Soluções — Aula 2: Representações Matriciais, Sistemas Lineares e Independência
Gabarito de exercicios.qmd
Dica(Resposta) Teste 1 — A matriz de design
- ✗ Falso — Transpor \(X\) muda suas dimensões de \(N\times d\) para \(d\times N\); multiplicar essa matriz transposta por \(\mathbf{w}\in\mathbb{R}^d\) pela direita não é dimensionalmente compatível (\(d\times N\) vezes \(d\times 1\) não fecha) — a convenção linha=observação/coluna=atributo não é arbitrária, é o que torna \(X\mathbf{w}\) bem definido exatamente com \(\mathbf{w}\in\mathbb{R}^d\).
- ✔ Verdadeiro — Com \(N=1\), \(X\in\mathbb{R}^{1\times d}\) é literalmente o vetor de atributos daquela observação, como linha; \(X\mathbf{w}=\mathbf{x}_1^T\mathbf{w}\) é um escalar bem definido. O caso \(N=1\) não quebra a definição, só a torna trivial.
- ✔ Verdadeiro — Nada na álgebra linear proíbe somar entradas de unidades diferentes — a soma está bem definida como operação vetorial —, mas o resultado não corresponde a nenhuma grandeza física com significado (dólares + cômodos não é nada). É a distinção entre “operação bem definida” e “resultado interpretável”.
- ✗ Falso — A definição de \(X\mathbf{w}\) não exige nenhuma relação entre as escalas dos atributos — o produto está matematicamente bem definido independentemente da escala. Diferenças de escala podem afetar o condicionamento numérico do ajuste, mas não impedem a operação de estar definida.
Dica(Resposta) Teste 2 — Definição formal de matriz e produto matricial
- ✔ Verdadeiro — O produto matriz-vetor é o caso particular \(k=1\) da fórmula geral de produto de matrizes. Testar esse limite confirma que o produto matriz-vetor não é uma operação à parte, é um caso especial do produto matricial geral.
- ✔ Verdadeiro — A definição do produto matriz-vetor só exige que o número de colunas de \(X\) (\(d\)) seja igual à dimensão de \(\mathbf{w}\) — não importa a relação entre \(N\) e \(d\). O produto está bem definido mesmo com \(d>N\) (o regime “subdeterminado”), mas a operação em si não quebra.
- ✔ Verdadeiro — Pela identidade \((AB)^T=B^TA^T\), temos \((X\mathbf{w})^T=\mathbf{w}^TX^T\) — os mesmos \(N\) números, só organizados como linha em vez de coluna. Testa se o aluno reconhece a transposição como preservando os valores, mudando só a forma.
- ✗ Falso — Se \(A\) for quadrada (\(n\times n\)) e \(\mathbf{x}\in\mathbb{R}^n\), tanto \(A\mathbf{x}\) (\(n\times n\) vezes \(n\times 1\)) quanto \(\mathbf{x}^TA\) (\(1\times n\) vezes \(n\times n\)) estão definidos simultaneamente — a afirmação de que “nunca podem estar ambos definidos” ignora esse caso comum.
Dica(Resposta) Teste 3 — As duas leituras do produto matriz-vetor
- ✗ Falso — As duas leituras são identidades algébricas válidas para qualquer matriz \(A\), sem exceção. Colunas repetidas não invalidam a leitura por linha — o produto interno linha a linha continua bem definido independentemente de haver colunas iguais.
- ✔ Verdadeiro — \(A\mathbf{e}_j=\sum_l e_{jl}\mathbf{a}^{(l)}=\mathbf{a}^{(j)}\) — só o termo \(l=j\) sobrevive, com coeficiente 1. Confirma concretamente que a leitura “por coluna” é, de fato, a combinação linear pesada pelas entradas de \(\mathbf{x}\).
- ✗ Falso — As duas leituras não são operações diferentes que “coincidem por acaso” — são a mesma soma dupla reagrupada de duas formas (por linha, por coluna). É a mesma identidade algébrica, vista de dois ângulos, não uma coincidência numérica entre operações distintas.
