Exercícios — Aula 3: Projeções Ortogonais e Subespaços

Álgebra Linear e Otimização para Aprendizado de Máquina

Autor

Prof. Marcos Medeiros Raimundo

Aula Soluções

DicaConvenções usadas nesta lista
  • \(X\in\mathbb{R}^{N\times d}\) é uma matriz de design (linhas = observações, colunas = atributos), \(\mathbf{y}\in\mathbb{R}^N\) é o vetor-alvo, e \(\hat{\mathbf{w}}\in\mathbb{R}^d\) são os pesos que minimizam \(\|\mathbf{y}-X\mathbf{w}\|\) (mínimos quadrados). A previsão/projeção resultante é \(\hat{\mathbf{y}}=X\hat{\mathbf{w}}\in\mathbb{R}^N\).
  • As Equações Normais são \(X^TX\hat{\mathbf{w}}=X^T\mathbf{y}\). Quando \(X\) tem posto completo (\(\text{rk}(X)=d\), colunas linearmente independentes), \(X^TX\) é invertível e a solução é única, \(\hat{\mathbf{w}}=(X^TX)^{-1}X^T\mathbf{y}\).
  • Uma projeção sobre um subespaço \(U\subseteq V\) é um operador \(\pi:V\to U\) idempotente, \(\pi^2=\pi\) (aplicar duas vezes equivale a aplicar uma vez). A matriz de projeção ortogonal sobre \(\text{col}(X)\) (o espaço gerado pelas colunas de \(X\)) é \(P_\pi=X(X^TX)^{-1}X^T\), e \(\hat{\mathbf{y}}=P_\pi\mathbf{y}\) é o ponto de \(\text{col}(X)\) mais próximo de \(\mathbf{y}\).
  • Dado um subespaço \(U\) de um espaço \(V\) de dimensão \(D\), com \(\dim(U)=M\), o complemento ortogonal \(U^\perp=\{\mathbf{v}\in V:\mathbf{v}\perp\mathbf{u},\,\forall\mathbf{u}\in U\}\) tem dimensão \(D-M\), e todo vetor de \(V\) se decompõe de forma única como \(V=U\oplus U^\perp\) (uma parte em \(U\), uma parte em \(U^\perp\)).
  • O resíduo é \(\mathbf{r}=\mathbf{y}-\hat{\mathbf{y}}\). Sempre que \(\hat{\mathbf{w}}\) resolve as Equações Normais, \(\mathbf{r}\) é ortogonal a cada coluna de \(X\) (e, portanto, a todo \(\text{col}(X)\)).
  • \(R^2\) é a fração da variação de \(\mathbf{y}\) explicada pelo modelo: \(R^2=1\) é ajuste perfeito (resíduo nulo); \(R^2=0\) é um modelo que não prevê melhor do que a própria média de \(\mathbf{y}\).
  • O posto de \(X\) é o número de colunas linearmente independentes. Multicolinearidade exata é quando uma coluna é combinação linear exata de outras (reduz o posto). Quase-multicolinearidade é quando colunas são fortemente correlacionadas, mas não exatamente dependentes (não reduz o posto, mas deixa \(X^TX\) mal-condicionada). O número de condição de \(X^TX\) (razão entre maior e menor autovalor) mede o quanto \(\hat{\mathbf{w}}\) é sensível a pequenas perturbações nos dados, mesmo com \(X\) de posto completo.
  • Exemplo concreto usado nesta lista: o California Housing Dataset (preço de imóveis por bairro na Califórnia), \(X\in\mathbb{R}^{16\,640\times4}\), com atributos MedInc (renda mediana do bairro, dezenas de milhares de dólares), HouseAge (idade média dos imóveis, anos), AveRooms (média de cômodos por domicílio) e AveBedrms (média de quartos por domicílio), prevendo o alvo MedHouseVal (valor mediano do imóvel). Ajustado por mínimos quadrados com os 4 atributos, o modelo tem \(R^2\approx0{,}518\) (explica pouco mais da metade da variação do preço) e número de condição de \(X^TX\approx23\,460\). Os atributos AveRooms e AveBedrms têm correlação empírica \(0{,}865\) (quase-multicolineares, mas linearmente independentes): isolado, esse par tem número de condição de \(X^TX\approx420\), contra \(\approx169\) do par bem-condicionado MedInc/HouseAge. Perturbar MedHouseVal com ruído gaussiano de desvio-padrão igual a \(1\%\) do desvio-padrão da própria variável faz o peso de AveBedrms oscilar \(\approx29{,}5\%\) no par quase-dependente, contra \(\approx0{,}1\%\) no par bem-condicionado. Fabricar uma quinta coluna \(2\times\)AveRooms (combinação linear exata de uma coluna já existente) não altera o posto de \(X\) (permanece \(4\)), mas torna \(X^TX\) singular.

