Álgebra Linear e Otimização para Aprendizado de Máquina
2026-09-30
Ponto crítico: \(\nabla f=\mathbf{0}\) — parado em primeira ordem. A Aula 6 terminou com a ressalva: pode ser mínimo, máximo ou sela.
AveRooms/AveBedrms.Ideia central: o gradiente diz se a função está parada; a Hessiana (segunda ordem) diz que forma ela tem em volta. Hessiana \(\succeq0\) em todo ponto \(\Rightarrow\) função convexa \(\Rightarrow\) todo ponto crítico é mínimo global.
Nova coluna, de boa-fé: AveOtherRooms \(=\) AveRooms \(-\) AveBedrms (cômodos que não são quartos). Posto de \(X_5\): \(4\) (de 5 colunas). Com \(\mathbf{n}=(0,0,-1,1,1)\): \(X_5\mathbf{n}=\mathbf{0}\).
| \(t\) | coef. de AveRooms, AveBedrms, AveOtherRooms |
\(L\) |
|---|---|---|
| \(0\) | \(0{,}135\), \(0{,}459\), \(-0{,}324\) | \(10\,299{,}39\) |
| \(10\) | \(-9{,}865\), \(10{,}459\), \(9{,}676\) | \(10\,299{,}39\) |
| \(100\) | \(-99{,}865\), \(100{,}459\), \(99{,}676\) | \(10\,299{,}39\) |
Importante
np.linalg.solve devolve uma resposta sem erro, com \(\text{cond}(X_5^TX_5)\approx2{,}1\cdot 10^{17}\). Pergunta da aula: como saber se um ponto crítico é mínimo, único e global?
Entre os infinitos \(\boldsymbol\beta\) com exatamente a mesma perda, algum é “o certo”? O que isso diz sobre interpretar coeficientes de uma regressão?
Pense no que significa “um quarto a mais, mantidas as demais colunas fixas” quando AveOtherRooms é definida a partir de AveRooms e AveBedrms.
Pontos críticos e colunas redundantes
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
np.linalg.solve devolve uma resposta sem erro para \(X^TX\boldsymbol\beta=X^T\mathbf{y}\), então esse sistema tinha solução única.Pontos críticos e colunas redundantes — Resposta
Voltando à pergunta: nenhum é “o certo” pelos dados. A perda só enxerga \(X\boldsymbol\beta\), e todas as soluções dão as mesmas predições. “Um quarto a mais com o resto fixo” nem é possível, porque mudar AveBedrms muda AveOtherRooms. Escolher entre elas exige um critério fora da perda — é o que a Ridge fará no Bloco 4.
\(f(\mathbf{x})=\tfrac12\mathbf{x}^TP\mathbf{x}\), ponto crítico na origem. Só muda o sinal dos autovalores de \(P\):
Definição (conjunto, subconjunto, compreensão)
Um conjunto \(C\) é uma coleção de elementos: \(\mathbf{x}\in C\) ou \(\mathbf{x}\notin C\). \(C\subseteq D\) se todo elemento de \(C\) está em \(D\). Em \(\mathbb{R}^n\): \(C=\{\mathbf{x}\in\mathbb{R}^n\mid P(\mathbf{x})\}\).
Definição (Boyd, §2.1.4, p. 23; MathML, Def. 7.2, p. 236)
\(C\) é convexo se \(\mathbf{x},\mathbf{y}\in C\) e \(\theta\in[0,1]\) \(\Rightarrow\) \(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}\in C\).
\(C\) é não convexo se existem \(\mathbf{x},\mathbf{y}\in C\) e \(\theta\in[0,1]\) com \(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}\notin C\).
Semiespaço (Boyd, §2.2.1, p. 27): \(\mathbf{a}^T(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y})=\theta\,\mathbf{a}^T\mathbf{x}+(1-\theta)\,\mathbf{a}^T\mathbf{y}\le\theta b+(1-\theta)b=b\) (usa \(\theta,\,1-\theta\ge0\)).
Bola (Boyd, §2.2.2, p. 30): \(\|\theta(\mathbf{x}-\mathbf{c})+(1-\theta)(\mathbf{y}-\mathbf{c})\|\le\theta\|\mathbf{x}-\mathbf{c}\|+(1-\theta)\|\mathbf{y}-\mathbf{c}\|\le r\) (desigualdade triangular).
