| Ali | Beatrix | Chandra | |
|---|---|---|---|
| Guerra nas Estrelas | 5.0 | 4.0 | 1.0 |
| Blade Runner | 5.0 | 5.0 | 0.0 |
| Amélie Poulain | 0.0 | 0.0 | 5.0 |
| Delicatessen | 1.0 | 0.0 | 4.0 |
Álgebra Linear e Otimização para Aprendizado de Máquina
2026-09-12
Aula 4 respondeu tudo sobre autovalor/autovetor para \(A\) quadrada simétrica — três resultados que hoje reciclamos sem alterar nada.
1. \(A^TA\) sempre simétrica e PSD, qualquer \(A\) (mesmo retangular — é justamente aí que importa mais, já que \(A\) sozinha não tem autovalores). Simetria: \((A^TA)^T=A^T(A^T)^T=A^TA\). PSD: para qualquer \(\mathbf{x}\), \(\mathbf{x}^T(A^TA)\mathbf{x}=\|A\mathbf{x}\|^2\ge 0\) — é um comprimento ao quadrado, nunca negativo.
2. Teorema Espectral Real: toda simétrica \(A\in\mathbb{R}^{n\times n}\) (qualquer sinal de autovalor) tem \(n\) autovalores reais + base ortonormal completa de autovetores \(\Rightarrow A=Q\Lambda Q^T\), \(Q\) ortogonal, \(\Lambda\) diagonal.
Importante
A simetria é a hipótese que garante termos ortonormais. Caso geral (não simétrica): ainda pode ser diagonalizável, \(A=P\Lambda P^{-1}\), mas \(P\) não é ortogonal em geral, e \(\Lambda\) pode ter autovalores complexos. Como \(A^TA\) é sempre simétrica, a versão forte (ortogonal) se aplica sem exceção — garante que a decomposição do item 1 sempre existe.
3. Sinal \(\Rightarrow\) definitude: \(A\succ 0\iff\lambda_{\min}>0\); \(A\succeq 0\iff\lambda_{\min}\ge 0\). Razão \(\lambda_{\max}/\lambda_{\min}\Rightarrow\) número de condição exato (não estimativa) — fecha o que a Aula 3 só media empiricamente (perturbar dados, olhar o efeito no peso).
\(\text{cond}(X^TX)\approx 23\,460{,}5\) (4 atributos completos), \(\approx 419{,}8\) (quase-colinear), \(\approx 169{,}1\) (bem-condicionado).
Tudo construído em cima de \(X^TX\) (\(4\times 4\), simétrica) — nunca diretamente sobre \(X\) (\(16\,640\times 4\), retangular).
1. O que é a SVD e por que existe para qualquer matriz retangular?
2. Como construí-la a partir do Teorema Espectral (Aula 4)?
3. Como aproximar uma matriz por outra de posto menor, de forma ótima (Eckart-Young-Mirsky)?
4. O que é a Decomposição Polar, e como nasce da SVD?
| Ali | Beatrix | Chandra | |
|---|---|---|---|
| Guerra nas Estrelas | 5.0 | 4.0 | 1.0 |
| Blade Runner | 5.0 | 5.0 | 0.0 |
| Amélie Poulain | 0.0 | 0.0 | 5.0 |
| Delicatessen | 1.0 | 0.0 | 4.0 |
Três espectadores (Ali, Beatrix, Chandra), quatro filmes — notas \(0\)–\(5\) numa matriz \(A\in\mathbb{R}^{4\times 3}\) (tradução livre, MathML §4.5.1):
Suspeita: Ali/Beatrix compartilham um perfil (ficção científica), Chandra outro (cinema de arte). Existe uma forma de extrair esses “perfis”/“temas” direto da matriz de notas, sem rótulo de gênero algum?
De volta a \(X^TX\): o que muda (e o que não muda) para \(X\)
Dica: o que está definido para \(m\times n\), \(m\ne n\), e o que só existe porque a matriz é quadrada simétrica?
