Soluções — Aula 6: PCA, PPCA e o Autoencoder Linear

Aprendizado Não Supervisionado

Autor

Marcos M. Raimundo — Instituto de Computação, UNICAMP

Data de Publicação

18 de setembro de 2026

Aula Exercícios

Dica

Gabarito das questões de Verdadeiro/Falso de exercicios.qmd. O glifo (/) antes do texto de cada afirmação já indica o veredito; o campo Resposta repete por extenso. As questões discursivas não têm gabarito único registrado aqui — são abertas, pensadas para discussão em aula/monitoria.

NotaTeste 1 — Formulação de máxima variância
  • □ Se, em vez de normalizar \(\mathbf{u}_1\) à norma unitária, permitíssemos \(\|\mathbf{u}_1\|\to\infty\) livremente, o problema de maximizar \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1\) deixaria de ter uma solução finita.
  • □ No caso-limite em que a matriz de covariância \(\mathbf{S}\) tem um autovalor com multiplicidade maior que \(1\) (dois autovalores iguais, ambos os maiores), a direção do primeiro componente principal deixa de ser única.
  • □ Como \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1=\lambda_1\) no ótimo, e \(\lambda_1\) é sempre não negativo (pois \(\mathbf{S}\) é semidefinida positiva), isso significa que a variância projetada em qualquer direção unitária é sempre igual a \(\lambda_1\).
  • □ Ao aplicar PCA a um conjunto de embeddings de palavras (vetores densos de um modelo de linguagem), a direção de maior variância capturada pelo primeiro componente principal identifica a direção que mais separa os pontos entre si nesse espaço, sem usar nenhuma informação sobre o significado das palavras.
Dica(Resposta) Teste 1 — Formulação de máxima variância
  • ✔ Verdadeiro — Sem a restrição \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{u}_1=1\), escalar \(\mathbf{u}_1\) por qualquer \(c>0\) multiplica a variância projetada \(\mathbf{u}_1^T\mathbf{S}\mathbf{u}_1\) por \(c^2\) — para \(c\to\infty\) a quantidade cresce sem limite (desde que \(\mathbf{S}\) não seja identicamente nula). É exatamente por isso que a maximização de variância precisa de um multiplicador de Lagrange associado à restrição de norma: sem essa restrição, não existe máximo finito a ser encontrado.
  • ✔ Verdadeiro — Se \(\lambda_1=\lambda_2\) são os dois maiores autovalores, qualquer combinação linear unitária dos autovetores associados a esse autovalor duplo produz a mesma variância projetada máxima \(\lambda_1\) — o subespaço próprio associado tem dimensão \(2\), e qualquer direção dentro dele (não só os dois autovetores originais escolhidos por uma decomposição numérica específica) é igualmente um “primeiro componente principal” válido. A unicidade da direção depende de o maior autovalor ser estritamente maior que os demais.
  • ✗ Falso — \(\lambda_1\) é o valor da variância projetada só na direção ótima \(\mathbf{u}_1\) (o autovetor de maior autovalor) — para qualquer outra direção unitária \(\mathbf{v}\), \(\mathbf{v}^T\mathbf{Sv}\) é, em geral, um valor menor, variando entre \(\lambda_D\) (mínimo) e \(\lambda_1\) (máximo) conforme a direção escolhida. Confundir “o valor máximo atingido no ótimo” com “o valor em qualquer direção” é exatamente o erro estrutural deste item.
  • ✔ Verdadeiro — O resultado de que o primeiro componente principal maximiza a variância projetada não depende da natureza dos dados de entrada — só de \(\mathbf{S}\) ser a matriz de covariância amostral de algum conjunto de vetores em \(\mathbb{R}^D\). Aplicado a embeddings de palavras, o primeiro componente principal é, por definição, a direção que maximiza a variância projetada dos vetores, isto é, a direção ao longo da qual os embeddings mais se distinguem uns dos outros — um critério puramente geométrico, cego a qualquer noção semântica de “significado”.
