Soluções — Aula 10: Gradiente Descendente Estocástico (SGD) e Mini-Batching

Otimização e Álgebra Linear para Machine Learning

Autor

Marcos M. Raimundo — Instituto de Computação, UNICAMP

Data de Publicação

6 de novembro de 2026

Aula Exercícios

Nota

Este documento apresenta as resoluções completas e detalhadas das questões analíticas e o gabarito comentado item a item dos testes conceituais de Verdadeiro/Falso da Aula 10: Gradiente Descendente Estocástico (SGD) e Mini-Batching.


Questões Discursivas

Questão 1: Dedução da Redução de Variância no Mini-Batching com e sem Reposição

(a) Amostragem com Reposição

Seja \(\mathcal{B} = \{i_1, i_2, \dots, i_B\}\) um conjunto de \(B\) índices sorteados de forma independente e identicamente distribuída (i.i.d.) com probabilidade uniforme \(\mathbb{P}(i_b = i) = \frac{1}{N}\) sobre \(\{1, \dots, N\}\). O estimador de mini-batch é definido por: \[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) = \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B \nabla f_{i_b}(\mathbf{w})\]

  1. Esperança Matemática: Pela linearidade do operador esperança: \[\mathbb{E}[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w})] = \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B \mathbb{E}[\nabla f_{i_b}(\mathbf{w})]\] Como cada índice \(i_b\) segue distribuição uniforme sobre os \(N\) dados: \[\mathbb{E}[\nabla f_{i_b}(\mathbf{w})] = \sum_{i=1}^N \frac{1}{N} \nabla f_i(\mathbf{w}) = \nabla F(\mathbf{w})\] Substituindo de volta: \[\mathbb{E}[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w})] = \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B \nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{B} \cdot B \cdot \nabla F(\mathbf{w}) = \nabla F(\mathbf{w})\] Logo, o estimador de mini-batch é não-enviesado.

  2. Variância Total: O erro do estimador é: \[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B (\nabla f_{i_b}(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w})) = \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B \boldsymbol{\xi}_{i_b}\] Calculando a norma euclidiana quadrática esperada: \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w})\|^2] = \mathbb{E}\left[ \left\langle \frac{1}{B}\sum_{a=1}^B \boldsymbol{\xi}_{i_a}, \frac{1}{B}\sum_{b=1}^B \boldsymbol{\xi}_{i_b} \right\rangle \right] = \frac{1}{B^2} \sum_{a=1}^B \sum_{b=1}^B \mathbb{E}[\langle \boldsymbol{\xi}_{i_a}, \boldsymbol{\xi}_{i_b} \rangle]\] Como os sorteios são independentes para \(a \neq b\), temos \(\mathbb{E}[\langle \boldsymbol{\xi}_{i_a}, \boldsymbol{\xi}_{i_b} \rangle] = \langle \mathbb{E}[\boldsymbol{\xi}_{i_a}], \mathbb{E}[\boldsymbol{\xi}_{i_b}] \rangle = \langle \mathbf{0}, \mathbf{0} \rangle = 0\). Restam apenas os \(B\) termos diagonais com \(a = b\): \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w})\|^2] = \frac{1}{B^2} \sum_{b=1}^B \mathbb{E}[\|\boldsymbol{\xi}_{i_b}\|^2] = \frac{1}{B^2} \cdot B \cdot \sigma^2(\mathbf{w}) = \frac{\sigma^2(\mathbf{w})}{B}\] o que conclui a demonstração para amostragem com reposição.