- ✔ Verdadeiro — Com só um \(w_j\ne0\), a combinação linear \(\sum_j w_j\mathbf{x}^{(j)}\) se reduz a \(w_j\mathbf{x}^{(j)}\) — um múltiplo escalar daquela única coluna. Aplicação direta da leitura por coluna a um caso concreto.
Dica(Resposta) Teste 4 — Regressão Linear Múltipla como sistema linear
- ✔ Verdadeiro — Com \(N=d\) e posto completo, \(X\) é quadrada e invertível — o sistema tem exatamente uma solução por construção, o caso intermediário exato entre sobredeterminado (\(N>d\)) e subdeterminado (\(N<d\)).
- ✔ Verdadeiro — Com \(d=1\), \(X\) é um vetor-coluna e \(\mathbf{w}\) um escalar; o sistema sobredeterminado se reduz ao caso mais simples de regressão — ajustar \(y\approx wx\) com um só parâmetro, ainda sobredeterminado se \(N>1\).
- ✔ Verdadeiro — A conclusão “sobredeterminado genericamente não tem solução exata” é uma propriedade estrutural de \(N\gg d\) equações ruidosas — não depende do domínio da aplicação (preços de imóveis, reconhecimento facial, ou qualquer outro).
- ✗ Falso — É exatamente o oposto: a ausência de solução exata não é um beco sem saída, é o problema que motiva buscar a melhor solução aproximada (projeção ortogonal, Equações Normais). Regressão Linear Múltipla existe precisamente para lidar com esse regime.
Dica(Resposta) Teste 5 — As três formas de solução de um sistema linear
- ✔ Verdadeiro — “Genericamente” não é “sempre” — é possível construir um sistema sobredeterminado em que todas as equações extras sejam exatamente consistentes com a mesma solução (ex.: duplicar uma equação já existente). Raro em dados reais ruidosos, mas não impossível.
- ✔ Verdadeiro — Sem nenhuma restrição, todo o espaço \(\mathbb{R}^n\) satisfaz vacuamente o sistema — um caso degenerado, mas consistente com “nenhuma, uma, ou infinitas”, já que zero restrições é o extremo de “poucas restrições o bastante para não isolar um único ponto”.
- ✔ Verdadeiro — A reta \(x_1+x_2=4\) não passa por \((0,0)\), já que \(0+0\ne4\). O conjunto-solução de um sistema não homogêneo com infinitas soluções é uma reta/hiperplano deslocado da origem — diferente do caso homogêneo, cujo conjunto-solução é sempre um subespaço que contém a origem.
- ✔ Verdadeiro — Por linearidade, \(A(\lambda\mathbf{x}_1+(1-\lambda)\mathbf{x}_2)=\lambda\mathbf{b}+(1-\lambda)\mathbf{b}=\mathbf{b}\) — toda combinação afim de duas soluções também é solução. Se duas soluções distintas existem, essa família inteira (infinita) de combinações também são soluções — é exatamente por isso que “exatamente duas” nunca acontece.
Dica(Resposta) Teste 6 — Sistemas homogêneos vs. não homogêneos
- ✔ Verdadeiro — Se duas soluções distintas \(\mathbf{x}_1,\mathbf{x}_2\) de \(A\mathbf{x}=\mathbf{b}\) existissem, \(\mathbf{x}_1-\mathbf{x}_2\) seria solução não trivial de \(A\mathbf{x}=\mathbf{0}\) (por linearidade) — contradizendo a suposição de que só a trivial existe. Logo, unicidade do homogêneo implica unicidade do não homogêneo (quando solúvel).
- ✔ Verdadeiro — Com \(A=\mathbf{0}\), \(A\mathbf{x}=\mathbf{0}\) para qualquer \(\mathbf{x}\) (o subespaço-solução é tudo); mas \(A\mathbf{x}=\mathbf{0}\ne\mathbf{b}\) para qualquer \(\mathbf{x}\) e qualquer \(\mathbf{b}\ne\mathbf{0}\) — nenhuma solução. O caso mais extremo de “solução homogênea máxima, solução não homogênea vazia”.
- ✗ Falso — Todo subespaço contém a origem, mas \(\mathbf{x}=\mathbf{0}\) nunca satisfaz \(A\mathbf{x}=\mathbf{b}\) quando \(\mathbf{b}\ne\mathbf{0}\) (já que \(A\cdot\mathbf{0}=\mathbf{0}\ne\mathbf{b}\)). O conjunto-solução não homogêneo, quando existe e não é único, não pode ser um subespaço.