Anel \(\{1\le\|\mathbf{x}\|\le2\}\): \((\tfrac32,0)\) e \((-\tfrac32,0)\) estão nele; o ponto médio \(\mathbf{0}\) não. Não convexo.
Definição (função; MathML, §5, pp. 139–140; gráfico: Boyd, §3.1.7, p. 75)
\(f:D\to\mathbb{R}\), \(D\subseteq\mathbb{R}^n\), associa a cada \(\mathbf{x}\in D\) exatamente um \(f(\mathbf{x})\in\mathbb{R}\). \(D=\mathrm{dom}\,f\). Gráfico: \(\{(\mathbf{x},f(\mathbf{x}))\mid\mathbf{x}\in\mathrm{dom}\,f\}\subseteq\mathbb{R}^{n+1}\).
Definição (Boyd, §3.1.1, p. 67)
\(f\) convexa: \(\mathrm{dom}\,f\) convexo e \(f(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y})\le\theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\) para todos \(\mathbf{x},\mathbf{y}\in\mathrm{dom}\,f\), \(\theta\in[0,1]\).
Estritamente convexa: \(<\) para \(\mathbf{x}\ne\mathbf{y}\), \(0<\theta<1\). Côncava: \(-f\) convexa. Não convexa: domínio não convexo, ou existe um caso com \(>\).
Definição (Boyd, §3.1.7, p. 75)
\[ \mathrm{epi}\,f=\{(\mathbf{x},t)\in\mathbb{R}^n\times\mathbb{R}\mid\mathbf{x}\in\mathrm{dom}\,f,\ f(\mathbf{x})\le t\}\subseteq\mathbb{R}^{n+1}. \]
Teorema (Boyd, §3.1.7, p. 75 — enunciado sem prova; a prova é nossa)
\(f\) é convexa \(\iff\) \(\mathrm{epi}\,f\) é um conjunto convexo.
Tome \((\mathbf{x},s),(\mathbf{y},t)\in\mathrm{epi}\,f\), \(\theta\in[0,1]\), \(\mathbf{z}=\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}\).
Passo 1 — hipótese: \(\mathbf{x},\mathbf{y}\in\mathrm{dom}\,f\), \(f(\mathbf{x})\le s\), \(f(\mathbf{y})\le t\).
Passo 2 — domínio: \(\mathrm{dom}\,f\) convexo \(\Rightarrow\) \(\mathbf{z}\in\mathrm{dom}\,f\).
Passo 3 — altura: convexidade de \(f\), depois \(\theta\ge0\) e \(1-\theta\ge0\): \[ f(\mathbf{z})\le\theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\le\theta s+(1-\theta)t. \]
Passo 4: por \((*)\), a combinação é \((\mathbf{z},\theta s+(1-\theta)t)\in\mathrm{epi}\,f\). Epígrafe convexa.
Tome \(\mathbf{x},\mathbf{y}\in\mathrm{dom}\,f\), \(\theta\in[0,1]\), \(\mathbf{z}=\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}\).
Passo 1 — gráfico \(\subseteq\) epígrafe: \((\mathbf{x},f(\mathbf{x})),\,(\mathbf{y},f(\mathbf{y}))\in\mathrm{epi}\,f\).
Passo 2 — epígrafe convexa e \((*)\): \(\big(\mathbf{z},\ \theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\big)\in\mathrm{epi}\,f\).
Passo 3 — ler a definição de \(\mathrm{epi}\,f\): \(\mathbf{z}\in\mathrm{dom}\,f\) (domínio convexo) e \(f(\mathbf{z})\le\theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\). \(\blacksquare\)
\(f=\max\{f_1,f_2\}\), com \(f_1,f_2\) convexas. Como \(\max\{a,b\}\le t\iff a\le t\) e \(b\le t\): \[ \mathrm{epi}\,f=\mathrm{epi}\,f_1\cap\mathrm{epi}\,f_2 . \]
Teorema \(\Rightarrow\) epígrafes convexas \(\Rightarrow\) interseção convexa \(\Rightarrow\) teorema \(\Rightarrow\) \(f\) convexa (Boyd, §3.2.3, pp. 80–81).