(b) Amostragem sem Reposição (População Finita)

Considere agora que \(\mathcal{B} \subset \{1, \dots, N\}\) seja um subconjunto de tamanho fixo \(|\mathcal{B}| = B\) escolhido uniformemente entre todos os \(\binom{N}{B}\) subconjuntos possíveis. Definimos as variáveis binárias indicadoras: \[I_i = \mathbb{I}(i \in \mathcal{B}) = \begin{cases} 1, & \text{se a amostra } i \in \mathcal{B} \\ 0, & \text{caso contrário} \end{cases}\]

O estimador pode ser reescrito como a soma sobre todas as \(N\) amostras: \[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) = \frac{1}{B}\sum_{i=1}^N I_i \nabla f_i(\mathbf{w})\]

  1. Propriedades Estatísticas das Indicadoras:

    • Probabilidade de uma amostra específica pertencer a \(\mathcal{B}\): \[\mathbb{E}[I_i] = \mathbb{P}(I_i = 1) = \frac{\binom{N-1}{B-1}}{\binom{N}{B}} = \frac{B}{N}\]
    • Como \(I_i^2 = I_i\), a variância de \(I_i\) é: \[\operatorname{Var}(I_i) = \mathbb{E}[I_i^2] - (\mathbb{E}[I_i])^2 = \frac{B}{N} - \left(\frac{B}{N}\right)^2 = \frac{B(N - B)}{N^2}\]
    • Para dois índices distintos \(i \neq j\), a probabilidade de ambos pertencerem a \(\mathcal{B}\) é: \[\mathbb{E}[I_i I_j] = \mathbb{P}(I_i = 1 \text{ e } I_j = 1) = \frac{\binom{N-2}{B-2}}{\binom{N}{B}} = \frac{B(B - 1)}{N(N - 1)}\]
    • A covariância entre \(I_i\) e \(I_j\) para \(i \neq j\) é: \[\operatorname{Cov}(I_i, I_j) = \mathbb{E}[I_i I_j] - \mathbb{E}[I_i]\mathbb{E}[I_j] = \frac{B(B-1)}{N(N-1)} - \frac{B^2}{N^2} = \frac{B}{N}\left(\frac{B-1}{N-1} - \frac{B}{N}\right) = -\frac{B(N - B)}{N^2(N - 1)}\] Note que a covariância é estritamente negativa: se a amostra \(i\) entra no lote, há uma vaga a menos disponível para a amostra \(j\).
  2. Dedução da Variância do Estimador: Seja \(\mathbf{u}_i = \nabla f_i(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w})\). Note que, por definição de média populacional, \(\sum_{i=1}^N \mathbf{u}_i = \mathbf{0}\), o que implica: \[\left\|\sum_{i=1}^N \mathbf{u}_i\right\|^2 = \sum_{i=1}^N \|\mathbf{u}_i\|^2 + \sum_{i \neq j} \langle \mathbf{u}_i, \mathbf{u}_j \rangle = 0 \implies \sum_{i \neq j} \langle \mathbf{u}_i, \mathbf{u}_j \rangle = -\sum_{i=1}^N \|\mathbf{u}_i\|^2 = -N \sigma^2(\mathbf{w})\]

    Calculando a variância do estimador: \[\mathbf{g}_{\mathcal{B}}(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{B}\sum_{i=1}^N I_i \nabla f_i(\mathbf{w}) - \nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{B}\sum_{i=1}^N \left(I_i - \frac{B}{N}\right)\mathbf{u}_i\] Tomando a norma quadrática esperada: \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}} - \nabla F\|^2] = \frac{1}{B^2} \sum_{i=1}^N \sum_{j=1}^N \operatorname{Cov}(I_i, I_j) \langle \mathbf{u}_i, \mathbf{u}_j \rangle\] Separando em termos diagonais (\(i = j\)) e termos cruzados (\(i \neq j\)): \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}} - \nabla F\|^2] = \frac{1}{B^2} \left[ \sum_{i=1}^N \operatorname{Var}(I_i) \|\mathbf{u}_i\|^2 + \sum_{i \neq j} \operatorname{Cov}(I_i, I_j) \langle \mathbf{u}_i, \mathbf{u}_j \rangle \right]\] Substituindo \(\operatorname{Var}(I_i) = \frac{B(N-B)}{N^2}\) e \(\operatorname{Cov}(I_i, I_j) = -\frac{B(N-B)}{N^2(N-1)}\): \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}} - \nabla F\|^2] = \frac{1}{B^2} \left[ \frac{B(N-B)}{N^2} (N \sigma^2) - \frac{B(N-B)}{N^2(N-1)} (-N \sigma^2) \right]\] Colocando os termos comuns em evidência: \[\mathbb{E}[\|\mathbf{g}_{\mathcal{B}} - \nabla F\|^2] = \frac{B(N-B) N \sigma^2}{B^2 N^2} \left[ 1 + \frac{1}{N-1} \right] = \frac{(N-B)\sigma^2}{B N} \left[ \frac{N}{N-1} \right] = \left(\frac{N - B}{N - 1}\right) \frac{\sigma^2(\mathbf{w})}{B}\] o que demonstra rigorosamente o fator de correção para população finita.