De volta a \(X^TX\) — Resposta
Voltando à pergunta: o Teorema Espectral só fala de \(X^TX\)/\(XX^T\) (sempre quadradas simétricas). Decompor \(X\) de verdade exige a SVD — os Blocos 2-3 constroem exatamente essa ponte.
Matriz não-simétrica, de propósito: \(A=\begin{bmatrix}1{,}4&0{,}6\\0{,}3&0{,}9\end{bmatrix}\), \(A\ne A^T\).
Autovalores reais e distintos (como qualquer \(2\times 2\) com esse perfil) \(\Rightarrow\) duas direções que só esticam, nunca giram — mas sem garantia de ortogonalidade (Teorema Espectral não se aplica, \(A\) não é simétrica).
Esquerda: vetores singulares \(\mathbf{v}_1,\mathbf{v}_2\) (generalização orto-normal de autovetores) vs. autovetores de \(A\) (tracejado, \(\approx 106{,}9°\) entre si — não-ortogonais). Mesma matriz, dois conceitos diferentes: coincidem só quando \(A\) é simétrica.
Direita: círculo unitário \(\to\) elipse sob \(A\). Eixos da elipse \(=\sigma_1\mathbf{u}_1,\sigma_2\mathbf{u}_2\) (\(\sigma_1\approx1{,}675\ge\sigma_2\approx0{,}645\), sempre não-negativos, sempre ortogonais).
Intuição central: \(A\) leva uma base ortonormal do domínio (\(\mathbf{v}_i\)) em outra base ortogonal do codomínio (\(\sigma_i \mathbf{u}_i\)) — nada “gira torto”; só a base muda.
Autovetor e vetor singular: a mesma seta, dois papéis diferentes?
Dica: o que muda quando \(A\) é simétrica? Volte ao Teorema Espectral (Aula 4) se precisar.
Autovetor vs. vetor singular — Resposta
Voltando à pergunta: são conceitos diferentes que só colapsam num caso especial (simetria). O Bloco 3 mostra exatamente essa costura, construindo a SVD a partir do Teorema Espectral.
Definição (Valor e Vetor Singular — prévia do Teorema 4.22)
\(\sigma\ge 0\) é valor singular de \(A\) se existem unitários \(\mathbf{v}\in\mathbb{R}^n\), \(\mathbf{u}\in\mathbb{R}^m\) com \(A\mathbf{v}=\sigma\mathbf{u}\). \(\mathbf{v}\) = vetor singular à direita, \(\mathbf{u}\) = à esquerda.
Compare com \(A\mathbf{x}=\lambda\mathbf{x}\) (Aula 4): lá é o mesmo vetor dos dois lados (\(A\) precisa ser quadrada); aqui \(\mathbf{v}\) e \(\mathbf{u}\) podem ser diferentes, em espaços diferentes — por isso existe pra qualquer \(A\).
Premissas Necessárias (já provadas na Aula 4)
Parte 1: a partir das premissas em \(A^TA\) temos os autovetores \(\mathbf{v}_i\) (vetores singulares à direita) + autovalores \(\lambda_i\Rightarrow\sigma_i=\sqrt{\lambda_i}\). Já dá \(V\) e \(\Sigma\) inteiros, sem olhar pro codomínio.
Parte 2: para achar o codomínio \(\mathbb{R}^m\) vamos analisar a ação de \(A\) sobre os vetores singulares à direita. Aplicamos \(A\) a cada \(\mathbf{v}_i\) e examinamos o resultado: \(A\mathbf{v}_i\in\mathbb{R}^m\) — candidato a vetor singular à esquerda.
Premissas 1+2 \(\Rightarrow\) \(A^TA=V\Lambda V^T\), \(V\) ortogonal, \(\Lambda=\text{diag}(\lambda_1,\dots,\lambda_n)\), \(\lambda_1\ge\dots\ge\lambda_n\ge 0\).