NotaTeste 2 — Formulação de erro mínimo e sua equivalência com a máxima variância
  • □ Se a medida de distorção \(J\) usasse a distância \(L_1\) (soma dos valores absolutos das diferenças) em vez da distância euclidiana ao quadrado, a solução ótima ainda seria dada pelos autovetores de \(\mathbf{S}\).
  • □ No caso-limite \(M=0\) (nenhuma dimensão retida, todo ponto aproximado só pela média \(\bar{\mathbf{x}}\)), a distorção \(J\) é igual à soma de todos os autovalores de \(\mathbf{S}\), incluindo o maior.
  • □ Como as duas formulações (máxima variância e mínimo erro) chegam à mesma equação \(\mathbf{Su}_i=\lambda_i\mathbf{u}_i\), elas são, na verdade, a mesma derivação matemática reescrita com palavras diferentes, não duas provas logicamente independentes.
  • □ O mesmo objetivo de minimizar o erro quadrático de reconstrução, usado para justificar a formulação de erro mínimo da PCA, é também o objetivo direto de treinamento de um autoencoder.
Dica(Resposta) Teste 2 — Formulação de erro mínimo e sua equivalência com a máxima variância
  • ✗ Falso — A derivação da equivalência entre erro mínimo e autovetores depende, em cada passo, da distorção ser uma soma de quadrados: é essa estrutura que permite resolver a projeção ótima por derivada linear igualada a zero, e reescrever \(J\) como uma forma quadrática ligada diretamente à matriz de covariância. Trocando por \(L_1\) (não diferenciável do mesmo jeito, e sem a identidade de Pitágoras que liga variância retida e erro), a equação de estacionariedade deixa de ser \(\mathbf{Su}_i=\lambda_i\mathbf{u}_i\) — a solução ótima de uma distorção \(L_1\) é, em geral, uma mediana geométrica multivariada, não a decomposição espectral de \(\mathbf{S}\).
  • ✔ Verdadeiro — A fórmula da distorção mínima, \(J^\star=\sum_{i=M+1}^D\lambda_i\), com \(M=0\) se reduz a \(\sum_{i=1}^D\lambda_i=\mathrm{tr}(\mathbf{S})\) — a soma de todos os \(D\) autovalores, incluindo \(\lambda_1\). Faz sentido geometricamente: sem nenhuma direção retida, cada ponto é aproximado só pela média, e toda a variância dos dados (a soma de todos os autovalores) se torna erro de reconstrução.
  • ✗ Falso — As duas provas partem de objetivos e restrições formalmente distintos — uma maximiza \(\mathbf{u}^T\mathbf{Su}\) sob \(\|\mathbf{u}\|=1\); a outra minimiza o erro de reconstrução \(J=\frac1N\sum_n\|\mathbf{x}_n-\tilde{\mathbf{x}}_n\|^2\) sob ortonormalidade de uma base completa — e chegam à mesma equação de autovalores por caminhos de Lagrange independentes. A coincidência é explicada, não eliminada, pelo argumento de Pitágoras: como a variância total \(\mathrm{tr}(\mathbf{S})\) é fixa, maximizar a variância retida e minimizar o erro são o mesmo problema — mas essa é uma coincidência provada entre dois problemas diferentes, não uma tautologia entre a mesma derivação escrita duas vezes.
  • ✔ Verdadeiro — Um autoencoder é treinado minimizando \(E(\mathbf{w})=\frac12\sum_n\|\mathbf{y}(\mathbf{x}_n,\mathbf{w})-\mathbf{x}_n\|^2\) — a menos do fator \(\frac12\) e da normalização por \(N\), o mesmo erro quadrático de reconstrução \(J\) da formulação de erro mínimo da PCA. É essa coincidência de objetivos (não só de resultado) que permite provar que o mínimo global do autoencoder linear compartilha o mesmo subespaço da PCA, por redução direta ao problema já resolvido.