(c) Análise dos Casos Extremos

  • Caso \(B = 1\): Substituindo na fórmula sem reposição: \[\left(\frac{N - 1}{N - 1}\right) \frac{\sigma^2}{1} = 1 \cdot \sigma^2 = \sigma^2(\mathbf{w})\] A variância atinge seu valor máximo, igual à variância do SGD puro.
  • Caso \(B = N\): Substituindo na fórmula sem reposição: \[\left(\frac{N - N}{N - 1}\right) \frac{\sigma^2}{N} = \frac{0}{N-1} \cdot \frac{\sigma^2}{N} = 0\] A variância é identicamente nula. Isso ocorre porque o subconjunto \(\mathcal{B}\) coincide exatamente com o dataset completo, recuperando o cálculo exato do BGD determinístico.

Questão 2: A Dinâmica da Bola de Ruído e o Equilíbrio Estacionário sob Passo Constante

(a) Relação de Recorrência do Erro

A função quadrática é \(F(\mathbf{w}) = \frac{1}{2}(\mathbf{w} - \mathbf{w}^\star)^T A (\mathbf{w} - \mathbf{w}^\star)\), cujo gradiente é exatamente \(\nabla F(\mathbf{w}) = A(\mathbf{w} - \mathbf{w}^\star) = A\mathbf{e}_k\). A regra de atualização do SGD é: \[\mathbf{w}_{k+1} = \mathbf{w}_k - \alpha (\nabla F(\mathbf{w}_k) + \boldsymbol{\xi}_k)\] Subtraindo \(\mathbf{w}^\star\) de ambos os lados: \[\mathbf{e}_{k+1} = \mathbf{e}_k - \alpha (A\mathbf{e}_k + \boldsymbol{\xi}_k) = (I - \alpha A)\mathbf{e}_k - \alpha \boldsymbol{\xi}_k\] Calculando a norma euclidiana quadrática: \[\|\mathbf{e}_{k+1}\|^2 = \|(I - \alpha A)\mathbf{e}_k - \alpha \boldsymbol{\xi}_k\|^2 = \|(I - \alpha A)\mathbf{e}_k\|^2 - 2\alpha \langle (I - \alpha A)\mathbf{e}_k, \boldsymbol{\xi}_k \rangle + \alpha^2 \|\boldsymbol{\xi}_k\|^2\] o que demonstra a relação solicitada.

(b) Demonstração da Cota Superior por Indução

Tomando a esperança condicional em relação a \(\boldsymbol{\xi}_k\), dado \(\mathbf{e}_k\): 1. O termo cruzado linear em \(\boldsymbol{\xi}_k\) anula-se: \(\mathbb{E}[\langle (I - \alpha A)\mathbf{e}_k, \boldsymbol{\xi}_k \rangle \mid \mathbf{e}_k] = \langle (I - \alpha A)\mathbf{e}_k, \mathbb{E}[\boldsymbol{\xi}_k \mid \mathbf{e}_k] \rangle = 0\). 2. Como \(A\) é simétrica com autovalores no intervalo \([\mu, L]\) e \(0 < \alpha < 1/L\), a matriz \((I - \alpha A)\) tem autovalores em \([1 - \alpha L, 1 - \alpha \mu] \subset (0, 1)\). Logo, a norma espectral ao quadrado satisfaz: \[\|(I - \alpha A)\mathbf{e}_k\|^2 \le (1 - \alpha \mu)^2 \|\mathbf{e}_k\|^2 \le (1 - 2\alpha \mu + \alpha^2 \mu^2) \|\mathbf{e}_k\|^2 \le (1 - 2\alpha \mu) \|\mathbf{e}_k\|^2\] 3. O termo quadrático do ruído é limitado por \(\mathbb{E}[\|\boldsymbol{\xi}_k\|^2] \le \sigma^2\).