Ortonormalidade de \(\mathbf{v}_i\): não precisa provar de novo — já vem da Premissa 2 (Teorema Espectral, Aula 4). Só as duas partes, de forma simples:
Ortogonalidade: \(\lambda_i\ne\lambda_j\Rightarrow(\lambda_i-\lambda_j) \langle\mathbf{v}_i,\mathbf{v}_j\rangle=\langle A^TA\mathbf{v}_i, \mathbf{v}_j\rangle-\langle\mathbf{v}_i,A^TA\mathbf{v}_j\rangle=0 \Rightarrow\mathbf{v}_i\perp\mathbf{v}_j\) (repetidos: Gram-Schmidt dentro do autoespaço).
Norma unitária: autovetor é definido só a menos de escala — escolhemos sempre \(\mathbf{v}_i:=\mathbf{v}/\|\mathbf{v}\|\), norma \(1\). Normalização, não propriedade a provar.
Como \(\lambda_i\ge 0\) (semidefinitude positiva) \(\Rightarrow\) \(\sigma_i:=\sqrt{\lambda_i}\) sempre real.
Essencial: sem a Premissa 1 (PSD garantida), essa raiz poderia cair em números complexos.
\(\sigma_i\) = valor singular; \(\mathbf{v}_i\) (autovetor de \(A^TA\)) = vetor singular à direita.
Meta: achar \(\mathbf{u}_1,\dots,\mathbf{u}_r\in\mathbb{R}^m\) ortonormais com \[ A\mathbf{v}_i=\sigma_i\mathbf{u}_i, \qquad i=1,\dots,r . \] Se acharmos, a 2ª metade da SVD está pronta.
Numa abordagem simples, podemos definir \(\mathbf{u}_i:=\dfrac{1}{\sigma_i}A\mathbf{v}_i\). Falta verificar: isso é mesmo ortonormal?
Verificação (i) — ortogonalidade das imagens (Premissa 2 de novo): para \(i\ne j\), \[ \mathbf{u}_i^T \mathbf{u}_j = \frac{1}{\sigma_i \sigma_j} (A\mathbf{v}_i)^T(A\mathbf{v}_j)=\frac{1}{\sigma_i \sigma_j} \mathbf{v}_i^T(A^TA)\mathbf{v}_j= \frac{\lambda_j}{\sigma_i \sigma_j}\mathbf{v}_i^T\mathbf{v}_j \] como \(\mathbf{v}_i\) e \(\mathbf{v}_j\) são ortogonais, então \(\mathbf{v}_i^\top \mathbf{v}_j=0\).
Verificação (ii) — norma: \(\|\mathbf{u}_i\|^2 = \frac{1}{\sigma_i^2} \|A\mathbf{v}_i\|^2 = \frac{1}{\sigma_i^2} \mathbf{v}_i^T A^T A \mathbf{v}_i = \frac{1}{\sigma_i^2} \lambda_i = \frac{\sigma_i^2}{\sigma_i^2} = 1\). Com isso temos que \(\mathbf{u}_i\) é unitário.
Chegamos: normalizar \(A\mathbf{v}_i\) pelo próprio comprimento \(\sigma_i\) dá \(\mathbf{u}_1,\dots,\mathbf{u}_r\) ortonormais, já satisfazendo a meta — vetores singulares à esquerda.
\(\mathbf{u}_i=\dfrac{1}{\sigma_i}A\mathbf{v}_i\Rightarrow\) equação de valor singular \(A\mathbf{v}_i=\sigma_i\mathbf{u}_i\). Diferença da equação de autovalor: \(\mathbf{v}_i\) (domínio) e \(\mathbf{u}_i\) (codomínio) não precisam ser o mesmo vetor.
Empilhando: \(AV=U\Sigma\); \(V\) ortogonal \(\Rightarrow V^{-1}=V^T\) \(\Rightarrow A=U\Sigma V^T\).