NotaTeste 3 — PPCA como modelo gerador
  • □ Se a distribuição condicional \(p(\mathbf{x}\mid\mathbf{z})\) da PPCA não incluísse nenhum termo de ruído (isto é, \(\mathbf{x}=\mathbf{Wz}+\boldsymbol\mu\) deterministicamente), a distribuição marginal \(p(\mathbf{x})\) deixaria de ser uma Gaussiana de covariância completa \(D\times D\), tornando-se uma distribuição degenerada, concentrada num subespaço de dimensão \(M\).
  • □ No caso-limite \(M=D\) (a variável latente tem a mesma dimensão dos dados observados), a PPCA ainda impõe uma restrição não trivial sobre a forma da covariância marginal \(\mathbf{C}\), mesmo permitindo \(\mathbf{W}\) arbitrária.
  • □ Como \(\mathbf{z}\) na PPCA tem prior Gaussiano \(\mathcal{N}(\mathbf{0},\mathbf{I})\), isso significa que a posição de cada paciente no espaço latente \(\mathbf{z}\) é sorteada aleatoriamente e não guarda nenhuma relação com seus atributos observados \(\mathbf{x}\).
  • □ A mesma estrutura — variável latente com prior simples, dados observados gerados por uma transformação da variável latente mais ruído — é a base conceitual comum tanto da PPCA quanto de um Modelo de Mistura Gaussiana (GMM, em que uma variável latente categórica escolhe qual de \(K\) populações gerou cada ponto), diferindo principalmente no tipo da variável latente (contínua vs. categórica) e na forma da transformação (linear vs. seleção entre componentes).
Dica(Resposta) Teste 3 — PPCA como modelo gerador
  • ✔ Verdadeiro — Sem o termo \(\boldsymbol\epsilon\sim\mathcal{N}(\mathbf{0},\sigma^2\mathbf{I})\), \(\mathbf{x}\) é uma transformação linear determinística de \(\mathbf{z}\in\mathbb{R}^M\); como \(\mathbf{z}\) varia livremente em \(\mathbb{R}^M\) (dimensão \(M<D\)), a imagem dessa transformação é, no máximo, um subespaço afim de dimensão \(M\) dentro de \(\mathbb{R}^D\) — toda a massa de probabilidade de \(\mathbf{x}\) fica concentrada nesse subespaço, sem densidade espalhada nas \(D-M\) direções restantes. Isso é precisamente o caso-limite \(\sigma^2\to0\) levado ao extremo \(\sigma^2=0\): a covariância marginal \(\mathbf{C}=\mathbf{WW}^T+\sigma^2\mathbf{I}\to\mathbf{WW}^T\), uma matriz de posto no máximo \(M<D\), portanto singular — não mais uma Gaussiana de covariância completa e invertível.
  • ✗ Falso — Quando \(M=D\), \(\mathbf{W}\) é uma matriz \(D\times D\) arbitrária, e \(\mathbf{WW}^T\) pode ser qualquer matriz semidefinida positiva de posto até \(D\) (basta \(\mathbf{W}\) ser uma raiz quadrada matricial da covariância desejada). Dado qualquer \(\mathbf{C}\) definida positiva e um \(\sigma^2>0\) menor que o menor autovalor de \(\mathbf{C}\), \(\mathbf{C}-\sigma^2\mathbf{I}\) ainda é definida positiva e admite uma raiz quadrada \(\mathbf{W}\) tal que \(\mathbf{WW}^T=\mathbf{C}-\sigma^2\mathbf{I}\) — ou seja, com \(M=D\), a forma \(\mathbf{WW}^T+\sigma^2\mathbf{I}\) deixa de ser uma restrição real: qualquer covariância definida positiva pode ser aproximada arbitrariamente bem (e recuperada exatamente no limite \(\sigma^2\to0\)). É exatamente o oposto do que motiva a PPCA no regime \(M\ll D\), onde a restrição de posto baixo é o que reduz drasticamente o número de parâmetros livres frente aos \(D(D+1)/2\) de uma covariância geral.