Unindo essas desigualdades e tomando a esperança total: \[\mathbb{E}[\|\mathbf{e}_{k+1}\|^2] \le (1 - 2\alpha \mu) \mathbb{E}[\|\mathbf{e}_k\|^2] + \alpha^2 \sigma^2\] Definindo \(\rho := 1 - 2\alpha \mu \in (0, 1)\) e aplicando a relação recursivamente para \(k\) iterações: - Para \(k = 1\): \(\mathbb{E}[\|\mathbf{e}_1\|^2] \le \rho \|\mathbf{e}_0\|^2 + \alpha^2 \sigma^2\). - Para \(k = 2\): \(\mathbb{E}[\|\mathbf{e}_2\|^2] \le \rho (\rho \|\mathbf{e}_0\|^2 + \alpha^2 \sigma^2) + \alpha^2 \sigma^2 = \rho^2 \|\mathbf{e}_0\|^2 + \alpha^2 \sigma^2 (1 + \rho)\). - Por indução finita para qualquer \(k \ge 1\): \[\mathbb{E}[\|\mathbf{e}_k\|^2] \le \rho^k \|\mathbf{e}_0\|^2 + \alpha^2 \sigma^2 \sum_{j=0}^{k-1} \rho^j = (1 - 2\alpha \mu)^k \|\mathbf{e}_0\|^2 + \alpha^2 \sigma^2 \sum_{j=0}^{k-1} (1 - 2\alpha \mu)^j\]

(c) Limite Assintótico e Geometria da Bola de Confusão

Como \(0 < 1 - 2\alpha \mu < 1\), o primeiro termo decai exponencialmente para zero: \(\lim_{k \to \infty} (1 - 2\alpha \mu)^k \|\mathbf{e}_0\|^2 = 0\). A soma finita da progressão geométrica converge para: \[\sum_{j=0}^{\infty} (1 - 2\alpha \mu)^j = \frac{1}{1 - (1 - 2\alpha \mu)} = \frac{1}{2\alpha \mu}\] Multiplicando por \(\alpha^2 \sigma^2\): \[\lim_{k \to \infty} \mathbb{E}[\|\mathbf{e}_k\|^2] \le \alpha^2 \sigma^2 \left(\frac{1}{2\alpha \mu}\right) = \frac{\alpha \sigma^2}{2\mu}\]

Interpretação Geométrica: A distância assintótica esperada entre os pesos e o minimizador ótimo é \(\mathcal{O}(\sqrt{\alpha \sigma^2 / \mu})\). - Dependência em \(\alpha\): O passo governa a energia de cada perturbação estocástica; passos menores produzem saltos menores, encolhendo a bola. - Dependência em \(\sigma^2\): A variância do ruído dita a intensidade do bombardeamento browniano. - Dependência em \(\mu\): O parâmetro \(\mu\) mede a curvatura mínima do poço quadrático. Se \(\mu\) for grande (poço muito íngreme), a força de atração direcional \(-\nabla F = -A\mathbf{e}\) é intensa mesmo para pequenos afastamentos do centro, confinando o algoritmo firmemente. Se \(\mu\) for próximo de zero (desfiladeiro quase plano), o poço não exerce força restauradora suficiente, permitindo que o ruído difunda os parâmetros para longe do centro.