Teorema (SVD — MathML Teo. 4.22, tradução nossa)
\(A\in\mathbb{R}^{m\times n}\) posto \(r\) \(\Rightarrow\) \(A=U\Sigma V^T\), \(U\in\mathbb{R}^{m\times m}\)/\(V\in\mathbb{R}^{n\times n}\) ortogonais, \(\Sigma_{ii}=\sigma_i\ge 0\) (\(\sigma_1\ge\dots\ge\sigma_r>0\)), \(\Sigma_{ij}=0\). Existe para qualquer \(A\), quadrada ou não, simétrica ou não.
Diferença-chave da Aula 4: \(A=Q\Lambda Q^{-1}\) usa a mesma base nos dois lados (domínio = codomínio, \(A\) quadrada); SVD usa duas bases (\(U,V\)) porque domínio (\(\mathbb{R}^n\)) e codomínio (\(\mathbb{R}^m\)) podem ser espaços diferentes.
A =
[[ 1. 0. 1.]
[-2. 1. 0.]]
posto(A) = 2
valores singulares sigma = [2.4495 1. ]
U (vetores singulares à esquerda, colunas) =
[[-0.4472 0.8944]
[ 0.8944 0.4472]]
V (vetores singulares à direita, colunas) =
[[-0.9129 -0. -0.4082]
[ 0.3651 0.4472 -0.8165]
[-0.1826 0.8944 0.4082]]
reconstrução U @ Sigma @ V^T =
[[ 1. -0. 1.]
[-2. 1. 0.]]
reconstrução bate com A? True
Reconstrução \(U\Sigma V^T\) recupera \(A\) exatamente (erro \(<10^{-10}\)). Terceira coluna de \(V\) (\(\sigma_3=0\)) = base do espaço-nulo de \(A\) — a SVD generaliza o núcleo da Aula 2 para o caso retangular.
Aviso: vetor singular único só a menos de sinal (como autovetor, Aula 4) — sinais do numpy podem diferir de uma referência impressa sem estar errados; o que importa é o produto \(U\Sigma V^T\).
Se \(A^TA\) tivesse autovalor negativo, a construção quebraria onde?
Dica: releia a Premissa 1 e aponte o passo exato.
Onde a construção quebraria — Resposta
Voltando à pergunta: a Premissa 1 (PSD de \(A^TA\)) é a peça que sustenta a raiz quadrada real logo no primeiro passo — sem ela, a SVD simplesmente não existiria para matrizes reais. É por isso que o Teorema 4.22 pode afirmar, sem ressalva, que a SVD existe para qualquer matriz real.
\(X\in\mathbb{R}^{16\,640\times 4}\) (California Housing, mesmas 4 colunas desde a Aula 1). \(m=16\,640\gg n=4\).
SVD completa desperdiçaria: \(16\,640-4\) colunas de \(U\) só completam a base do codomínio, todas com \(\sigma_i=0\). Usa-se a SVD reduzida (MathML p. 128): \(U\in\mathbb{R}^{16\,640\times4}\), \(\Sigma,V\in\mathbb{R}^{4\times4}\) — equivalente, sem as colunas nulas.
sigma(X) = [4186.9964 523.4408 229.4908 27.3359]
sigma(X)^2 = [1.75309388e+07 2.73990283e+05 5.26660328e+04 7.47253300e+02]
lambda(X^TX) = [1.75309388e+07 2.73990283e+05 5.26660328e+04 7.47253300e+02]
cond(X) = sigma_max/sigma_min = 153.1682
cond(X^TX) = lambda_max/lambda_min = 23460.5031
cond(X)^2 = 23460.5031
\(\sigma^2\) é exatamente os autovalores de \(X^TX\) da Aula 4. Boyd (Aula 4) define \(\text{cond}\) de matriz retangular via \(\sigma\): \(\text{cond}(X)=\sigma_{\max}/\sigma_{\min}\approx153{,}168\). Compare com \(\text{cond}(X^TX)\approx23\,460{,}5\) (Aula 4).
Proposição: \(\text{cond}(X^TX)=\text{cond}(X)^2\)
\(\sigma_i(X)^2=\lambda_i(X^TX)\Rightarrow\lambda_{\max}/\lambda_{\min}= (\sigma_{\max}/\sigma_{\min})^2\Rightarrow\text{cond}(X^TX)= \text{cond}(X)^2\). Numericamente: \(153{,}168^2\approx23\,460{,}5\) — exato.