Teorema (Boyd, §3.1.3, eq. 3.2, p. 69)
\(f\) diferenciável, \(\mathrm{dom}\,f\) aberto e convexo. \(f\) é convexa \(\iff\) \(f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{x})+\nabla f(\mathbf{x})\,(\mathbf{y}-\mathbf{x})\) para todos \(\mathbf{x},\mathbf{y}\).
Passo 1 — convexidade, \(0<t\le1\): \(f(\mathbf{x}+t(\mathbf{y}-\mathbf{x}))\le(1-t)f(\mathbf{x})+t\,f(\mathbf{y})\).
Passo 2 — subtrair \(f(\mathbf{x})\), dividir por \(t\): \[ \frac{f(\mathbf{x}+t(\mathbf{y}-\mathbf{x}))-f(\mathbf{x})}{t}\le f(\mathbf{y})-f(\mathbf{x}). \]
Passo 3 — \(t\to0^+\): com \(g(t)=f(\mathbf{x}+t(\mathbf{y}-\mathbf{x}))\), o lado esquerdo \(\to g'(0)=\nabla f(\mathbf{x})(\mathbf{y}-\mathbf{x})\) (regra da cadeia, Aula 6). Logo \(f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{x})+\nabla f(\mathbf{x})(\mathbf{y}-\mathbf{x})\).
Passo 1 — hipótese duas vezes, a partir de \(\mathbf{z}=\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}\): \[ f(\mathbf{x})\ge f(\mathbf{z})+\nabla f(\mathbf{z})(\mathbf{x}-\mathbf{z}),\qquad f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{z})+\nabla f(\mathbf{z})(\mathbf{y}-\mathbf{z}). \]
Passo 2 — pesos \(\theta\) e \(1-\theta\), somar: \[ \theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{z})+\nabla f(\mathbf{z})\big(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}-\mathbf{z}\big). \]
Passo 3: \(\theta\mathbf{x}+(1-\theta)\mathbf{y}-\mathbf{z}=\mathbf{0}\) \(\Rightarrow\) \(\theta f(\mathbf{x})+(1-\theta)f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{z})\): convexa. \(\blacksquare\)
Importante
Corolário (Boyd, p. 69). \(f\) convexa, diferenciável, \(\nabla f(\mathbf{x}^\star)=\mathbf{0}\) \(\Rightarrow\) \(f(\mathbf{y})\ge f(\mathbf{x}^\star)+\mathbf{0}\,(\mathbf{y}-\mathbf{x}^\star)=f(\mathbf{x}^\star)\) para todo \(\mathbf{y}\): minimizador global.
Uma função convexa pode ter dois minimizadores globais diferentes? E o que acontece com os pontos do segmento entre eles?
Aplique a definição com \(\theta=\tfrac12\) aos dois minimizadores e compare com o valor mínimo.
A classe das funções convexas
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
A classe das funções convexas — Resposta
Voltando à pergunta: pode, mas então todo o segmento entre eles também é minimizador. Com \(m\) o valor mínimo, a definição dá \(f(\tfrac12\mathbf{a}+\tfrac12\mathbf{b})\le\tfrac12m+\tfrac12m=m\), e nada fica abaixo de \(m\): o conjunto de minimizadores é convexo (o vale plano da Intuição). Só a convexidade estrita proíbe isso (Bloco 4).
Definição (MathML, §5.7, pp. 164–165)
\(\big[\nabla^2 f(\mathbf{x})\big]_{ij}=\dfrac{\partial^2 f}{\partial x_i\,\partial x_j}(\mathbf{x})\) — matriz \(n\times n\) das derivadas de segunda ordem.
\(g(t)=f(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\):
Passo 1 — regra da cadeia: \(g'(t)=\nabla f(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\,\mathbf{v}=\sum_i\frac{\partial f}{\partial x_i}(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\,v_i\).
Passo 2 — de novo, em cada parcial: \[ g''(t)=\sum_{i}\sum_{j}\frac{\partial^2 f}{\partial x_j\,\partial x_i}(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\,v_jv_i=\mathbf{v}^T\nabla^2 f(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\,\mathbf{v}. \]
Importante
\(\mathbf{v}^T\nabla^2f\,\mathbf{v}\) = curvatura na direção \(\mathbf{v}\). Por Rayleigh (\(\|\mathbf{v}\|=1\)): entre \(\lambda_{\min}\) e \(\lambda_{\max}\) da Hessiana — autovalores são as curvaturas extremas; autovetores, as direções.