Questão 3: Análise de Convergência sob as Condições de Robbins-Monro

(a) Intervalo de \(p\) para as Condições de Robbins-Monro

Consideramos a sequência de passos \(\alpha_k = \frac{\alpha_0}{k^p}\) com \(p > 0\). 1. Primeira Condição (Exploração Infinita): \(\sum_{k=1}^\infty \alpha_k = \alpha_0 \sum_{k=1}^\infty \frac{1}{k^p} = \infty\). Pelo teste da integral para séries \(p\) de Riemann, a série \(\sum \frac{1}{k^p}\) diverge se e somente se: \[p \le 1\] 2. Segunda Condição (Supressão do Ruído): \(\sum_{k=1}^\infty \alpha_k^2 = \alpha_0^2 \sum_{k=1}^\infty \frac{1}{k^{2p}} < \infty\). A série dos quadrados \(\sum \frac{1}{k^{2p}}\) converge se e somente se o expoente for estritamente maior que 1: \[2p > 1 \iff p > \frac{1}{2}\]

Intersecionando ambas as condições: \[\frac{1}{2} < p \le 1\] Logo, o intervalo exato é \(p \in (0{,}5; 1{,}0]\).

(b) Patologia do Caso \(p = 1{,}5\)

Para \(p = 1{,}5\), a soma dos passos satisfaz: \[\sum_{k=1}^\infty \alpha_k = \alpha_0 \sum_{k=1}^\infty \frac{1}{k^{1{,}5}} = \alpha_0 \zeta(1{,}5) \approx 2{,}612 \cdot \alpha_0 < \infty\] Como a soma é convergente, o comprimento máximo do caminho que o otimizador é capaz de percorrer no espaço euclidiano \(\mathbb{R}^d\) é estritamente limitado por uma distância finita \(D_{\max} \le \sum_{k=1}^\infty \alpha_k \|\mathbf{g}_k\| \le G \sum \alpha_k < \infty\). Se a distância euclidiana da inicialização até o minimizador ótimo exceder essa cota (\(\|\mathbf{w}_0 - \mathbf{w}^\star\| > D_{\max}\)), os passos \(\alpha_k\) encolherão a magnitudes infinitesimais antes de o modelo chegar perto do vale. O algoritmo estaciona e congela prematuramente no meio do caminho, falhando em convergir para \(\mathbf{w}^\star\).

(c) Patologia do Caso \(p = 0{,}5\) (\(\alpha_k = \alpha_0 / \sqrt{k}\))

Para \(p = 0{,}5\): 1. A soma dos passos diverge: \(\sum_{k=1}^\infty \frac{1}{\sqrt{k}} = \infty\) (atende à exploração). 2. Contudo, ao elevar ao quadrado: \[\sum_{k=1}^\infty \alpha_k^2 = \alpha_0^2 \sum_{k=1}^\infty \frac{1}{k} = \infty\] A série harmônica diverge para o infinito! Consequência: A variância acumulada pelo ruído estocástico ao longo do tempo é \(\sum_{k=1}^\infty \alpha_k^2 \sigma^2 = \infty\). Isso significa que a flutuação térmica browniana não se dissipa assintoticamente. Embora os passos encolham, a soma dos desvios quadráticos aleatórios não é finita, impedindo que o algoritmo assente pontualmente no mínimo global com probabilidade 1.


Testes Conceituais

Teste 1: A Formulação de Somas Finitas e o Batch Gradient Descent

  • (A) Verdadeiro. Cada passo do BGD requer avaliar os gradientes individuais de todas as \(N\) amostras. Como cada amostra em \(\mathbb{R}^d\) exige \(\mathcal{O}(d)\) operações, o custo temporal total por passo é \(\mathcal{O}(Nd)\).
  • (B) Verdadeiro. Por definição matemática de gradiente em lote completo, \(\nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{N}\sum_{i=1}^N \nabla f_i(\mathbf{w})\). Para calcular essa soma sem aproximações, todas as \(10^7\) funções \(f_i\) devem ser diferenciadas no ponto atual.
  • (C) Falso. O gradiente total é a média aritmética (soma ponderada por \(1/N\)) dos gradientes individuais, decorrente da linearidade da derivada: \(\nabla \left(\frac{1}{N}\sum f_i\right) = \frac{1}{N}\sum \nabla f_i\). A média geométrica não preserva as propriedades do cálculo diferencial nem define direção de descida.
  • (D) Verdadeiro. Se o dataset original tinha \(N\) amostras e passa a ter \(2N\) pela duplicação de cada amostra, a nova perda é \(F_{\text{novo}}(\mathbf{w}) = \frac{1}{2N}\sum_{i=1}^N 2 f_i(\mathbf{w}) = \frac{1}{N}\sum_{i=1}^N f_i(\mathbf{w}) = F(\mathbf{w})\). O gradiente avaliado em qualquer \(\mathbf{w}\) permanece exatamente idêntico.