  • ✗ Falso — \(p(\mathbf{z})=\mathcal{N}(\mathbf{0},\mathbf{I})\) é a distribuição a priori (marginal, antes de observar \(\mathbf{x}\)) — não a distribuição relevante depois que um paciente específico é observado. A posterior \(p(\mathbf{z}\mid\mathbf{x})\) tem média \(\mathbb{E}[\mathbf{z}\mid\mathbf{x}]=\mathbf{M}^{-1}\mathbf{W}_{\mathrm{ML}}^T(\mathbf{x}-\bar{\mathbf{x}})\) — uma função determinística (linear) de \(\mathbf{x}\), fortemente informada pelos atributos observados daquele paciente específico. Confundir a distribuição a priori (não condicionada) com a posterior (condicionada aos dados observados) é exatamente o mesmo tipo de erro que já apareceria ao dizer que, num Modelo de Mistura Gaussiana, “a origem \(z_n\) de um ponto é só um sorteio do peso de mistura \(\pi_k\)”, ignorando a responsabilidade \(\gamma(z_{nk})\) calculada via Bayes a partir do próprio ponto.
  • ✔ Verdadeiro — É exatamente a mesma arquitetura conceitual sob duas escolhas diferentes de variável latente: num GMM, \(z_n\) é 1-de-\(K\) (categórica) e \(\mathbf{x}\mid z_{nk}=1\sim\mathcal{N}(\boldsymbol\mu_k,\boldsymbol\Sigma_k)\) — uma Gaussiana diferente por categoria, selecionada pela variável latente; na PPCA, \(\mathbf{z}\) é contínua e \(\mathbf{x}\mid\mathbf{z}\sim\mathcal{N}(\mathbf{Wz}+\boldsymbol\mu,\sigma^2\mathbf{I})\) — uma transformação linear de \(\mathbf{z}\) mais ruído. A arquitetura conceitual (“gerar o observado a partir de uma variável não observada”) é idêntica; o que muda é a natureza da variável latente e o mecanismo de geração condicional.
NotaTeste 4 — MLE da PPCA e o caso-limite clássico
  • □ Se, na solução de máxima verossimilhança \(\mathbf{W}_{\mathrm{ML}}=\mathbf{U}_M(\mathbf{L}_M-\sigma^2\mathbf{I})^{1/2} \mathbf{R}\) (onde \(\mathbf{U}_M\) são os \(M\) autovetores principais de \(\mathbf{S}\), \(\mathbf{L}_M\) a matriz diagonal dos \(M\) maiores autovalores, e \(\mathbf{R}\) uma matriz ortogonal \(M\times M\) arbitrária), a matriz \(\mathbf{R}\) fosse fixada em \(\mathbf{R}=I\) em vez de arbitrária, a densidade preditiva \(p(\mathbf{x})\) do modelo mudaria.
  • □ No caso-limite em que todos os \(D\) autovalores de \(\mathbf{S}\) são iguais entre si (dados isotrópicos, sem direção preferencial), \(\sigma^2_{\mathrm{ML}}\) (para qualquer \(M<D\)) é igual a esse autovalor comum.
  • □ Como o caso-limite \(\sigma^2\to0\) recupera a projeção ortogonal da PCA clássica, isso significa que a PPCA com \(\sigma^2>0\) estimado por máxima verossimilhança é uma versão “pior” ou “menos precisa” da PCA clássica.
