Soluções — Aula 4: Modelos de Mistura Gaussiana e o Algoritmo EM
Aprendizado Não Supervisionado
Dica(Resposta) Teste 1 — Partição rígida vs. probabilística
- ✗ Falso — Não é só uma questão de apresentação — os métodos otimizam objetivos diferentes (distorção rígida vs. verossimilhança sob um modelo gerador com variável latente) e usam noções diferentes de “pertencimento” (densidade local conectada, ou distância a centróide, vs. probabilidade posterior sob um modelo global). Arredondar uma responsabilidade não reproduz a lógica de conectividade de um método baseado em densidade, nem vice-versa.
- ✔ Verdadeiro — Um vale de densidade genuíno geralmente corresponde a componentes gaussianos bem separados (médias distantes relativas às covariâncias) — nesse regime, a razão de Bayes já favorece fortemente um dos dois componentes para a maioria dos pontos, mesmo sem forçar o limite \(\epsilon\to0\) da equivalência com o KMeans. Ser “probabilístico” não significa “sempre ambíguo”: significa que a ferramenta consegue expressar ambiguidade quando ela existe, não que a produz artificialmente.
- ✔ Verdadeiro — É exatamente o contraste central do GMM com métodos que reconhecem “ruído”: pontos que um método baseado em densidade descartaria por não terem vizinhança densa o bastante recebem, no GMM, uma responsabilidade concreta (ambígua ou não) para cada componente — nenhum ponto fica sem resposta.
- ✗ Falso — É o oposto: uma responsabilidade \(50/50\) é a resposta honesta do modelo quando a evidência realmente não pende para nenhum lado (sobreposição real entre populações) — não um sintoma de bug ou de não-convergência.
Dica(Resposta) Teste 2 — Variável latente e a história geradora do GMM
- ✗ Falso — É exatamente o oposto da premissa do modelo: \(z_n\) nunca é observado — só \(\mathbf{x}_n\) é. É justamente por não observar \(z_n\) que Bayes é necessário para inferir a probabilidade posterior \(\gamma(z_{nk})=p(z_{nk}=1\mid\mathbf{x}_n)\).
- ✔ Verdadeiro — É a própria definição da codificação 1-de-\(K\): um vetor binário com exatamente uma coordenada igual a \(1\) — nunca zero, nunca mais de uma, por construção.
- ✔ Verdadeiro — Com \(\pi_1=1\) e os demais nulos, a soma \(\sum_k\pi_k\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid\mu_k,\Sigma_k)\) tem um único termo sobrevivente, \(\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid\mu_1,\Sigma_1)\) — o modelo de mistura colapsa exatamente ao ajuste de uma única gaussiana quando um único componente concentra toda a massa a priori (ou quando \(K=1\)).
- ✔ Verdadeiro — Somar \(p(z)p(\mathbf{x}\mid z)\) sobre os \(K\) estados de \(z\) recupera exatamente \(p(\mathbf{x})=\sum_k\pi_k\mathcal{N}( \mathbf{x}\mid\mu_k,\Sigma_k)\) — a mesma soma ponderada de gaussianas que já seria matematicamente possível escrever sem nenhuma história geradora, agora justificada por uma variável latente explícita: cada ponto nasceu de uma população específica, que não se observa.
Dica(Resposta) Teste 3 — Log-verossimilhança do GMM e a necessidade do EM
- ✔ Verdadeiro — Com \(K=1\), a soma dentro do logaritmo tem um único termo — \(\ln[\pi_1\mathcal{N}(\mathbf{x}_n\mid\mu_1,\Sigma_1)]\) —, e o \(\ln\) age diretamente sobre a exponencial gaussiana, cancelando limpo, exatamente como na solução fechada do ajuste de uma única gaussiana por máxima verossimilhança.