Teste 2: O Gradiente Estocástico e o Teorema do Estimador Não-Enviesado

  • (A) Falso. A prova de não-enviesamento \(\mathbb{E}[\nabla f_{i_k}] = \sum \frac{1}{N}\nabla f_i = \nabla F\) depende única e exclusivamente da linearidade da esperança matemática e do sorteio uniforme dos índices. Ela é válida para quaisquer funções diferenciáveis, mesmo não-convexas ou não-suaves por partes.
  • (B) Verdadeiro. O fator \(1/N\) que assegura a igualdade exata com a média amostral provém de \(\mathbb{P}(i_k = i) = 1/N\). Caso o sorteio seguisse uma distribuição não-uniforme sem compensação por ponderação de importância, o estimador seria enviesado.
  • (C) Falso. O SGD não é um método de descida monotônica. Em passos intermediários, a amostra sorteada pode ter gradiente com componente oposta ao gradiente global, provocando aumento temporário na perda total \(F(\mathbf{w}_{k+1}) > F(\mathbf{w}_k)\).
  • (D) Verdadeiro. Como o SGD puro avalia apenas uma amostra sorteada \(i_k\), o custo por iteração é unicamente o de calcular \(\nabla f_{i_k}(\mathbf{w})\), que tem complexidade \(\mathcal{O}(d)\), independentemente de o dataset conter mil ou um bilhão de amostras.

Teste 3: A Estrutura do Ruído Estocástico e a Condição de Interpolação

  • (A) Verdadeiro. Por definição, \(\boldsymbol{\xi}_k = \nabla f_{i_k} - \nabla F\). Como \(\mathbb{E}[\nabla f_{i_k}] = \nabla F\), temos \(\mathbb{E}[\boldsymbol{\xi}_k] = \nabla F - \nabla F = \mathbf{0}\).
  • (B) Verdadeiro. Em problemas reais onde as amostras contêm resíduos ou ruído, cada exemplo tem seu próprio minimizador individual. No ponto ótimo médio \(\mathbf{w}^\star\), os gradientes individuais satisfazem \(\sum \nabla f_i(\mathbf{w}^\star) = \mathbf{0}\), mas quase todos \(\nabla f_i(\mathbf{w}^\star) \neq \mathbf{0}\), gerando matriz de covariância \(\Sigma(\mathbf{w}^\star) = \frac{1}{N}\sum \nabla f_i(\mathbf{w}^\star)\nabla f_i(\mathbf{w}^\star)^T \succ 0\).
  • (C) Verdadeiro. Se o modelo tem capacidade suficiente para atingir perda zero em todas as amostras (\(f_i(\mathbf{w}^\star) = 0, \forall i\)), e a perda é não-negativa e suave, então cada \(f_i\) atinge seu mínimo absoluto em \(\mathbf{w}^\star\). Logo, \(\nabla f_i(\mathbf{w}^\star) = \mathbf{0}\) para todas as amostras simultaneamente, e a variância do gradiente estocástico anula-se no ótimo.
  • (D) Verdadeiro. Se \(f_i(\mathbf{w}) = f(\mathbf{w})\) para todo \(i\), então \(\nabla F(\mathbf{w}) = \frac{1}{N}\sum \nabla f(\mathbf{w}) = \nabla f(\mathbf{w})\). O ruído \(\boldsymbol{\xi}_k = \nabla f_{i_k} - \nabla F = \nabla f - \nabla f = \mathbf{0}\) em todo o espaço de parâmetros.

