Aula 4 — Fundamentos Estatísticos do Aprendizado Supervisionado
2026-08-30
A Aula 3 podou uma árvore “olhando o gráfico”. Como fazer isso de forma sistemática?
Hoje muda o objeto de estudo: não um modelo, mas o procedimento de escolher entre modelos.
Pela primeira vez no curso: dado real — Breast Cancer Wisconsin, 569 pacientes.
Roteiro: erro de treino → validação cruzada → escolha de \(k\) → Bootstrap.
Treino: 100% a partir da profundidade 6. Teste: pico em 93,0% na profundidade 5, depois estagna.
O que calculamos: Erro de Treino (Risco Empírico) \[ \hat{R}(\theta) = \frac{1}{N}\sum_{i=1}^{N} \mathcal{L}(y_i, f_\theta(x_i)) \] É a média de erros medida nos mesmos pontos usados para ajustar os parâmetros \(\theta\).
O que realmente queremos: Risco Esperado \[ R(\theta) = \mathbb{E}_{(X,Y)\sim P}[\mathcal{L}(Y,f_\theta(X))] \] É o erro que o modelo cometerá no mundo real, sobre dados novos e nunca vistos da população \(P(X,Y)\).
A Ilusão da Memorização \(\hat{R}(\theta)\) é um estimador enviesado para baixo (otimista) de \(R(\theta)\). Como \(\theta\) foi escolhido especificamente para minimizar \(\hat{R}(\theta)\), o modelo está literalmente com o gabarito da prova antes de fazê-la.
Separar dados não é apenas jogar uma moeda. O teste representa o processo gerador de dados continuando na vida real.
A regra de ouro: o split deve mimetizar o eixo de generalização desejado.
Se a árvore de profundidade 15 tem a mesma acurácia de teste da árvore de profundidade 6, por que ainda preferimos uma árvore mais rasa?
Escreva sua resposta e compare com um colega antes de avançar (2 min).
Dica
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Dica
O design do split define rigorosamente qual pergunta você está respondendo.
Consultar o teste repetidamente durante o desenvolvimento contamina o que ele deveria significar.
Um colega ajusta hiperparâmetros usando só a validação, mas de vez em quando “espia rapidinho” o teste para decidir se vale a pena continuar tentando profundidades maiores. Ele nunca usou o teste para ajustar nada — o que exatamente ele perdeu ao fazer isso?
Escreva sua resposta e compare com um colega antes de avançar (2 min).
Dica
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Dica
“Estima diretamente o erro esperado fora da amostra […] quando o método é aplicado a uma amostra de teste independente, vinda da distribuição conjunta de \(X\) e \(Y\)” (ESL, §7.10).
Cada fold = uma aproximação de “coletar uma nova amostra de teste”.
\[ \text{CV}(\hat f) = \frac{1}{N}\sum_{i=1}^{N} \mathcal{L}\bigl(y_i,\, \hat f^{-\kappa(i)}(x_i)\bigr) \]
\(k\) rodadas, cada uma treinando sem um bloco e avaliando nele. A média estima \(\mathbb{E}_{(X,Y)\sim P}[\mathcal{L}]\).
Proporção de malignos por fold (estratificado):
fold 1: 0.375 (treino inteiro: 0.372)
fold 2: 0.375 (treino inteiro: 0.372)
fold 3: 0.375 (treino inteiro: 0.372)
fold 4: 0.367 (treino inteiro: 0.372)
fold 5: 0.367 (treino inteiro: 0.372)
Sem estratificação, um fold pequeno pode, por azar, concentrar poucos ou muitos casos malignos.
Por que a média de k avaliações de validação é uma estimativa melhor do erro esperado do que um único split treino/validação?
Escreva sua resposta e compare com um colega antes de avançar (2 min).
Dica
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Dica
Escolher o número de partições (\(k\)) é equilibrar as propriedades estatísticas do próprio estimador de validação cruzada.
1. O Efeito no Viés (Bias)
2. O Efeito na Variância (Variance)
O Ponto de Equilíbrio: \(k=5\) ou \(10\) garante dados de treino suficientes (baixo viés) e diversidade suficiente entre os folds (variância controlada).
O que é o Leave-One-Out Cross-Validation?
