Supervised Learning
2026-10-18
O Que a Aula 9 Estabeleceu (Bagging e Random Forests)
A Tese de Jerome Friedman (2001)
Ajustar árvores aos resíduos sequenciais equivale analiticamente a realizar descida de gradiente no espaço de funções, onde o resíduo generalizado é o gradiente negativo da perda avaliado na iteração anterior: \[r_{im} = -\left[\frac{\partial L(y_i, f(\mathbf{x}_i))}{\partial f(\mathbf{x}_i)}\right]_{f=f_{m-1}}\]
Conclusão do Problema Motivador
Com apenas 100 árvores rasas de profundidade 3, o Gradient Tree Boosting supera a Random Forest completa de árvores profundas, atingindo menor erro de teste através da otimização sequencial de resíduos.
Pergunta aberta provocadora
Um cientista de dados propõe treinar um Gradient Tree Boosting utilizando árvores profundas e não podadas com \(J = 256\) nós terminais, exatamente como fez na Random Forest da Aula 9. Avalie o que ocorrerá com os resíduos das iterações subsequentes e com o erro de generalização no conjunto de teste.
Julgamento de V ou F
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Julgamento de V ou F — Resposta
Voltando à pergunta: Ao treinar árvores profundas (\(J = 256\)) no Boosting, a primeira árvore já memoriza quase perfeitamente os dados de treino. Os resíduos para a iteração 2 serão puro ruído estocástico, fazendo com que as árvores subsequentes amplifiquem o sobreajuste e destruam o erro de generalização. O Boosting exige modelos base fracos e restritos.
Pergunta aberta provocadora
Por que não podemos simplesmente atualizar diretamente os valores das predições de treino fazendo \(f_m(\mathbf{x}_i) = f_{m-1}(\mathbf{x}_i) + \rho r_{im}\) para cada ponto observado \(i = 1, \dots, N\), dispensando completamente a indução da árvore de regressão?
Julgamento de V ou F
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Julgamento de V ou F — Resposta
Voltando à pergunta: Atualizar diretamente as predições nos pontos de treino resolveria a perda empírica, mas resultaria em um vetor discreto incapaz de predizer instâncias inéditas. A árvore de regressão atua como um mecanismo de generalização indutiva, projetando o gradiente discreto em uma função contínua por partes definida em todo o espaço de entrada.
A Heurística Gulosa do FSAM (ESL §10.2)
Em vez de otimizar os \(M\) modelos simultaneamente, congela-se \(f_{m-1}\) e busca-se apenas o próximo incremento: \[(\beta_m, \gamma_m) = \arg\min_{\beta, \gamma} \sum_{i=1}^N L\big(y_i, f_{m-1}(\mathbf{x}_i) + \beta h(\mathbf{x}_i; \gamma)\big)\]
O Algoritmo AdaBoost.M1 (Freund & Schapire, 1997)
AdaBoost Desmistificado: FSAM com Perda Exponencial
O AdaBoost.M1 é analiticamente um FSAM minimizando \(L(y, f) = e^{-yf}\) (\(y \in \{-1, +1\}\)): \[\min_{\alpha, h} \sum_{i=1}^N \underbrace{e^{-y_i f_{m-1}(\mathbf{x}_i)}}_{w_i^{(m)} \text{ (peso histórico)}} e^{-\alpha y_i h(\mathbf{x}_i)}\]
As Duas Decisões do AdaBoost em Forma Direta
Atualização Recurrente dos Pesos
Como \(f_m(\mathbf{x}) = f_{m-1}(\mathbf{x}) + \alpha_m h_m(\mathbf{x})\): \[w_i^{(m+1)} = \underbrace{\exp\big(-y_i f_{m-1}(\mathbf{x}_i)\big)}_{w_i^{(m)}} \cdot \exp\big(-\alpha_m y_i h_m(\mathbf{x}_i)\big) = w_i^{(m)} \exp\big(-\alpha_m y_i h_m(\mathbf{x}_i)\big)\]
Minimizador Populacional e Log-Odds de Bayes (ESL §10.4)
Minimizando a perda exponencial esperada \(\mathbb{E}_{Y\mid\mathbf{x}}[e^{-Yf}]\): \[\frac{\partial}{\partial f}\big[ P(Y=1\mid\mathbf{x})e^{-f} + P(Y=-1\mid\mathbf{x})e^{+f} \big] = 0 \implies e^{2f} = \frac{P(Y=1\mid\mathbf{x})}{P(Y=-1\mid\mathbf{x})}\] \[f^*(\mathbf{x}) = \frac{1}{2} \ln \left( \frac{P(Y=1\mid\mathbf{x})}{P(Y=-1\mid\mathbf{x})} \right) = \frac{1}{2}\text{logit}\big(P(Y=1\mid\mathbf{x})\big)\]
A Patologia Grave: Sensibilidade Extrema a Outliers
O Dilema do AdaBoost e a Perda Exponencial
Conexão com o Próximo Bloco
O Gradient Tree Boosting permite otimizar qualquer função de perda diferenciável com aprendizes fracos \(\to\) Bloco 2!