  • □ O mesmo fenômeno de invariância rotacional do parâmetro \(\mathbf{W}\) (múltiplas soluções ligadas por uma rotação \(\mathbf{R}\), produzindo a mesma verossimilhança) também aparece na não-identificabilidade de rótulo de componente (label switching) de um Modelo de Mistura Gaussiana (GMM), em que trocar os índices dos componentes não muda a verossimilhança.
Dica(Resposta) Teste 4 — MLE da PPCA e o caso-limite clássico
  • ✗ Falso — \(\mathbf{R}\) é uma invariância rotacional da solução: para qualquer matriz ortogonal \(\mathbf{R}\) (\(\mathbf{RR}^T=\mathbf{I}\)), \(\widetilde{\mathbf{W}}\widetilde{\mathbf{W}}^T=\mathbf{WRR}^T\mathbf{W}^T=\mathbf{WW}^T\) — a covariância marginal \(\mathbf{C}=\mathbf{WW}^T+\sigma^2\mathbf{I}\) (e, portanto, \(p(\mathbf{x})=\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid\boldsymbol\mu,\mathbf{C})\)) é idêntica para toda a família de soluções ligadas por rotação. Fixar \(\mathbf{R}=I\) é só escolher um representante particular dentro dessa família de soluções equivalentes — não muda \(\mathbf{C}\) nem \(p(\mathbf{x})\).
  • ✔ Verdadeiro — Se \(\lambda_1=\lambda_2=\dots=\lambda_D=\lambda\), então \(\sigma^2_{\mathrm{ML}}=\frac{1}{D-M}\sum_{i=M+1}^D\lambda_i=\frac{1}{D-M}\cdot(D-M)\cdot\lambda=\lambda\) — a média de \(D-M\) cópias idênticas do mesmo valor é esse valor, para qualquer \(M<D\) escolhido.
  • ✗ Falso — É exatamente o oposto: \(\sigma^2_{\mathrm{ML}}>0\) é a média dos autovalores descartados — uma quantidade real e informativa sobre a variância que de fato existe fora do subespaço retido, não um artefato de imprecisão. A PCA clássica projeta deterministicamente, ignorando essa variância residual; a PPCA a modela explicitamente. “Recuperar a PCA no limite sem ruído” mostra que a PCA é um caso particular (mais simples, sem incerteza residual) da PPCA, não que a PPCA com \(\sigma^2>0\) seja uma aproximação inferior dela.
  • ✔ Verdadeiro — Ambos são fenômenos de não identificabilidade por simetria do modelo: num GMM, permutar os \(K\) rótulos de componente (trocar qual componente é chamado “1” e qual é chamado “2”) produz exatamente a mesma verossimilhança, porque a mistura é invariante à ordem dos seus componentes; na PPCA, rotacionar \(\mathbf{W}\) por qualquer \(\mathbf{R}\) ortogonal produz a mesma \(\mathbf{C}\) e a mesma \(p(\mathbf{x})\). A diferença é só a natureza da simetria (uma permutação discreta finita no GMM; uma família contínua de rotações na PPCA) — a estrutura de fundo, múltiplos parâmetros ótimos equivalentes, é a mesma.
NotaTeste 5 — O autoencoder linear
  • □ Se a arquitetura do autoencoder linear tivesse \(D\) unidades na camada oculta (isto é, \(M=D\), sem gargalo real), a rede poderia aprender a função identidade exatamente, com erro de reconstrução zero.
  • □ No caso-limite em que a rede tem \(M=1\) unidade oculta, o autoencoder linear ótimo projeta os dados exatamente sobre a mesma reta que o primeiro componente principal isolado, sem precisar dos demais componentes.
  • □ Como o autoencoder linear e a PCA resolvem exatamente o mesmo problema de otimização, os vetores de peso aprendidos pelo autoencoder devem necessariamente ser ortonormais entre si, assim como os autovetores da PCA.
  • □ A mesma prova por redução (mostrar que duas famílias de funções alcançáveis coincidem, e portanto os mínimos dos respectivos problemas de otimização coincidem) é uma técnica de argumentação que também aparece ao comparar a solução de uma regressão Ridge com \(\lambda\to0\) contra a solução de mínimos quadrados ordinários.