Questões discursivas

  1. Explique, com suas próprias palavras e usando a linguagem geométrica da “sombra” (a projeção ortogonal de um ponto \(\mathbf{y}\) sobre um subespaço \(U\) como o ponto de \(U\) mais próximo de \(\mathbf{y}\)), por que minimizar \(\|\mathbf{y}-X\mathbf{w}\|\) é equivalente à condição de ortogonalidade \((\mathbf{y}-X\hat{\mathbf{w}})\perp\text{col}(X)\). Por que essa equivalência é o que permite transformar um problema de otimização (minimizar uma distância) numa equação linear (as Equações Normais)?

  2. Compare os dois casos descritos nas Convenções acima: multicolinearidade exata (fabricar a coluna \(2\times\)AveRooms, que torna \(X^TX\) singular) e quase-multicolinearidade (o par AveRooms/AveBedrms, correlação \(0{,}865\), que deixa \(X^TX\) apenas mal-condicionada). Para cada um, explique o que acontece com a projeção \(\hat{\mathbf{y}}\) e o que acontece com o vetor de pesos \(\hat{\mathbf{w}}\). Por que a distinção entre essas duas grandezas é a chave para entender os dois casos?

  3. Sabe-se (resultado provado em aula anterior) que \(X^TX\) é invertível se, e somente se, \(X\) tem posto completo. Explique como essa condição de invertibilidade entra exatamente na etapa da derivação das Equações Normais em que se isola \(\hat{\mathbf{w}}\) a partir de \(X^TX\hat{\mathbf{w}}=X^T\mathbf{y}\), e o que aconteceria à derivação (não só ao resultado final) se essa condição não fosse satisfeita.

Questões de Verdadeiro/Falso

Cada bloco de 4 itens trata do mesmo tema. A questão só é considerada correta se todos os 4 itens forem julgados corretamente (deixar em branco tem penalidade de 20% da nota da questão).