Teorema (Boyd, §3.1.4, p. 71; MathML, §7.3, p. 237)
\(f\) duas vezes continuamente diferenciável, \(\mathrm{dom}\,f\) aberto e convexo: \(f\) convexa \(\iff\nabla^2 f(\mathbf{x})\succeq0\) para todo \(\mathbf{x}\).
Prova nossa (o Boyd a deixa como Exercício 3.8), com Taylor em 1 variável com resto de Lagrange: \(g(1)=g(0)+g'(0)+\tfrac12g''(\xi)\), \(\xi\in(0,1)\).
(\(\Leftarrow\)) Com \(\mathbf{v}=\mathbf{y}-\mathbf{x}\): \[ f(\mathbf{y})=f(\mathbf{x})+\nabla f(\mathbf{x})(\mathbf{y}-\mathbf{x})+\underbrace{\tfrac12(\mathbf{y}-\mathbf{x})^T\nabla^2f(\mathbf{x}+\xi\mathbf{v})(\mathbf{y}-\mathbf{x})}_{\ge0\ (\succeq0)} \] \(\Rightarrow\) condição de 1ª ordem \(\Rightarrow\) convexa.
(\(\Rightarrow\)) \(f\) convexa; \(g(t)=f(\mathbf{x}+t\mathbf{v})\).
Passo 1: \(g\) é convexa (combinações convexas de pontos da reta ficam na reta).
Passo 2: 1ª ordem em \((s,t)\) e \((t,s)\): \(g(s)\ge g(t)+g'(t)(s-t)\) e \(g(t)\ge g(s)+g'(s)(t-s)\). Somando: \((g'(s)-g'(t))(s-t)\ge0\) — \(g'\) não decrescente.
Passo 3: \(g''(0)\ge0\), isto é, \(\mathbf{v}^T\nabla^2f(\mathbf{x})\mathbf{v}\ge0\) para todo \(\mathbf{v}\). \(\blacksquare\)
Aviso
\(\nabla^2f\succ0\) em todo ponto \(\Rightarrow\) estritamente convexa, mas não a recíproca: \(x^4\) é estritamente convexa com \(f''(0)=0\). E o domínio convexo é indispensável: \(1/x^2\) em \(\{x\ne0\}\) tem \(f''>0\) e não é convexa (Boyd, p. 71).
\(f(\mathbf{x})=\tfrac12\mathbf{x}^TP\mathbf{x}+\mathbf{q}^T\mathbf{x}+r\), \(P\) simétrica:
Passo 1 — expandir: \(f(\mathbf{x}+\mathbf{v})=\tfrac12(\mathbf{x}+\mathbf{v})^TP(\mathbf{x}+\mathbf{v})+\mathbf{q}^T(\mathbf{x}+\mathbf{v})+r\).
Passo 2 — distribuir; simetria \(\mathbf{v}^TP\mathbf{x}=\mathbf{x}^TP\mathbf{v}\): \[ f(\mathbf{x}+\mathbf{v})=f(\mathbf{x})+(\mathbf{x}^TP+\mathbf{q}^T)\,\mathbf{v}+\tfrac12\mathbf{v}^TP\mathbf{v} \] \(\Rightarrow\nabla f(\mathbf{x})=\mathbf{x}^TP+\mathbf{q}^T\), \(\nabla^2f=P\) constante. Convexa \(\iff P\succeq0\); estritamente \(\iff P\succ0\) (Boyd, Ex. 3.2).
No ponto crítico, exatamente \(f(\mathbf{x}^\star+\mathbf{v})=f(\mathbf{x}^\star)+\tfrac12\mathbf{v}^TP\mathbf{v}\):
Para \(f\) geral, a leitura vale localmente se a Hessiana é PD ou indefinida (teste da 2ª derivada, citado sem prova); se só PSD, a 2ª ordem não decide (\(\pm x^4\)).
Num ponto crítico, a Hessiana tem autovalores \(3\) e \(-1\). O que acontece com \(f\) quando você dá um passo pequeno ao longo de cada autovetor?
Para uma quadrática, \(f(\mathbf{x}^\star+\mathbf{v})=f(\mathbf{x}^\star)+\tfrac12\mathbf{v}^TP\mathbf{v}\); use \(\mathbf{v}=\varepsilon\,\mathbf{u}_i\), com \(\mathbf{u}_i\) autovetor unitário.