- ✗ Falso — \(A(\mathbf{x}_1+\mathbf{x}_2)=A\mathbf{x}_1+A\mathbf{x}_2=\mathbf{b}+\mathbf{b}=2\mathbf{b}\ne\mathbf{b}\) (a menos que \(\mathbf{b}=\mathbf{0}\)). O conjunto-solução não homogêneo não é fechado sob soma — a segunda propriedade de subespaço que falha, além de não conter a origem (item c).
Dica(Resposta) Teste 7 — Combinações lineares e independência
- ✔ Verdadeiro — Se existe combinação não trivial \(\sum\lambda_i\mathbf{x}_i=\mathbf{0}\) com algum \(\lambda_j\ne0\), isolando o termo \(j\): \(\mathbf{x}_j=-\frac{1}{\lambda_j}\sum_{i\ne j}\lambda_i\mathbf{x}_i\) — sempre é possível isolar um vetor com coeficiente não nulo e escrevê-lo em função dos outros.
- ✔ Verdadeiro — A única forma de \(\lambda_1\mathbf{x}_1=\mathbf{0}\) com \(\mathbf{x}_1\ne\mathbf{0}\) é \(\lambda_1=0\) — não há outros vetores para combinar, então é independente por definição, mesmo no caso degenerado de um único elemento.
- ✔ Verdadeiro — O vetor nulo, sozinho, já admite combinação não trivial que dá zero (\(\lambda\cdot\mathbf{0}=\mathbf{0}\) para qualquer \(\lambda\ne0\)) — qualquer conjunto que inclua o vetor nulo é automaticamente dependente, não importa quais outros vetores o acompanham.
- ✗ Falso — Um conjunto dependente pode conter subconjuntos independentes — ex.: \(\{\mathbf{v}_1,\mathbf{v}_2,\mathbf{v}_1+\mathbf{v}_2\}\) é dependente, mas o subconjunto \(\{\mathbf{v}_1,\mathbf{v}_2\}\) pode ser perfeitamente independente. “Ter redundância” descreve o conjunto todo, não implica que toda parte dele também seja redundante.
Dica(Resposta) Teste 8 — Vetores em excesso e dependência forçada
- ✔ Verdadeiro — O argumento (mais vetores que dimensões força dependência) vale para qualquer terceiro vetor em \(\mathbb{R}^2\), não só para o valor numérico específico usado — não é coincidência da escolha de \(\mathbf{v}_3\): em \(\mathbb{R}^2\) só há duas direções independentes possíveis.
- ✔ Verdadeiro — É a generalização direta do exemplo dos 3 vetores em \(\mathbb{R}^2\) para dimensão arbitrária \(d\): mais vetores do que dimensões disponíveis força dependência, sempre.
- ✗ Falso — O número máximo de vetores linearmente independentes em \(\mathbb{R}^3\) é 3 — a mesma lógica do item anterior, aplicada ao caso \(d=3\): 5 vetores (mais que \(d+1=4\)) forçam dependência com ainda mais folga.
- ✗ Falso — \(d\) ser o número máximo possível não garante que um conjunto específico de \(d\) vetores atinja esse máximo — é fácil construir \(d\) vetores dependentes em \(\mathbb{R}^d\) (ex.: repetir um vetor). “No máximo \(d\)” é um teto, não uma garantia para qualquer escolha de exatamente \(d\) vetores.
Dica(Resposta) Teste 9 — Multicolinearidade em atributos de um dataset
- ✗ Falso — Adicionar ruído independente rompe a relação linear exata entre as colunas — elas continuam fortemente correlacionadas (quase-multicolineares), mas não mais exatamente proporcionais. Qualquer ruído genuíno já torna a relação apenas aproximada, não uma dependência linear exata.
- ✔ Verdadeiro — Colunas idênticas satisfazem \(\mathbf{a}^{(j)}=1\cdot\mathbf{a}^{(i)}\), uma combinação linear (trivialmente) exata — o caso mais simples e mais comum de multicolinearidade exata na prática (erro de duplicação de coluna).