NotaTeste 1 — Sistemas sobredeterminados e a melhor aproximação
  • □ Se um sistema \(A\mathbf{x}=\mathbf{b}\) fosse subdeterminado (\(n>m\)) em vez de sobredeterminado, ainda haveria um sentido útil para “melhor aproximação” via projeção, mas ele coincidiria trivialmente com uma das infinitas soluções exatas, não com um ponto fora do espaço-coluna de \(A\).
  • □ No caso-limite em que \(\mathbf{y}\) está exatamente sobre o espaço-coluna de \(X\), a “melhor aproximação” \(\hat{\mathbf{y}}=X\hat{\mathbf{w}}\) coincide com \(\mathbf{y}\), e o problema de mínimos quadrados se reduz ao caso mais simples de um sistema linear com solução exata, sem necessidade de aproximação.
  • □ Num problema de avaliação de risco de crédito (dataset German Credit), com muito mais clientes registrados (equações) do que atributos considerados no modelo (incógnitas), a mesma lógica de “sistema sobredeterminado sem solução exata, resolvido por projeção” se aplicaria.
  • □ Como um sistema sobredeterminado não tem solução exata, isso implica que qualquer \(\mathbf{w}\) escolhido produzirá um erro de magnitude semelhante — a escolha de \(\mathbf{w}\) não afetaria significativamente a qualidade da aproximação.
NotaTeste 2 — A intuição da sombra
  • □ Se a fonte de luz da analogia da sombra viesse de um ângulo oblíquo fixo (não perpendicular ao subespaço), o ponto de chegada no subespaço, em geral, não seria mais o ponto mais próximo do ponto original.
  • □ No caso-limite em que o subespaço \(U\) tem a mesma dimensão do espaço ambiente (\(U=V\)), a “sombra” de qualquer ponto sobre \(U\) coincide com o próprio ponto, para qualquer ponto escolhido.
  • □ A ideia de reduzir a dimensionalidade de dados de alta dimensão para visualização (ex.: reduzir os atributos de um dataset para 2 dimensões e plotar um gráfico de dispersão) usa, na essência, a mesma operação geométrica de projeção perpendicular definida acima.
  • □ Como a projeção perpendicular minimiza a distância ao subespaço, ela produz sempre o ponto de menor norma dentro do subespaço, entre todos os candidatos.
NotaTeste 3 — Subespaços e o complemento ortogonal
  • □ Se \(U\) e \(W\) são dois subespaços distintos de mesma dimensão \(M\) dentro de um espaço \(V\) de dimensão \(D\), seus complementos ortogonais \(U^\perp\) e \(W^\perp\) têm, necessariamente, a mesma dimensão entre si (\(D-M\)), ainda que \(U^\perp \ne W^\perp\) como conjuntos.
  • □ No caso-limite \(M=D\) (o subespaço é o espaço inteiro), o complemento ortogonal se reduz ao subespaço trivial \(\{\mathbf{0}\}\).
  • □ Num sistema de recomendação por fatoração de matrizes, decompor o vetor de preferências de um usuário numa componente dentro do subespaço latente aprendido (um subespaço) e numa componente ortogonal a ele (o resíduo não explicado pelos fatores latentes) usa a mesma lógica de decomposição única \(V=U\oplus U^\perp\) definida acima.
  • □ Como todo vetor de \(V\) se decompõe de forma única em \(U\oplus U^\perp\), isso implica que essa decomposição é a única forma possível de escrever qualquer vetor de \(V\) como soma de dois vetores de \(V\).
NotaTeste 4 — Definição formal de projeção
  • □ Se o operador de projeção \(\pi:V\to U\) (com matriz \(P\)) satisfaz \(\pi^2=\pi\) (\(P^2=P\)), então, para qualquer vetor \(\mathbf{u}\) que já pertença ao subespaço \(U\), necessariamente \(\pi(\mathbf{u}) = \mathbf{u}\).
  • □ No caso-limite em que a matriz de projeção \(P_\pi\) é a matriz identidade, o subespaço \(U\) sobre o qual ela projeta é o espaço ambiente \(V\) inteiro.
  • □ Num sistema de compressão de embeddings via PCA que descarta certas componentes principais (mantendo só um subconjunto delas), a operação de manter as componentes retidas e descartar as demais pode ser descrita, de forma exata, por uma matriz de projeção \(P_\pi\) com \(P_\pi^2=P_\pi\).
  • □ Como toda matriz de projeção satisfaz \(P_\pi^2=P_\pi\), isso significa que qualquer matriz quadrada que satisfaça essa condição algébrica também é, necessariamente, simétrica.
NotaTeste 5 — Derivação das Equações Normais
  • □ Se a condição de ortogonalidade fosse verificada apenas para algumas colunas de \(X\) (não todas), em vez de todas as \(d\) colunas, isso não seria suficiente, em geral, para garantir que o resíduo é ortogonal a todo o espaço-coluna de \(X\).