Hessiana e convexidade
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Hessiana e convexidade — Resposta
Voltando à pergunta: \(f(\mathbf{x}^\star+\varepsilon\mathbf{u}_1)=f(\mathbf{x}^\star)+\tfrac32\varepsilon^2\) (sobe) e \(f(\mathbf{x}^\star+\varepsilon\mathbf{u}_2)=f(\mathbf{x}^\star)-\tfrac12\varepsilon^2\) (desce): é uma sela, e o autovetor do autovalor negativo é uma direção de fuga. Para \(f\) não quadrática, o mesmo vale para \(\varepsilon\) pequeno.
Passo 1 — gradiente como coluna (Aula 6): \((\nabla_{\boldsymbol\beta}L)^T=2X^T(X\boldsymbol\beta-\mathbf{y})=2X^TX\boldsymbol\beta-2X^T\mathbf{y}\).
Passo 2 — Jacobiano de função afim \(M\boldsymbol\beta+\mathbf{c}\) é \(M\) (como \(J_{\mathbf r}=X\) na Aula 6): \[ \nabla^2_{\boldsymbol\beta}L=2X^TX \quad\text{(constante em }\boldsymbol\beta). \]
Passo 1: \(\mathbf{r}=X\boldsymbol\beta-\mathbf{y}\) \(\Rightarrow\) \(L(\boldsymbol\beta+\mathbf{v})=\|\mathbf{r}+X\mathbf{v}\|^2\).
Passo 2 — \(\|\mathbf{a}+\mathbf{b}\|^2=\|\mathbf{a}\|^2+2\mathbf{a}^T\mathbf{b}+\|\mathbf{b}\|^2\): \[ L(\boldsymbol\beta+\mathbf{v})=\underbrace{\|\mathbf{r}\|^2}_{L(\boldsymbol\beta)}+\underbrace{2\mathbf{r}^TX}_{\nabla_{\boldsymbol\beta}L}\,\mathbf{v}+\tfrac12\,\mathbf{v}^T\underbrace{(2X^TX)}_{\nabla^2_{\boldsymbol\beta}L}\,\mathbf{v} \]
Importante
Curvatura na direção \(\mathbf{v}\): \(\mathbf{v}^T(2X^TX)\mathbf{v}=2\|X\mathbf{v}\|^2\ge0\) — sempre convexa, nula exatamente quando \(X\mathbf{v}=\mathbf{0}\).
Proposição (convexidade da perda quadrática)
\(L\) é convexa. (1) Posto coluna completo \(\Rightarrow 2X^TX\succ0\) \(\Rightarrow\) minimizador único (equações normais). (2) Caso contrário, minimizadores \(=\boldsymbol\beta^\star+\mathcal{N}(X)\).
| Matriz | autovalores de \(X^TX\) | \(\text{cond}\) |
|---|---|---|
| \(X\) (4 colunas) | \(747{,}3\), \(52\,666{,}0\), \(273\,990{,}3\), \(17\,530\,938{,}8\) | \(23\,460{,}5\) |
\(X_5\) (+ AveOtherRooms) |
\(8{,}3\cdot 10^{-11}\), \(1\,397{,}0\), \(55\,648{,}4\), \(410\,291{,}5\), \(17\,779\,973{,}3\) | \(2{,}1\cdot 10^{17}\) |
A Hessiana da perda quadrática não depende de \(\boldsymbol\beta\). Que consequência prática isso tem para verificar convexidade, e por que isso deixa de valer numa rede neural com camadas ocultas?
Compare “checar \(\nabla^2L\succeq0\) em um ponto” com “checar em todos os pontos” quando a Hessiana muda, ou não, com os parâmetros.
A geometria da perda quadrática
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
A geometria da perda quadrática — Resposta
Voltando à pergunta: com Hessiana constante, checar \(2X^TX\succeq0\) uma vez vale para todo \(\boldsymbol\beta\), e a convexidade sai de graça. Numa rede com camadas ocultas, a Hessiana depende dos pesos: ela pode ser PSD perto de um ponto e indefinida perto de outro, e a condição de segunda ordem exige checar todos — é por isso que redes profundas não herdam a garantia.
