Soluções — Regularização e Estimativa MAP Bayesiana

Aula 7 — Do Controle de Complexidade à Incerteza dos Parâmetros

Autor

Marcos M. Raimundo — Instituto de Computação, UNICAMP

Aula Exercícios

Questões de Verdadeiro/Falso

NotaTeste 1 — Multicolinearidade e a Fórmula Fechada de Ridge
  • □ Se duas colunas de \(X\) forem apenas aproximadamente correlacionadas (não exatamente colineares), a matriz \(X^TX\) é tecnicamente invertível, mas seu número de condição (razão entre maior e menor autovalor) tende a ser muito alto, produzindo o mesmo sintoma prático de coeficientes instáveis observado no caso exatamente colinear.
  • □ Se, em vez de somar \(\lambda I\), somássemos uma matriz diagonal com entradas diferentes para cada coeficiente, \(\text{diag}(\lambda_1,\dots,\lambda_D)\), a solução ainda teria forma fechada \((X^TX+\text{diag}(\lambda_1,\dots,\lambda_D))^{-1}X^T\mathbf{y}\), mas a penalidade correspondente deixaria de ser a norma \(L_2\) padrão \(\|\boldsymbol\beta\|^2\).
  • □ O mesmo remédio algébrico (somar uma matriz diagonal positiva a uma Hessiana antes de invertê-la) também é útil como técnica de estabilização numérica do algoritmo IRLS da Aula 6, no cenário em que a matriz diagonal \(R\) quase satura (probabilidades muito próximas de \(0\) ou \(1\)).
  • □ Como Ridge sempre produz uma matriz invertível para \(\lambda>0\), isso implica que aumentar \(\lambda\) indefinidamente sempre melhora a qualidade preditiva do modelo em dados de teste.
Dica(Resposta) Teste 1 — Multicolinearidade e a Fórmula Fechada de Ridge
  • ✔ Verdadeiro — um autovalor pequeno (não necessariamente zero) já faz \((X^TX)^{-1}\) amplificar ruído; a instabilidade é uma questão de condicionamento, não só de singularidade exata.
  • ✔ Verdadeiro — a fórmula fechada continua válida com qualquer matriz diagonal positiva somada a \(X^TX\); a penalidade correspondente passa a ser \(\sum_j \lambda_j\beta_j^2\), uma soma ponderada, não mais \(\lambda\|\boldsymbol\beta\|^2\).
  • ✔ Verdadeiro — somar uma pequena constante à diagonal de \(R\) (ou de \(X^TRX\)) antes de resolver o sistema de Newton é uma técnica padrão de estabilização numérica quando a Hessiana se aproxima da singularidade, mesma lógica algébrica do Ridge.
  • ✗ Falso — \(\lambda\) muito grande força \(\boldsymbol\beta\to\mathbf{0}\), subajustando o modelo (alto viés); existe um ponto ótimo intermediário, não um “quanto maior, melhor” (tema formalizado na Aula 8).
NotaTeste 2 — Ridge, Lasso e o Compromisso Viés-Variância
  • □ No limite \(\lambda\to\infty\), tanto Ridge quanto Lasso convergem para o modelo trivial \(\boldsymbol\beta=\mathbf{0}\), que tem variância nula, mas viés igual à magnitude do próprio efeito verdadeiro que se deixou de capturar.
  • □ Se o processo gerador verdadeiro dos dados tivesse apenas dois coeficientes não nulos entre muitos atributos candidatos, o Lasso tenderia a recuperar essa estrutura esparsa com mais fidelidade do que o Ridge, que tende a manter todos os coeficientes não nulos, ainda que pequenos.
  • □ O mesmo compromisso entre viés e variância controlado por um hiperparâmetro de penalidade aparece na escolha da profundidade máxima de uma árvore de decisão: árvores mais rasas têm mais viés e menos variância, análogo a um \(\lambda\) maior.
  • □ Como Ridge tem solução fechada e Lasso não, Ridge é sempre computacionalmente mais eficiente e deve ser preferido sempre que os dois métodos produzirem erro de teste equivalente.
Dica(Resposta) Teste 2 — Ridge, Lasso e o Compromisso Viés-Variância
  • ✔ Verdadeiro — \(\boldsymbol\beta=\mathbf{0}\) é uma previsão determinística (variância zero entre reamostragens), mas seu viés é exatamente a magnitude do efeito real não capturado.
  • ✔ Verdadeiro — é a motivação prática central de Lasso: quando a estrutura verdadeira é esparsa, sua penalidade \(L_1\) casa melhor com essa estrutura do que o encolhimento uniforme do Ridge.