  • □ No caso-limite \(d=1\) (uma única coluna, isto é, \(X\) é um vetor-coluna \(\mathbf{x}\in\mathbb{R}^N\)), as Equações Normais \(X^TX\hat{\mathbf{w}}=X^T\mathbf{y}\) se reduzem a uma única equação escalar, \(\hat{w}=\dfrac{\mathbf{x}^T\mathbf{y}}{\mathbf{x}^T\mathbf{x}}\).
  • □ Num problema de estimar a verdadeira nota de qualidade de uma imagem (usada como rótulo de treino) a partir de \(N\) anotações redundantes de anotadores humanos (crowdsourcing, cada anotação sendo \(y_i = \theta + \text{ruído}\)), a mesma derivação das Equações Normais levaria a uma estimativa que é, essencialmente, a média das anotações.
  • □ Como as Equações Normais são obtidas impondo ortogonalidade coluna a coluna, isso implica que, se duas colunas de \(X\) forem ortogonais entre si, a equação normal correspondente a cada uma delas pode ser resolvida de forma totalmente independente da outra, sem nenhum termo cruzado.
NotaTeste 6 — Invertibilidade de \(X^TX\) e a pseudo-inversa
  • □ Se \(X\) tivesse posto deficiente (colunas linearmente dependentes), \(X^TX\) deixaria de ser invertível, mas isso não impediria, por si só, que existisse algum \(\hat{\mathbf{w}}\) satisfazendo as Equações Normais — apenas deixaria de haver um único.
  • □ No caso-limite em que \(X\) tem uma única coluna não-nula (\(d=1\), \(\mathbf{x}\ne\mathbf{0}\)), \(X^TX\) é sempre invertível (é um escalar positivo).
  • □ Num problema de regressão sobre um dataset com atributos linearmente dependentes (matriz de design \(X\) de posto deficiente), a pseudo-inversa \((X^TX)^{-1}X^T\) não pode ser calculada da forma usual, mas existem generalizações (pseudo-inversa de Moore-Penrose, via SVD) que contornam exatamente esse problema.
  • □ Como \((X^TX)^{-1}X^T\) é chamada de pseudo-inversa de \(X\), isso significa que ela satisfaz \(X\cdot(X^TX)^{-1}X^T = I\) (a identidade), do mesmo jeito que uma inversa de matriz quadrada de verdade.
NotaTeste 7 — Aplicação numérica e verificação de ortogonalidade
  • □ Se, em vez de comparar \(\hat{\mathbf{w}}\) obtido pela fórmula fechada com o algoritmo lstsq (mínimos quadrados) de uma biblioteca numérica, comparássemos com uma resolução por eliminação de Gauss do sistema \(X^TX\hat{\mathbf{w}}=X^T\mathbf{y}\), esperaríamos, a menos de erro de arredondamento, o mesmo vetor.
  • □ No caso-limite em que \(\mathbf{y}\) é o vetor nulo, o \(\hat{\mathbf{w}}\) que resolve as Equações Normais (com \(X\) de posto completo) é necessariamente o vetor nulo também.
  • □ Num modelo de regressão que prevê o preço de um ativo financeiro a partir de indicadores técnicos (outro dataset, não o California Housing), verificar que o resíduo entre o valor previsto e o valor real é ortogonal aos atributos do modelo é um teste válido de correção, do mesmo jeito que se aplicaria ao ajuste do California Housing descrito acima.
  • □ Como o resíduo é ortogonal a cada coluna de \(X\), isso implica que o modelo captura toda a informação relevante contida nos dados disponíveis para prever \(\mathbf{y}\).
NotaTeste 8 — \(R^2\) e o que a ortogonalidade do resíduo garante
  • □ Se o \(R^2\) do ajuste fosse exatamente \(0\) (o modelo não explica nada da variação de \(\mathbf{y}\) além da média), o resíduo ainda seria ortogonal a cada coluna de \(X\), contanto que \(\hat{\mathbf{w}}\) resolva as Equações Normais.
  • □ No caso-limite \(R^2=1\) (ajuste perfeito), o resíduo \(\mathbf{y}-X\hat{\mathbf{w}}\) é o vetor nulo.
  • □ Num modelo de previsão de nota de estudantes usando só o número de horas de sono (um único atributo, claramente insuficiente para prever notas), seria possível obter um \(R^2\) baixo e, ainda assim, um resíduo perfeitamente ortogonal a essa única coluna — exatamente como ocorre no ajuste com os 4 atributos do California Housing descrito acima (\(R^2\approx0{,}518\) com resíduo ortogonal).
  • □ Como o resíduo é sempre ortogonal ao espaço-coluna de \(X\) quando \(\hat{\mathbf{w}}\) resolve as Equações Normais, um \(R^2\) baixo indica necessariamente um erro no cálculo de \(\hat{\mathbf{w}}\), não uma limitação dos atributos escolhidos.
NotaTeste 9 — Posto e multicolinearidade exata
  • □ Se a coluna redundante fabricada no exemplo acima fosse \(-5\times\)AveRooms em vez de \(2\times\)AveRooms, o posto de \(X\) ainda cairia da mesma forma ao ser adicionada (permaneceria em 4, não subiria para 5).