Dica(Resposta) Teste 5 — O autoencoder linear
  • ✔ Verdadeiro — Com \(M=D\), a matriz \(\mathbf{A}\) da composição codificador-decodificador pode ter posto até \(D\) — em particular, \(\mathbf{A}=\mathbf{I}\) (a identidade) é alcançável por alguma escolha de pesos (basta fatorar \(\mathbf{I}=\mathbf{A}_2\mathbf{A}_1\) com \(\mathbf{A}_1,\mathbf{A}_2\) de tamanho \(D\times D\) apropriado). Com \(\mathbf{A}=\mathbf{I}\), \(E(\mathbf{w})=\frac12\sum_n\|\mathbf{x}_n-\mathbf{x}_n\|^2=0\) — o mesmo argumento do caso-limite \(M=D\) da PCA clássica, em que qualquer base completa reconstrói cada ponto exatamente.
  • ✔ Verdadeiro — O resultado de que o mínimo global do autoencoder linear compartilha o subespaço da PCA vale para qualquer \(M<D\), incluindo \(M=1\): por redução ao resultado de erro mínimo (que também vale para qualquer \(M\), inclusive \(M=1\)), o subespaço ótimo de dimensão \(1\) é gerado exatamente pelo autovetor \(\mathbf{u}_1\) de maior autovalor — o mesmo primeiro componente principal, sem nenhuma dependência dos demais componentes descartados.
  • ✗ Falso — O resultado garante que o mínimo global do autoencoder linear corresponde ao mesmo subespaço ótimo de dimensão \(M\) (mesmo erro mínimo) — não que os pesos aprendidos formem a mesma base ortonormal dos autovetores de \(\mathbf{S}\). A projeção ortogonal sobre um subespaço de dimensão \(M\) é realizável por infinitas bases desse subespaço, ortonormais ou não; os vetores de peso do autoencoder “não precisam ser ortogonais nem normalizados”. A verificação numérica confirma: o erro de reconstrução do autoencoder coincide com o ótimo da PCA a \(5\) algarismos significativos, mas os cossenos dos ângulos principais entre os dois subespaços são \(\approx0{,}98\)/\(0{,}93\) — próximos de \(1\) (mesmo subespaço), não exatamente \(1\) (mesma base).
  • ✔ Verdadeiro — A prova de que o mínimo do autoencoder coincide com o da PCA não compara os algoritmos de treino diretamente — mostra que o conjunto de funções alcançáveis por um (matrizes de posto \(\le M\)) coincide com o conjunto sobre o qual o outro já é o mínimo conhecido, concluindo que os mínimos coincidem. A mesma técnica de argumento (mostrar equivalência ou convergência entre duas famílias de soluções para concluir que dois problemas de otimização, formalmente diferentes, têm o mesmo minimizador) aparece ao mostrar que a solução de Ridge \((\mathbf{X}^T\mathbf{X}+\lambda\mathbf{I})^{-1}\mathbf{X}^T\mathbf{y}\) converge à solução de mínimos quadrados ordinários \((\mathbf{X}^T\mathbf{X})^{-1}\mathbf{X}^T\mathbf{y}\) quando \(\lambda\to0\) — dois problemas de otimização diferentes, unificados no limite.
NotaTeste 6 — Limitação estrutural comum e o papel do ELBO em modelos não lineares
  • □ Se os dados verdadeiros estivessem organizados ao longo de uma curva não linear (por exemplo, um arco, não uma reta ou plano), tanto a PCA clássica quanto a PPCA quanto o autoencoder linear encontrariam o mesmo subespaço linear ótimo de dimensão \(M\) — mas nenhum dos três representaria bem a estrutura curva real dos dados.