  • ✔ Verdadeiro — profundidade de árvore, número de vizinhos em \(k\)-NN, grau de um polinômio: todos são hiperparâmetros de complexidade com o mesmo compromisso estrutural viés-variância.
  • ✗ Falso — eficiência computacional não é o único critério; interpretabilidade e seleção de variáveis (exclusivas do Lasso) frequentemente pesam mais do que o custo do ajuste numérico, mesmo com erro de teste equivalente.
NotaTeste 3 — A Estimativa MAP e o Teorema de Bayes
  • □ Se a distribuição a priori \(p(\boldsymbol\beta)\) for extremamente concentrada (variância tendendo a zero) em torno de um valor específico \(\boldsymbol\beta_0\), a estimativa MAP converge para \(\boldsymbol\beta_0\), independentemente dos dados observados.
  • □ Se, em vez de maximizar a posterior \(p(\boldsymbol\beta\mid\mathcal{D})\), calculássemos sua média (o valor esperado \(\mathbb{E}[\boldsymbol\beta\mid\mathcal{D}]\)), obteríamos necessariamente o mesmo valor que a estimativa MAP, pois toda distribuição de probabilidade tem média igual à moda.
  • □ O mesmo princípio de combinar uma verossimilhança com uma prior via o Teorema de Bayes, usado aqui para regularizar coeficientes de regressão, é a base do classificador Naive Bayes, em que uma prior sobre as classes é combinada com a verossimilhança dos atributos observados.
  • □ Como a estimativa MAP usa uma distribuição a priori, ela é sempre mais “subjetiva” e menos rigorosa cientificamente do que a estimativa de Máxima Verossimilhança, que não faz nenhuma suposição sobre os parâmetros.
Dica(Resposta) Teste 3 — A Estimativa MAP e o Teorema de Bayes
  • ✔ Verdadeiro — uma prior com variância \(\to 0\) é, no limite, um ponto de massa em \(\boldsymbol\beta_0\); nenhuma verossimilhança finita consegue deslocar a posterior para longe dele.
  • ✗ Falso — média e moda coincidem para distribuições simétricas unimodais (como a Gaussiana), mas não em geral (por exemplo, distribuições assimétricas); a afirmação de que isso vale “sempre” é falsa.
  • ✔ Verdadeiro — Naive Bayes calcula \(p(C_k\mid\mathbf{x}) \propto p(\mathbf{x}\mid C_k)p(C_k)\), exatamente a estrutura verossimilhança × prior do Teorema de Bayes usada aqui para os parâmetros.
  • ✗ Falso — falsa dicotomia: o MLE também carrega suposições implícitas (a família da verossimilhança escolhida, por exemplo); “não ter prior explícita” não é o mesmo que “não fazer suposição nenhuma”.
NotaTeste 4 — Prior Gaussiana e Ridge
  • □ Conforme a variância da prior \(\tau^2\) tende a infinito, o \(\lambda\) efetivo tende a zero, e a estimativa MAP converge para o MLE puro.
  • □ Se a variância do ruído \(\sigma^2\) fosse muito pequena (dados quase sem ruído), mantendo \(\tau^2\) fixo, a identificação \(\lambda=\sigma^2/\tau^2\) implica que o \(\lambda\) efetivo seria pequeno — confiaríamos mais no ajuste aos dados do que na prior.
  • □ O mesmo mecanismo de somar duas log-densidades gaussianas independentes (a da verossimilhança e a da prior) para obter uma penalidade quadrática também explica, pela mesma dedução algébrica, por que a soma de duas variáveis aleatórias gaussianas independentes é ela mesma gaussiana.
  • □ Como a prior Gaussiana usada tem média zero, a estimativa MAP resultante nunca pode produzir um coeficiente estimado positivo — apenas coeficientes negativos ou exatamente nulos.
Dica(Resposta) Teste 4 — Prior Gaussiana e Ridge
  • ✔ Verdadeiro — \(\lambda=\sigma^2/\tau^2 \to 0\) quando \(\tau^2\to\infty\); a prior “sem opinião” deixa de penalizar, recuperando o MLE.
  • ✔ Verdadeiro — \(\lambda=\sigma^2/\tau^2\) decresce com \(\sigma^2\) pequeno: dados confiáveis (pouco ruído) justificam confiar mais no ajuste do que na crença prévia.
  • ✗ Falso — são dois fatos matemáticos distintos que só compartilham “envolver gaussianas somadas”; a soma de log-densidades para formar uma penalidade (regra do produto de densidades \(\to\) soma de logs) não é o mesmo argumento que a estabilidade da família gaussiana sob soma de variáveis aleatórias independentes.