  • □ No caso-limite em que todas as \(d\) colunas de \(X\) fossem múltiplos escalares de uma única coluna não-nula, o posto de \(X\) seria exatamente \(1\), independentemente do valor de \(d\).
  • □ Num dataset usado para prever demanda de energia elétrica em que um atributo de temperatura é reportado tanto em Celsius quanto em Fahrenheit (uma transformação linear afim exata da outra, não apenas um múltiplo escalar), a inclusão de ambas as colunas na matriz de design também produziria posto deficiente, pelo mesmo princípio da coluna duplicada exata descrita acima.
  • □ Como a coluna redundante fabricada não acrescenta nenhuma direção independente ao espaço-coluna de \(X\), isso implica que removê-la necessariamente reduz a qualidade das previsões do modelo ajustado.
NotaTeste 10 — Quase-multicolinearidade e número de condição
  • □ Se, em vez de perturbar MedHouseVal em 1% do desvio-padrão, perturbássemos em 10 vezes esse valor (10% do desvio-padrão), a variação relativa esperada no peso de AveBedrms no par quase-dependente seria, ao menos aproximadamente, também maior do que a observada com a perturbação de 1% — o número de condição alto amplifica perturbações maiores tanto quanto amplifica as pequenas.
  • □ No caso-limite em que o número de condição de \(X^TX\) tende a infinito, \(X^TX\) se torna, no limite, singular (não invertível).
  • □ Num modelo de precificação de opções financeiras com duas variáveis de entrada quase redundantes (ex.: duas medidas de volatilidade calculadas por métodos ligeiramente diferentes), a mesma fragilidade numérica (pesos instáveis sob pequena perturbação dos dados) apareceria, mesmo com o posto de \(X\) tecnicamente completo.
  • □ Como o número de condição de \(X^TX\) com os 4 atributos completos (\(\approx 23\,460\)) é maior do que o do par isolado AveRooms/AveBedrms (\(\approx 420\)), isso implica que a previsão \(\hat{\mathbf{y}}=X\hat{\mathbf{w}}\) do modelo completo é proporcionalmente mais instável do que a previsão do modelo com só esse par de atributos.
NotaTeste 11 — A matriz de projeção \(P_\pi\)
  • □ Se, em vez de projetar \(\mathbf{y}\) sobre \(\text{col}(X)\), quiséssemos projetar sobre um subespaço diferente gerado pelas colunas de outra matriz \(Z\) (mesmas dimensões de \(X\)), a matriz de projeção correspondente seria \(P_\pi'=Z(Z^TZ)^{-1}Z^T\), com a mesma propriedade \(P_\pi'^2=P_\pi'\).
  • □ No caso-limite em que as colunas de \(X\) já são ortonormais (\(X^TX=I\)), a matriz de projeção se simplifica para \(P_\pi=XX^T\).
  • □ Em compressão de imagem via PCA, manter apenas as \(k\) componentes principais mais informativas e descartar as demais pode ser descrito por uma matriz de projeção \(P_\pi\) com as mesmas propriedades (\(P_\pi^2=P_\pi\), simétrica) definidas acima.
  • □ Como \(P_\pi=X(X^TX)^{-1}X^T\in\mathbb{R}^{N\times N}\) e toda matriz quadrada invertível que satisfaz \(P^2=P\) só pode ser a identidade, isso implica que \(P_\pi\) só pode ser a matriz identidade quando \(X\) tem posto completo.
NotaTeste 12 — Síntese: da falta de solução ao número de condição
  • □ Se fosse possível calcular o número de condição de \(X^TX\) exatamente a partir da razão entre o maior e o menor autovalor de \(X^TX\), isso tornaria desnecessário o tipo de experimento de perturbação numérica descrito acima (perturbar MedHouseVal e observar a oscilação de \(\hat{\mathbf{w}}\)) para detectar fragilidade — mas o experimento de perturbação continuaria sendo uma forma válida de demonstrar o efeito prático dessa fragilidade.
  • □ No caso-limite em que \(X\) tem colunas mutuamente ortogonais e todas de norma \(1\) (uma base ortonormal do espaço-coluna), o número de condição de \(X^TX\) é exatamente \(1\) — o melhor condicionamento numérico possível.
  • □ Num pipeline de aprendizado de máquina em que os atributos de entrada são primeiro padronizados (média 0, desvio-padrão 1) antes do ajuste, essa etapa de pré-processamento pode, dependendo dos dados, influenciar o número de condição de \(X^TX\) resultante, mesmo sem alterar o posto de \(X\).
  • □ Como as Equações Normais fornecem uma fórmula fechada exata para \(\hat{\mathbf{w}}\) sempre que \(X\) tem posto completo, isso implica que essa fórmula é sempre o método numericamente mais recomendado para calcular \(\hat{\mathbf{w}}\) na prática, independentemente do número de condição de \(X^TX\).