\(\sigma_{\min}(X)=0\): o que isso diria sobre as 4 colunas?
Dica: relacione posto, dependência linear (Aula 2) e \(\sigma_{\min}=0\).
\(\sigma_{\min}=0\) e dependência linear — Resposta
Voltando à pergunta: sim — \(\sigma_{\min}=0\) é exatamente a mesma condição de posto incompleto já vista na Aula 2/3, só que vista pela lente dos valores singulares em vez do determinante ou da eliminação de Gauss.
\(A=U\Sigma V^T=\sum_{i,j}\Sigma_{ij}\mathbf{u}_i\mathbf{v}_j^T\).
\(\Sigma\) diagonal \(\Rightarrow\) só \(i=j\) sobrevive: \(A=\sum_{i}\sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T\). E \(\sigma_i=0\) pra \(i>r\), então a soma já para em \(r\): \[ A=\sum_{i=1}^r \sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T . \]
Cada termo é posto \(1\) — vale nomeá-lo, com o \(\sigma_i\) dentro: \[ A_i:=\sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T, \qquad A=\sum_{i=1}^r A_i . \]
Aproximação de posto-\(k\) (\(k<r\)): \(\hat{A}^{(k)}:= \sum_{i=1}^k A_i\) — a SVD truncada. \(\sigma_i\) decrescente \(\Rightarrow\) termos descartados são os que menos importam.
Primeiro vamos mostrar um fato geral (vale pra qualquer matriz \(M\)); depois (próxima seção) aplicar esse fato à matriz erro \(A-\hat{A}^{(k)}\), pra medir o erro de verdade. Isto aqui ainda não é sobre o erro — é a ferramenta.
Definição (Norma Espectral — MathML Def. 4.23)
\(\|A\|_2:=\max_{\mathbf{x}\ne\mathbf{0}}\|A\mathbf{x}\|_2/ \|\mathbf{x}\|_2\) — maior fator de esticamento sobre qualquer vetor.
Teorema (MathML Teo. 4.24)
\(\|A\|_2=\sigma_1\). (Prova deixada como exercício no MathML — abaixo, prova nossa via a base ortonormal \(\{\mathbf{v}_i\}\) de \(A^TA\), Passo 1.)
Prova. \(\|A\mathbf{x}\|_2^2=\mathbf{x}^T(A^TA)\mathbf{x}\). Escreva \(\mathbf{x}=\sum_i c_i\mathbf{v}_i\) na base ortonormal do Passo 1 (\(c_i=\langle\mathbf{x},\mathbf{v}_i\rangle\)): \(\mathbf{x}^T\mathbf{x}= \sum_i c_i^2\) e, usando \(A^TA\mathbf{v}_i=\lambda_i\mathbf{v}_i\), \(\mathbf{x}^T(A^TA)\mathbf{x}=\sum_i\lambda_i c_i^2\).
Importante
Majoração explícita: \(\lambda_i\le\lambda_1\) para todo \(i\) e \(c_i^2\ge 0\) \(\Rightarrow\) trocar cada \(\lambda_i\) por \(\lambda_1\) termo a termo só pode aumentar a soma: \[ \sum_i\lambda_i c_i^2 \le \lambda_1\sum_i c_i^2 = \sigma_1^2\,\mathbf{x}^T\mathbf{x}. \] Não é uma afirmação solta — é essa troca, válida porque nenhum \(c_i^2<0\).