- ✗ Falso — É o oposto: uma singularidade é um caso patológico de overfitting de um único ponto (a variância de um componente colapsa exatamente sobre ele, levando a densidade — e a log-verossimilhança — a infinito), não um bom ajuste. É por isso que se buscam máximos locais bem-comportados, não o “máximo global” degenerado.
- ✔ Verdadeiro — São dois problemas distintos: múltiplos máximos locais (mitigado por múltiplas inicializações, mantendo a de maior verossimilhança) e singularidades (que exigem salvaguardas específicas, como um piso mínimo de variância, já embutidas em implementações como o
sklearn). - ✗ Falso — Se houvesse solução fechada, não haveria motivo algum para usar um algoritmo iterativo — o EM existe precisamente porque não há forma fechada; com solução fechada, o EM seria estritamente desnecessário.
Dica(Resposta) Teste 4 — O Passo E: responsabilidades e Bayes
- ✗ Falso — É o oposto: \(\pi_k\) é a probabilidade a priori; \(\gamma(z_{nk})=p(z_{nk}=1\mid\mathbf{x}_n)\) é a probabilidade a posteriori, calculada depois de observar \(\mathbf{x}_n\), via Bayes.
- ✔ Verdadeiro — A fórmula de Bayes de \(\gamma(z_{nk})\) normaliza pela soma sobre todos os \(K\) componentes no denominador — por construção, a soma das responsabilidades de um ponto é sempre \(1\), quaisquer que sejam os parâmetros correntes.
- ✔ Verdadeiro — Com densidades idênticas nos dois componentes (\(\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid\mu_1,\Sigma_1)=\mathcal{N}(\mathbf{x}\mid \mu_2,\Sigma_2)\) para todo \(\mathbf{x}\)), a razão de Bayes cancela o termo de densidade e \(\gamma(z_{nk})=\pi_k\) exatamente — então, neste caso degenerado específico, “maior peso \(\Rightarrow\) responsabilidade maior” é verdade. A afirmação só vale sob a hipótese de densidades idênticas já dada no enunciado, não como regra geral.
- ✔ Verdadeiro — É a lógica central do ciclo EM: \(\gamma(z_{nk})\) é função dos parâmetros correntes, não uma etiqueta fixa — mudar os parâmetros no Passo M invalida as responsabilidades antigas, exigindo um novo Passo E.
Dica(Resposta) Teste 5 — O Passo M: atualizações ponderadas
- ✔ Verdadeiro — Com \(\gamma(z_{nk})=1/K\) constante, \(N_k=N/K\) para todo \(k\), e \(\mu_k=\frac{1}{N/K}\sum_n\frac1K\mathbf{x}_n=\frac1N \sum_n\mathbf{x}_n\) — a média aritmética simples de todos os \(N\) pontos, igual para todos os componentes (caso degenerado em que nenhum componente é informativo).
- ✔ Verdadeiro — \(N_k=\sum_n\gamma(z_{nk})\) é uma soma de números reais entre \(0\) e \(1\) (responsabilidades fracionárias) — não uma contagem de pontos. Um componente que “convence” \(50\) pontos por completo e mais \(20\) pontos pela metade tem \(N_k=60{,}0\) exatamente por acaso; em geral o resultado é fracionário.
- ✗ Falso — É o oposto do que o algoritmo especifica: dentro do mesmo Passo M, calcula-se primeiro o novo \(\mu_k\), e depois usa-se esse valor já atualizado para calcular \(\Sigma_k\) — a mesma ordem já usada no ajuste de uma única gaussiana por máxima verossimilhança. Usar o \(\mu_k\) antigo produziria uma covariância inconsistente com a média corrente.
- ✔ Verdadeiro — É exatamente essa a assimetria entre os três parâmetros: \(\mu_k\) e \(\Sigma_k\) são livres (qualquer vetor/matriz definida positiva serve), então suas derivadas igualadas a zero já satisfazem as restrições automaticamente; só \(\pi_k\) tem uma restrição de soma a respeitar, exigindo o multiplicador de Lagrange para incorporar essa restrição na otimização.