É a validação cruzada levada ao limite: particionamos os dados em \(k = N\) partes. Em cada rodada, o modelo treina com \(N-1\) amostras e valida na única amostra deixada de fora.
Se rodarmos o 5-fold e o 10-fold múltiplas vezes (mudando apenas a “semente” do sorteio), o resultado muda. O LOOCV não tem sorteio: o resultado é um só.
1. Por que o LOOCV ficou pior que o k-fold? Teoricamente ele tem menos viés, mas “menos viés” não significa “número maior”. Significa que ele estima a realidade mais de perto. As estimativas de 5 e 10-fold podem estar ligeiramente otimistas para este dataset.
2. Por que o 10-fold variou mais que o 5-fold? Isso parece contrariar a intuição de que “mais \(k\) = mais estabilidade”. Mas em \(k\) maiores, o conjunto de validação fica muito pequeno. Avaliar um modelo numa amostra minúscula gera saltos grandes na métrica de erro dependendo de quem caiu ali.
Conclusão Prática: O livro-texto (ESL) recomenda \(k=5\) ou \(k=10\). O custo-benefício computacional é imbatível, e a estabilidade da estimativa costuma ser excelente na prática.
Se LOOCV é “quase sem viés”, por que ele não é sempre a escolha certa — e por que, nesta amostra específica, ele produziu uma estimativa MENOR do que 5-fold e 10-fold, em vez de simplesmente “mais precisa”?
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Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
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Completa: 19 folhas, teste 91,8%. Escolhida por CV: 4 folhas, teste 91,8% — igual, mais simples.
Escolhe o modelo mais simples dentro de 1 erro-padrão do melhor CV — aqui, 2 folhas.
Custo real: acurácia de teste cai para 90,1%. Parcimônia não é sempre de graça.
Se a árvore de 4 folhas e a árvore de 19 folhas empatam na acurácia de teste, o que exatamente a validação cruzada “comprou” ao escolher a mais simples?
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Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
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“Sortear, com reposição, conjuntos de dados a partir dos dados de treino […] \(B\) vezes” (ESL, §7.11).
Cada réplica \(Z^{*b}\) gera uma estatística \(S(Z^{*b})\); com \(B\) réplicas, a própria variância de \(S\) já pode ser estimada diretamente: \[ \widehat{\mathrm{Var}}[S(Z)] = \frac{1}{B-1}\sum_{b=1}^{B} \bigl(S(Z^{*b})-\bar S^*\bigr)^2 \]
Premissa usada a seguir: para \(B\) grande, os percentis empíricos das réplicas aproximam os percentis da verdadeira distribuição amostral de \(S\) — é isso que sustenta o IC percentílico do próximo slide.
Ponto: 91,8%. IC 95%: [87,7%, 95,9%] — largo, com só 171 pacientes de teste.
Reamostrar o teste: incerteza de medir a acurácia com uma amostra de teste finita.
Reamostrar o treino + reajustar: instabilidade do procedimento de ajuste em si.
CV estima risco esperado. Bootstrap estima variabilidade amostral. Perguntas complementares, não concorrentes.
Por que reamostrar o conjunto de teste e reamostrar+reajustar no conjunto de treino respondem perguntas diferentes, mesmo usando a mesma técnica de reamostragem com reposição?
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Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
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\(N=50\), \(p=5\,000\) atributos independentes do rótulo. Erro real de qualquer classificador: 50%.
Prática comum, e sutilmente errada: (1) selecionar os 100 atributos mais correlacionados com o rótulo usando toda a amostra; (2) treinar um classificador (1-vizinho-mais-próximo) só com esses 100 atributos; (3) validar esse classificador por CV.
Selecionar antes: erro estimado \({\sim}1{,}5\%\) (real: 50%!). Selecionar dentro do fold: \({\sim}48\%\), honesto.
Nossa poda: CV = 92,97% ± 2,43%. O número sozinho, sem o desvio, sugere precisão que não existe.
Por que selecionar os atributos mais correlacionados usando a amostra inteira, antes do split de CV, é uma forma de vazamento de dados mesmo que o classificador final só veja os dados de treino de cada fold?
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Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
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Próxima aula: Regressão Linear — mínimos quadrados como máxima verossimilhança sob ruído gaussiano.
UNICAMP — Instituto de Computação