Logo \(\mathbf{x}^T(A^TA)\mathbf{x}/\mathbf{x}^T\mathbf{x}\le\sigma_1^2\), igualdade sse só \(c_1\ne 0\) (em particular \(\mathbf{x}=\mathbf{v}_1\)). Raiz quadrada: \(\|A\mathbf{x}\|_2/\|\mathbf{x}\|_2\le\sigma_1\), igualdade atingida \(\Rightarrow\|A\|_2=\sigma_1\). \(\blacksquare\)
Teorema (Eckart-Young-Mirsky — MathML Teo. 4.25)
\(A\) posto \(r\); \(B\) posto \(k\le r\) qualquer. \(\hat{A}^{(k)}= \sum_{i=1}^k\sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T\Rightarrow\hat{A}^{(k)}= \operatorname*{argmin}_{\text{posto}(B)=k}\|A-B\|_2\), e \(\|A-\hat{A}^{(k)}\|_2=\sigma_{k+1}\).
Entre todas as matrizes de posto \(\le k\) (não só truncamentos da SVD), \(\hat{A}^{(k)}\) é a mais próxima de \(A\) — e o erro é exatamente \(\sigma_{k+1}\): propriedade intrínseca de \(A\), não do método de aproximação.
Prova, duas metades independentes: (i) \(\hat{A}^{(k)}\) atinge erro \(\sigma_{k+1}\); (ii) ninguém faz melhor. (i) é curta, abaixo — (ii) é uma prova por contradição, mais longa (6 passos); fica só nas notas de aula (link no rodapé), sem tempo para cobrir hoje nos slides.
Parte (i). Por construção, \(A-\hat{A}^{(k)}=\sum_{i=k+1}^r\sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T\) — essa soma já é a SVD de \(E:=A-\hat{A}^{(k)}\) (mesmos \(\mathbf u_i\), \(\mathbf v_i\) ortonormais, coeficientes decrescentes), com maior valor singular \(\sigma_{k+1}\).
Pelo Teorema 4.24 (norma espectral \(=\) maior valor singular), aplicado a \(E\): \(\|A-\hat{A}^{(k)}\|_2=\|E\|_2=\sigma_{k+1}\) — a mesma ferramenta do slide anterior, agora aplicada ao erro.
Verificação numérica de Eckart-Young-Mirsky em \(X\) (California Housing), \(k=1,2,3\) (posto completo \(=4\)).
k ||X - X_k||_2 sigma_{k+1} erro relativo (Frobenius)
1 523.440811 523.440811 13.5401%
2 229.490812 229.490812 5.4690%
3 27.335935 27.335935 0.6469%
Erro \(\|X-\hat{X}^{(k)}\|_2\) bate com \(\sigma_{k+1}\) até a \(6^a\) casa decimal — confirma Teorema 4.25 na prática. Erro relativo Frobenius: \(\approx13{,}5\%\) (\(k=1\)) \(\to\approx0{,}6\%\) (\(k=3\)) — \(1^o\) valor singular (\(\approx4\,187\)) domina.
MathML Exemplo 4.15 (retomando 4.14): \(\mathbf{u}_i=\) “filme estereotípico” (perfil de tema); \(\mathbf{v}_i=\) “espectador estereotípico” (perfil de gosto). Suposição: notas = combinação linear desses perfis.
valores singulares: sigma = [9.6438 6.3639 0.7056]
erro espectral k=1: 6.3639 (sigma_2 = 6.3639)
erro espectral k=2: 0.7056 (sigma_3 = 0.7056)
Posto \(1\): acerta Ali/Beatrix (ficção científica, \(>4\)), erra feio Chandra em Amélie/Delicatessen (\(\approx0{,}2\) vs. \(4\)/\(5\) reais) — só “entende” um perfil.
Posto \(2\): recupera quase tudo, incluindo Chandra. Erro espectral: \(\sigma_2\approx6{,}364\to\sigma_3\approx0{,}706\) — exatamente o que Eckart-Young-Mirsky prevê. \(\text{posto}(A)=3\Rightarrow\) posto \(3\) recupera \(A\) exato.
Filtragem colaborativa real: matrizes de milhões de usuários \(\times\) itens, majoritariamente vazias — mesma ideia de baixo posto (adaptada para entradas faltantes, fora do escopo) sustenta o completamento de matrizes em sistemas de recomendação.