Dica(Resposta) Teste 6 — KMeans como caso limite do GMM
- ✔ Verdadeiro — A derivação da equivalência com o KMeans depende especificamente de um único \(\epsilon\) compartilhado — é essa premissa que faz o termo de normalização \((2\pi\epsilon)^{D/2}\) cancelar igualmente entre componentes na razão de Bayes, sobrando só a comparação das distâncias \(\|\mathbf{x}-\mu_k\|^2\). Com \(\epsilon_k\) diferentes, o termo de normalização não cancela, e a “vitória” de um componente no limite dependeria de uma combinação de distância e da razão entre os \(\epsilon_k\), não seria idêntica à regra pura “vizinho mais próximo” do KMeans.
- ✔ Verdadeiro — O resultado vale independentemente dos valores de \(\pi_k\), desde que nenhum seja exatamente zero — a dominância vem da divisão por \(\epsilon\to0\) dentro da exponencial (a diferença de distância ao quadrado, dividida por um \(\epsilon\) minúsculo, vira uma diferença enorme na exponencial), não de qualquer relação entre os pesos de mistura.
- ✗ Falso — É o contrário: com \(\epsilon\) grande relativo à escala dos dados, a responsabilidade fica próxima de uniforme, não rígida — numa verificação numérica com \(\epsilon=1{,}0\) (grande), a responsabilidade média máxima foi só \(0{,}904\), e a concordância com o KMeans, \(95{,}78\%\), ambos bem longe de \(1\)/\(100\%\). É precisamente o \(\epsilon\) pequeno que aproxima do KMeans; formato esférico e idêntico sozinho não basta sem o limite \(\epsilon\to0\).
- ✔ Verdadeiro — É a consequência direta da premissa \(\Sigma_k= \epsilon I\) idêntico para todos os componentes: todo cluster do KMeans é, por construção, esférico e do mesmo “raio” efetivo — uma elipse alongada e maior que as demais, como as que um GMM completo pode ajustar, simplesmente não é representável nesse regime.
Dica(Resposta) Teste 7 — Um resultado real: GMM vs. um método baseado em densidade
- ✗ Falso — A comparação de ARI favorece estruturalmente o GMM aqui porque ele atribui todo mundo a algum componente, enquanto o método baseado em densidade descarta \(29{,}5\%\) dos pontos como ruído (o que já penaliza esse ARI, calculado excluindo o ruído) — isso é uma consequência de como cada método trata os pontos difíceis deste dataset, não uma prova de superioridade geral de um método sobre o outro.
- ✔ Verdadeiro — É exatamente a diferença de contabilidade entre os dois números citados: o ARI de \(0{,}792\) do GMM usa todos os \(569\) pacientes; já o ARI de \(0{,}644\) do método baseado em densidade exclui explicitamente os \(168\) pacientes de ruído da comparação, exigindo essa exclusão para ser calculado daquela forma.
- ✗ Falso — O componente \(1\) do GMM tem pureza \(189/197\approx 95{,}9\%\) — alta, mas estritamente menor que os \(100\%\) de pureza do cluster de \(54\) pacientes do método baseado em densidade. O GMM cobre bem mais pacientes malignos (\(189\) vs. \(54\)), mas ao custo de incluir \(8\) benignos que o cluster mais restrito do outro método não incluía — um trade-off entre cobertura e pureza, não uma superioridade em ambos os eixos ao mesmo tempo.
- ✗ Falso — Verificado numericamente: dos \(9\) pacientes com responsabilidade do GMM próxima de \(50\%/50\%\), só \(3\) foram marcados como ruído pelo método baseado em densidade — os outros \(6\) caíram dentro do cluster majoritariamente benigno desse método, apesar de o GMM os achar ambíguos. Os dois fenômenos vêm de critérios diferentes (densidade local vs. probabilidade posterior global) e não coincidem necessariamente ponto a ponto, mesmo nascendo da mesma região geral de sobreposição entre as duas populações.