  • □ No caso-limite em que os dados observados já vivem exatamente num subespaço linear de dimensão \(M\) (sem nenhum ruído fora dele), a PCA clássica, a PPCA (com \(\sigma^2\to0\)) e o autoencoder linear recuperam exatamente esse subespaço, e o erro de reconstrução dos três é exatamente zero.
  • □ Como o autoencoder, ao usar uma arquitetura de rede neural, é estritamente mais poderoso que a PCA clássica, ele encontra sempre um subespaço de reconstrução pelo menos tão bom quanto o de qualquer método algébrico, mesmo restrito a ativação linear.
  • □ Trocar a arquitetura linear do autoencoder por camadas adicionais de unidades não lineares (permitindo capturar estruturas curvas) faz a relação entre a variável latente \(\mathbf{z}\) e os dados observados \(\mathbf{x}\) deixar de ser linear — e, nesse regime, a distribuição posterior \(p(\mathbf{z}\mid\mathbf{x})\) tipicamente deixa de ter forma fechada (ao contrário da PPCA, onde essa posterior é Gaussiana exatamente calculável), o que reconecta o problema ao ELBO (Evidence Lower Bound, \(\mathcal{L}(q)=\ln p(\mathbf{x})- \mathrm{KL}(q\|p)\), uma cota inferior da log-verossimilhança marginal usada para ajustar modelos de variável latente quando a posterior exata não está disponível).
Dica(Resposta) Teste 6 — Limitação estrutural comum e o papel do ELBO em modelos não lineares
  • ✔ Verdadeiro — As três ferramentas resolvem, comprovadamente, o mesmo problema linear (maximizar variância projetada / minimizar erro de reconstrução sob restrição de subespaço linear), então concordam entre si mesmo diante de dados curvos — mas a limitação não é de uma técnica isolada, é da classe inteira de soluções lineares: nenhuma delas consegue representar uma variedade curva com um subespaço plano.
  • ✔ Verdadeiro — Se os dados vivem exatamente num subespaço de dimensão \(M\), os \(D-M\) autovalores associados às direções ortogonais a esse subespaço são todos zero (nenhuma variância fora dele) — logo \(J^\star=\sum_{i=M+1}^D\lambda_i=0\) (PCA clássica); \(\sigma^2_{\mathrm{ML}}=\frac{1}{D-M}\sum_{i=M+1}^D\lambda_i=0\) (PPCA, o caso-limite \(\sigma^2\to0\) atingido exatamente, não só no limite); e o autoencoder linear atinge o mesmo mínimo \(J^\star=0\). Os três coincidem porque resolvem o mesmo problema de otimização, e esse problema já tem solução exata (erro zero) nesse caso particular.
  • ✗ Falso — Para a arquitetura rasa com ativação linear vale exatamente o oposto: o autoencoder não é “mais poderoso” que a PCA nesse regime — ele resolve, comprovadamente, o mesmo problema de otimização, com o mesmo mínimo global (mesmo subespaço, mesmo erro mínimo \(J^\star\)), nunca um resultado melhor. “Estritamente mais poderoso” só passa a valer com arquiteturas não lineares e mais profundas — não com o autoencoder linear raso desta aula, cujo teto de desempenho é, comprovadamente, o mesmo da PCA.
  • ✔ Verdadeiro — Camadas adicionais de unidades não lineares escapam da limitação linear identificada nesta aula; nesse regime, a mesma variável latente contínua \(\mathbf{z}\) passa a se relacionar com \(\mathbf{x}\) por uma rede neural não linear em vez de uma transformação linear \(\mathbf{W}\) — o que faz a posterior \(p(\mathbf{z}\mid\mathbf{x})\) deixar de ter forma fechada (ao contrário da PPCA, cuja posterior Gaussiana é exatamente calculável), exigindo de volta o ELBO como critério de ajuste, com \(q\) aproximado por uma família tratável em vez de calculado exatamente por Bayes.