\(L_\lambda(\boldsymbol\beta)=\|X\boldsymbol\beta-\mathbf{y}\|^2+\lambda\|\boldsymbol\beta\|^2\), \(\lambda>0\).
Passo 1 — penalidade é quadrática: \(\lambda\boldsymbol\beta^T\boldsymbol\beta=\tfrac12\boldsymbol\beta^T(2\lambda I)\boldsymbol\beta\) \(\Rightarrow\) Hessiana \(2\lambda I\) (Bloco 2).
Passo 2 — Hessiana da soma: \(\nabla^2L_\lambda=2X^TX+2\lambda I=2(X^TX+\lambda I)\).
Passo 3 — autovalores deslocados: \(X^TX\mathbf{u}=\mu\mathbf{u}\Rightarrow(X^TX+\lambda I)\mathbf{u}=(\mu+\lambda)\mathbf{u}\).
Importante
Mesmos autovetores; autovalores \(\mu+\lambda\ge\lambda>0\) \(\Rightarrow\) Hessiana definida positiva para qualquer posto de \(X\). Na direção \(\mathbf{n}\) do vale, a curvatura vai de \(0\) a \(2\lambda\).
Lema. Estritamente convexa \(\Rightarrow\) no máximo um minimizador: se \(\mathbf{a}\ne\mathbf{b}\) tivessem valor \(m\), \(f(\tfrac12\mathbf{a}+\tfrac12\mathbf{b})<m\). \(\blacksquare\) (Existência é outra história: \(e^x\) é estritamente convexa sem mínimo.)
Passo 1 — gradiente: \(\nabla L_\lambda=2(X\boldsymbol\beta-\mathbf{y})^TX+2\lambda\boldsymbol\beta^T\).
Passo 2 — zerar e transpor: \((X^TX+\lambda I)\boldsymbol\beta=X^T\mathbf{y}\).
Passo 3 — existência: autovalores \(\ge\lambda>0\) \(\Rightarrow\) invertível \(\Rightarrow\boldsymbol\beta_\lambda=(X^TX+\lambda I)^{-1}X^T\mathbf{y}\), minimizador global (Corolário, Bloco 1). Passo 4 — unicidade: Lema. \(\blacksquare\)
| \(\lambda\) | menor / maior autovalor | \(\text{cond}\) | coef. AveRooms, AveBedrms, AveOtherRooms |
perda de treino |
|---|---|---|---|---|
| \(0\) | \(8{,}3\cdot 10^{-11}\) / \(1{,}8\cdot 10^{7}\) | \(2{,}1\cdot 10^{17}\) | não únicos | \(10\,299{,}39\) |
| \(1\) | \(1{,}00\) / \(1{,}8\cdot 10^{7}\) | \(1{,}8\cdot 10^{7}\) | \(0{,}1353\), \(0{,}4587\), \(-0{,}3233\) | \(10\,299{,}39\) |
| \(100\) | \(100{,}00\) / \(1{,}8\cdot 10^{7}\) | \(1{,}8\cdot 10^{5}\) | \(0{,}1249\), \(0{,}4261\), \(-0{,}3012\) | \(10\,301{,}82\) |
A Ridge “fecha” o vale plano. Isso significa que ela descobre qual combinação de AveRooms, AveBedrms e AveOtherRooms é a verdadeira?
Pense no critério que a penalidade usa para desempatar os \(\boldsymbol\beta^\star+t\mathbf{n}\), e se esse critério tem algo a ver com casas.
Ridge, autovalores e unicidade
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Ridge, autovalores e unicidade — Resposta
Voltando à pergunta: não. Os dados não distinguem os \(\boldsymbol\beta^\star+t\mathbf{n}\): todos dão as mesmas predições. A Ridge desempata com um critério nosso, o de menor \(\|\boldsymbol\beta\|^2\), que tem a ver com estabilidade numérica e com evitar coeficientes enormes, não com a “verdade” sobre quartos. A convexidade estrita garante que o problema tem uma resposta, não que a resposta tem significado causal.
Dica
Aula 8 — descida do gradiente: passos contra o gradiente (Aula 6). A convexidade garante que gradiente nulo é mínimo global; os autovalores da Hessiana dizem que passo usar e quantos passos serão necessários — e o número de condição mede o ziguezague numa tigela alongada.
UNICAMP — Instituto de Computação