- ✔ Verdadeiro — É a mesma estrutura — duas colunas relacionadas por um fator de conversão fixo e exato (12, em vez de \(\approx10{,}76\) de m² para pés²) são linearmente dependentes por definição, independentemente do domínio.
- ✗ Falso — Relação física (ex.: número de cômodos e número de quartos de um imóvel) não é o mesmo que ser a mesma grandeza medida duas vezes. Atributos fisicamente relacionados podem ser fortemente correlacionados, mas não exatamente multicolineares (posto continua completo) — ver o bloco de quase-multicolinearidade abaixo.
Dica(Resposta) Teste 10 — Posto de uma matriz
- ✔ Verdadeiro — Colunas idênticas são todas múltiplas umas das outras — o número de colunas linearmente independentes entre elas é exatamente 1 (qualquer uma sozinha “gera” todas as outras). O posto é 1, não importa quantas colunas repetidas existam.
- ✔ Verdadeiro — É o teto estrutural implícito na própria definição de “posto completo” (\(\text{rk}(A)=\min(m,n)\) sendo o maior posto possível) — não há como ter mais colunas (ou linhas) independentes do que o menor dos dois números disponíveis.
- ✔ Verdadeiro — Com \(N\gg d\), \(\min(N,d)=d\), então o teto de posto completo é \(d\), não \(N\) — ter muito mais observações do que atributos não aumenta o número máximo de colunas independentes possíveis, limitado pelo menor dos dois (número de atributos).
- ✗ Falso — É logicamente impossível ter posto maior que \(\min(m,n)\) (item b) — deficiente em posto significa posto menor que \(\min(m,n)\), não maior. O item testa se o aluno confunde a direção da desigualdade que define deficiência.
Dica(Resposta) Teste 11 — Posto e solvabilidade de sistemas lineares
- ✔ Verdadeiro — Acrescentar uma única coluna (\(\mathbf{b}\)) a uma matriz pode aumentar o posto em, no máximo, 1 — uma coluna nova contribui com, no máximo, uma nova direção independente. Se os postos diferem, a diferença só pode ser exatamente 1.
- ✔ Verdadeiro — Acrescentar uma coluna de zeros nunca aumenta o posto (a coluna nula é combinação linear trivial de qualquer conjunto de colunas) — por isso o sistema homogêneo sempre tem solução (ao menos a trivial), agora visto pela lente do critério de posto.
- ✔ Verdadeiro — Posto deficiente por si só não garante solubilidade — o critério exige que \(\mathbf{b}\) seja alcançável como combinação das colunas de \(A\). Ter colunas redundantes não ajuda se \(\mathbf{b}\) simplesmente não está no espaço gerado por elas.
- ✗ Falso — Um sistema pode não ter solução mesmo com \(A\) de posto completo — é o caso sobredeterminado típico de aprendizado supervisionado (\(N\gg d\), posto completo igual a \(d\), mas \(\mathbf{y}\) genericamente fora do espaço gerado pelas colunas). Posto deficiente é uma causa possível, não a única nem a mais comum nesse regime.
Dica(Resposta) Teste 12 — Multicolinearidade exata vs. quase-multicolinearidade
- ✔ Verdadeiro — Correlação exatamente \(1\) entre duas colunas significa que uma é combinação linear exata da outra — dependência linear exata, reduzindo o posto em 1 (de 4 colunas independentes para 3).
- ✔ Verdadeiro — Por mais próxima de 1 que a correlação esteja, sem ser exatamente 1 as colunas permanecem, tecnicamente, linearmente independentes (posto completo) — mas a instabilidade numérica cresce sem limite conforme a correlação se aproxima do caso exato.
- ✔ Verdadeiro — Posto completo (tecnicamente correto) não é o mesmo que “bem-condicionado na prática” — os dois conceitos, posto e estabilidade numérica, medem coisas diferentes e podem divergir.
- ✔ Verdadeiro — Peso e IMC estão relacionados (IMC = peso/altura²) mas não são proporcionais um ao outro sem envolver uma terceira variável (altura) — a mesma categoria de “correlacionados, não exatamente dependentes” do exemplo
AveRooms/AveBedrms.