Pergunta aberta provocadora
Em uma aplicação de detecção de fraudes com dados bancários altamente contaminados por registros fraudulentos atípicos, um cientista observa que o AdaBoost entra em sobreajuste severo após 25 iterações. Por que a formulação matemática da função de perda exponencial explica essa falha catastrófica perante outliers?
Julgamento de V ou F
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Julgamento de V ou F — Resposta
Voltando à pergunta: A perda exponencial \(e^{-yf}\) impõe uma punição exponencialmente desproporcional a erros graves. Em dados com ruído, outliers acumulam pesos astronômicos, forçando as árvores seguintes a distorcerem suas fronteiras de decisão exclusivamente para acomodar anomalias, destruindo a acurácia de teste nos dados normais.
Definição Formal de Pseudo-Resíduo (Friedman, 2001)
\[r_{im} = -\left[\frac{\partial L(y_i, f(\mathbf{x}_i))}{\partial f(\mathbf{x}_i)}\right]_{f(\mathbf{x}) = f_{m-1}(\mathbf{x})}, \quad i = 1, \dots, N\]
| Função de Perda | Expressão \(L(y, f)\) | Pseudo-Resíduo \(r_{im} = -\frac{\partial L}{\partial f}\) |
|---|---|---|
| Mínimos Quadrados (\(L_2\)) | \(\frac{1}{2}(y - f)^2\) | \(y_i - f_{m-1}(\mathbf{x}_i)\) |
| Mínimos Absolutos (\(L_1\)) | \(\|y - f\|\) | \(\text{sign}(y_i - f_{m-1}(\mathbf{x}_i))\) |
| Perda de Huber | Quadrática em \(\le \delta\), linear em \(> \delta\) | \(y_i - f_{m-1}\) se \(\|e\| \le \delta\); \(\delta\,\text{sign}(e)\) se \(\|e\| > \delta\) |
| Deviance Binomial | \(-[y \ln p + (1-y)\ln(1-p)]\) | \(y_i - p_{m-1}(\mathbf{x}_i)\) |
A Unificação Elegante
Seja em regressão clássica, regressão robusta ou probabilidade logística, o Gradient Boosting sempre ajusta árvores sobre resíduos bem definidos derivados do gradiente negativo.
Algoritmo 10.3 (ESL / Friedman 2001)
Pergunta aberta provocadora
Ao modelar uma variável financeira com caudas pesadíssimas e valores atípicos de milhões de dólares, um engenheiro substitui a perda quadrática \(L_2\) pela perda absoluta \(L_1\). Como essa mudança altera o pseudo-resíduo de treinamento e o cálculo do valor constante ótimo \(\gamma_{jm}\) que atualiza cada folha da árvore?
Julgamento de V ou F
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Julgamento de V ou F — Resposta
Voltando à pergunta: Ao trocar \(L_2\) por \(L_1\), o pseudo-resíduo passa de \((y - f)\) para \(\text{sign}(y - f)\), tornando a direção de descida cega a discrepâncias extremas. Na folha terminal, a busca linear troca a média amostral pela mediana dos resíduos, conferindo ao Gradient Boosting robustez extrema contra caudas pesadas.
Teorema de Ordem de Interação (ESL §10.11)
Uma árvore com \(J\) folhas modela no máximo interações de ordem \(J - 1\).
Pergunta aberta provocadora
Um analista ajusta um modelo Gradient Tree Boosting com \(\nu = 1{,}0\) e descobre que \(M = 30\) árvores atingem o menor erro de validação. Ele então decide reduzir \(\nu\) para \(\nu = 0{,}02\), mantendo fixas exatamente as mesmas 30 árvores. O que acontecerá com o desempenho do modelo e como ele deve reconfigurar \(M\) para usufruir dos benefícios do encolhimento?
Julgamento de V ou F
Julgue V ou F — a questão só conta se acertar os 4 itens:
Julgamento de V ou F — Resposta
Voltando à pergunta: Reduzir \(\nu\) para \(0{,}02\) mantendo apenas 30 árvores causará subajuste severo (underfitting), pois o comitê terá percorrido uma fração ínfima do caminho até o ótimo funcional. O analista deve multiplicar \(M\) por um fator de 20 a 50 (expandindo para \(M \in [600, 1500]\)) com parada antecipada para colher a redução de erro de generalização.
Síntese: Bagging vs. Boosting
Próxima Parada: Aula 11 — Máquinas de Vetores de Suporte (SVM)
UNICAMP — Instituto de Computação