  • ✗ Falso — a prior centrada em zero penaliza magnitude (positiva ou negativa) simetricamente; a verossimilhança (os dados) determina o sinal do coeficiente estimado normalmente, a prior só encolhe seu valor em direção a zero.
NotaTeste 5 — Prior de Laplace e Lasso
  • □ A log-densidade da prior de Laplace é proporcional a \(-|\beta|/b\), que cresce linearmente com \(|\beta|\), diferente da log-densidade Gaussiana, que decai quadraticamente — essa diferença de crescimento é o que, na derivação, produz o termo \(\|\boldsymbol\beta\|_1\) em vez de \(\|\boldsymbol\beta\|_2^2\).
  • □ Se usássemos uma prior de Laplace com escala \(b\) muito grande (distribuição muito espalhada), o \(\lambda\) efetivo (\(=\sigma^2/b\)) seria pequeno, aproximando novamente o resultado do MLE puro — o mesmo comportamento assintótico observado para a prior Gaussiana quando \(\tau^2\to\infty\).
  • □ A prior de Laplace tem densidade mais concentrada perto de zero e caudas mais pesadas do que uma prior Gaussiana de mesma variância — essa combinação é uma razão estatística adicional (além da geométrica) pela qual Lasso tende a produzir tanto muitos coeficientes exatamente zero quanto alguns coeficientes grandes, enquanto Ridge distribui a magnitude de forma mais uniforme.
  • □ Como Ridge e Lasso surgem de priors com média zero, as duas penalidades sempre selecionam exatamente o mesmo subconjunto de variáveis como “mais importantes”, diferindo apenas na magnitude final dos coeficientes.
Dica(Resposta) Teste 5 — Prior de Laplace e Lasso
  • ✔ Verdadeiro — é exatamente a Derivação 2 da aula: log-densidade linear em \(|\beta|\) (Laplace) vs. quadrática em \(\beta\) (Gaussiana) é a origem algébrica de \(L_1\) vs. \(L_2\).
  • ✔ Verdadeiro — mesmo padrão assintótico da prior Gaussiana: prior muito espalhada carrega pouca informação, então \(\lambda\) efetivo cai e o MAP se aproxima do MLE.
  • ✔ Verdadeiro — é uma propriedade real da distribuição de Laplace (pico agudo + caudas pesadas), consistente com a explicação geométrica/algébrica de sparsity dada na aula.
  • ✗ Falso — Ridge não produz coeficientes exatamente zero (só encolhimento suave), então não pode “selecionar o mesmo subconjunto” que o Lasso — a própria noção de “subconjunto selecionado” só se aplica ao Lasso.
NotaTeste 6 — Geometria e Soft-Thresholding
  • □ No limite \(\lambda\to0^+\), o operador de soft-thresholding converge para o próprio \(\hat\beta_{\text{MLE}}\), recuperando o caso não regularizado.
  • □ Se a penalidade usada fosse \(\|\boldsymbol\beta\|_1^{1{,}5}\) (uma norma fracionária entre \(L_1\) e \(L_2\)) em vez de exatamente \(\|\boldsymbol\beta\|_1\), a região viável correspondente ainda teria vértices exatos sobre os eixos coordenados, preservando a mesma propriedade de esparsidade exata do Lasso.
  • □ A mesma ideia de que “vértices de uma região viável favorecem soluções esparsas/extremas” aparece em Programação Linear, em que o ótimo de um problema com restrições poliédricas ocorre sempre em um vértice do politopo viável.
  • □ Como o Lasso produz coeficientes exatamente zero e o Ridge não, isso implica que o Lasso sempre tem erro de previsão menor do que o Ridge, em qualquer conjunto de dados.
Dica(Resposta) Teste 6 — Geometria e Soft-Thresholding
  • ✔ Verdadeiro — com \(\lambda=0\): \(\beta^*=\text{sign}(\hat\beta_{\text{MLE}})\cdot\max(|\hat\beta_{\text{MLE}}|,0)=\hat\beta_{\text{MLE}}\) (assumindo \(\hat\beta_{\text{MLE}}\ne0\)).
  • ✗ Falso — para expoente \(p=1{,}5 \in (1,2)\), a bola \(\|\boldsymbol\beta\|_p \le t\) é estritamente convexa e suave (sem vértices), igual em espírito ao círculo do Ridge; só \(p=1\) exatamente produz vértices sobre os eixos.
  • ✔ Verdadeiro — é o mesmo princípio geométrico da teoria de Programação Linear: soluções ótimas de problemas com restrições poliédricas ocorrem em vértices (pontos extremos) do politopo viável.
  • ✗ Falso — sparsity exata não implica menor erro de previsão; se o processo gerador verdadeiro não for esparso, o encolhimento uniforme do Ridge pode generalizar melhor que a seleção abrupta do Lasso.