}=0{,}39382\) = média dos \(28\) autovalores descartados, confirmado. \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{Cu}_1=\lambda_1\); \(\mathbf{v}^T\mathbf{Cv}=\sigma^2_{\mathrm{ML}}\) p/ direção descartada — eq. 12.36 verificada.
Importante
\(\sigma^2\to0\): posterior média \(\to(\mathbf{W}^T\mathbf{W})^{-1}\mathbf{W}^T(\mathbf{x}-\bar{\mathbf{x}})\) — projeção ortogonal, PCA clássica exatamente recuperada.
PCA clássica = PPCA sem ruído; PPCA com \(\sigma^2>0\) modela honestamente a variância real fora do subespaço, não é “pior” versão.
Se a distribuição condicional da PPCA usasse covariância geral em vez de isotrópica, o limite σ²→0 ainda recuperaria a PCA do mesmo jeito?
Pense no papel específico que \(\sigma^2\) (um único escalar) desempenha na demonstração do limite — o argumento depende de haver só um parâmetro de ruído a levar a zero?
Resposta — o papel específico de \(\sigma^2\) isotrópico
Voltando à pergunta: não do mesmo jeito — o argumento depende crucialmente de \(\sigma^2\) ser um único escalar isotrópico; sem essa estrutura específica, o limite “sem ruído” não tem o mesmo significado.
Nota
Definição (DLFC §19.1.1): rede \(D\)-\(M\)-\(D\), alvo \(\mathbf{y}(\mathbf{x}_n,\mathbf{w})\approx\mathbf{x}_n\), \[ E(\mathbf{w})=\tfrac12\sum_n\|\mathbf{y}(\mathbf{x}_n,\mathbf{w})-\mathbf{x}_n\|^2. \]
Nota
Teorema (Bourlard & Kamp 1988; Baldi & Hornik 1989): com ativação linear, \(E(\mathbf{w})\) tem mínimo global único (a menos de rotação), realizando a projeção sobre o subespaço de PCA de dimensão \(M\). Pesos não precisam ser ortogonais/normalizados.
Ativação linear, sem viés: codificador+decodificador = transformação linear \(\mathbf{x}\mapsto\mathbf{Ax}\), \(\mathrm{posto}(\mathbf{A})\le M\) — e toda matriz de posto \(\le M\) é alcançável (fatorar \(\mathbf{A}=\mathbf{A}_2\mathbf{A}_1\)).
Importante
Minimizar \(E(\mathbf{w})\) sobre matrizes de posto \(\le M\) é o mesmo problema \(J\) do Bloco 4 — mínimo já conhecido: projeção ortogonal sobre o subespaço principal.
Projeção sobre um subespaço admite infinitas bases (ortonormais ou não) — daí os pesos do autoencoder não precisarem ser ortogonais/normalizados.
Erro de reconstrução: PCA ótima \(=0{,}367568\); autoencoder linear treinado por gradiente \(=0{,}367575\) — coincidência a \(5\) algarismos significativos.
Subespaço aprendido (cossenos dos ângulos principais): \(\approx0{,}98\)/\(\approx0{,}93\) — próximo de \(1\), não exato. Não contradiz o Teorema: pesos não precisam ser base ortonormal alinhada; desvio vem da convergência finita do otimizador, não de falha teórica.
Nota
Ressalva do DLFC: trocar só a ativação por não linear, na mesma arquitetura rasa, ainda dá o mesmo subespaço de PCA — só arquiteturas mais profundas escapam da limitação linear (Aula 7).
Se as unidades ocultas usassem ativação não linear, o mínimo global mudaria de subespaço?
Releia a ressalva do DLFC citada no bloco — ela distingue arquitetura rasa de arquitetura profunda.
Resposta — não linearidade rasa não basta
Voltando à pergunta: não muda — na arquitetura rasa, só a dimensão do gargalo importa, não a não linearidade da ativação; é precisamente por isso que a Aula 7 precisa de mais do que só trocar a ativação.
Geométrico (máxima variância) \(\leftrightarrow\) algébrico (mínimo erro, via Pitágoras) \(\leftrightarrow\) probabilístico (PPCA, MLE, \(\sigma^2\to0\)) \(\leftrightarrow\) neural (autoencoder linear, mesmo mínimo por redução).
Nota
Não são quatro técnicas que “coincidem por acaso” — são quatro formalizações da mesma pergunta, cada uma revelando algo a mais (algoritmo direto; história geradora + incerteza; ponte para redes neurais).
Toda a aula assumiu estrutura linear (subespaço plano). Numa variedade curva, as quatro ferramentas concordam entre si, mas nenhuma captura a estrutura real — limitação da classe de soluções, não de uma técnica isolada.
1. Maximizar variância projetada = minimizar erro de reconstrução (Pitágoras) \(\to\) decomposição espectral de \(\mathbf{S}\).
2. PPCA: modelo gerador linear-Gaussiano; MLE recupera PCA clássica em \(\sigma^2\to0\).
3. Autoencoder linear = mesmo problema, provado por redução — mesmo subespaço, mínimo global.
4. Limitação comum: só estrutura linear.
Ponte para a Aula 7
Deep Autoencoder (camadas não lineares) + Variational Autoencoder (VAE): mesma variável latente \(\mathbf{z}\), relação não linear com \(\mathbf{x}\); posterior deixa de ter forma fechada \(\Rightarrow\) volta o ELBO da Aula 5, com \(q\) aproximado por rede neural (reparameterization trick).
UNICAMP — Instituto de Computação