Um perfil de gosto totalmente novo, fora dos \(k\) perfis capturados
Dica: o que \(\hat{A}^{(2)}\) pode e não pode representar, pela própria definição?
Perfil novo fora do posto-\(k\) — Resposta
Voltando à pergunta: a aproximação de baixo posto é ótima dentro do que os dados de treino permitem capturar — ela não inventa informação sobre um perfil nunca visto. É a mesma cautela que qualquer modelo estatístico exige em relação a dados fora da distribuição de treino.
Proposição (Decomposição Polar)
\(Q\) ortogonal, \(S\) simétrica semidefinida positiva, \(A=QS\).
\(A=U\Sigma V^T=(UV^T)(V\Sigma V^T)=:QS\), com \(Q:=UV^T\), \(S:=V\Sigma V^T\).
\(Q\) ortogonal: \(Q^TQ=VU^TUV^T=VIV^T=VV^T=I\) (usa \(U^TU=I\) e \(VV^T=I\)).
\(S\) simétrica PSD: \(S^T=V\Sigma^TV^T=V\Sigma V^T=S\) (\(\Sigma\) diagonal); \(\mathbf{x}^TS\mathbf{x}=\sum_i\sigma_iz_i^2\ge0\) com \(\mathbf{z}=V^T\mathbf{x}\). \(\blacksquare\)
\(S=V\Sigma V^T\) é a decomposição espectral de \(S\) (Aula 4): autovalores de \(S\) = valores singulares de \(A\); autovetores de \(S\) = vetores singulares à direita de \(A\).
Analogia: \(z=re^{i\theta}\) (número complexo) \(\leftrightarrow A=QS\) (matriz). \(S\) = “módulo” (estica/encolhe ao longo de direções ortogonais, nunca gira — simétrica, Teorema Espectral). \(Q\) = “fase” (só gira/reflete, preserva norma — ortogonal, Aula 1).
Q =
[[ 0.9916 0.1293]
[-0.1293 0.9916]]
det(Q) = 1.0 (1 = rotação pura, -1 = reflexão)
S =
[[1.3494 0.4786]
[0.4786 0.97 ]]
autovalores de S (= valores singulares de A): [0.645 1.6745]
Q @ S == A? True
\(\det(Q)\approx1\) (rotação pura, \(\approx7{,}4°\)); autovalores de \(S=[0{,}645;\,1{,}675]=\) valores singulares de \(A\) (Bloco 2); \(QS=A\) (erro de ponto flutuante).
Painel do meio: \(S\) sozinha — formato final, mas ainda alinhada a \(\mathbf{v}_1,\mathbf{v}_2\). Painel direito: \(Q\) gira como corpo rígido até a posição final (idêntica ao Bloco 2).
1. SVD: \(A=U\Sigma V^T\) (\(U,V\) ortogonais, \(\Sigma\) diagonal \(\ge0\)); existe sempre porque \(A^TA\) é sempre PSD (Aula 4) \(\Rightarrow\) raízes quadradas reais garantidas.
2. Construção: autovetores de \(A^TA\) = \(V\); imagens normalizadas sob \(A\) = \(U\); ortogonalidade de ambos vem da relação de autovalor de \(A^TA\).
3. Aproximação ótima: truncar \(A=\sum\sigma_i\mathbf{u}_i\mathbf{v}_i^T\) em \(k\) termos — Eckart-Young-Mirsky garante mínimo global, erro \(=\sigma_{k+1}\).
4. Decomposição Polar: \(A=QS\) (\(Q\) ortogonal, \(S\) simétrica PSD) — generalização matricial de módulo \(\times\) fase.
SVD decompõe uma matriz estática — não diz como achar parâmetros que minimizam uma perda. E as Equações Normais (Aula 3) já usaram, sem nunca definir, a ideia de “perda parar de diminuir”.
Falta um objeto formal para isso: a derivada em várias variáveis — gradiente e Jacobiano. Abre a Parte 2 do curso: Cálculo da Otimização Diferenciável, Aula 6.
UNICAMP — Instituto de Computação