Teste 4: A Álgebra e a Estatística do Mini-Batching

  • (A) Verdadeiro. Pelo Teorema do Limite Central para médias de variáveis i.i.d., a variância da soma de \(B\) variáveis independentes com variância \(\sigma^2\) é \(B \sigma^2\), e ao dividir por \(B\), a variância da média fica \(\frac{B \sigma^2}{B^2} = \frac{\sigma^2}{B}\).
  • (B) Verdadeiro. Na amostragem sem reposição, a variância é multiplicada pelo fator de população finita \(\frac{N-B}{N-1}\). Fazendo \(B = N\), o numerador torna-se zero, eliminando o erro de amostragem.
  • (C) Falso. A variância decai por um fator de 64, mas o desvio-padrão (amplitude do ruído) é a raiz quadrada da variância, decaindo por um fator de \(\sqrt{64} = 8\), e não 64.
  • (D) Verdadeiro. A prática comum de particionar o dataset embaralhado em blocos disjuntos garante que todas as \(N\) amostras sejam apresentadas ao modelo exatamente uma vez em cada época.

Teste 5: A Física do Hardware, Vetorização e Throughput

  • (A) Verdadeiro. Processar uma amostra isolada em hardware massivamente paralelo (como GPUs com milhares de núcleos) despacha operações vetor-vetor com baixa intensidade aritmética, gastando a maior parte do tempo em latências de chamada de kernel e transferência de dados da memória.
  • (B) Verdadeiro. Empilhar \(B\) amostras em uma matriz permite utilizar rotinas BLAS-3 otimizadas para reuso de dados em caches L1/L2 e execução paralela vetorial em Tensor Cores.
  • (C) Falso. Em uma GPU já saturada em termos de núcleos e largura de banda, o tempo por passo cresce linearmente com \(B\). Quadruplicar o lote quadruplica o tempo de execução por iteração, mantendo o throughput (amostras por segundo) essencialmente constante (retornos decrescentes).
  • (D) Verdadeiro. Conforme demonstrado nas análises de throughput, os maiores ganhos ocorrem ao sair de \(B=1\) para \(B \approx 64\) (quando o hardware sai da ociosidade). Além do ponto de saturação (sweet spot), o ganho por amostra estabiliza.

Teste 6: O Paradoxo da Taxa Constante e a Bola de Ruído

  • (A) Falso. Sob taxa de aprendizado estritamente constante, o SGD não converge para um ponto fixo, mas sim para uma distribuição estacionária de probabilidade centrada em \(\mathbf{w}^\star\), flutuando indefinidamente em uma “bola de ruído” cujo raio depende de \(\alpha\).
  • (B) Verdadeiro. A cota teórica da bola de ruído é \(\lim_{k \to \infty} \mathbb{E}[\|\mathbf{w}_k - \mathbf{w}^\star\|^2] \le \frac{\alpha \sigma^2}{2\mu}\), sendo linearmente proporcional a \(\alpha\) e à variância \(\sigma^2\).
  • (C) Verdadeiro. O termo \(\mu\) aparece no denominador da cota assintótica (\(\frac{\alpha \sigma^2}{2\mu}\)). Forte convexidade elevada implica poço profundo e íngreme, concentrando a dispersão das flutuações estocásticas.
  • (D) Falso. Mesmo que \(\nabla F(\mathbf{w}^\star) = \mathbf{0}\), a amostra sorteada \(i\) terá em geral \(\nabla f_i(\mathbf{w}^\star) \neq \mathbf{0}\). O passo \(\mathbf{w}_{k+1} = \mathbf{w}^\star - \alpha \nabla f_i(\mathbf{w}^\star)\) arremessará os parâmetros para fora de \(\mathbf{w}^\star\).

Teste 7: As Condições de Convergência de Robbins-Monro

  • (A) Verdadeiro. Se a soma dos passos fosse finita (\(\sum \alpha_k < \infty\)), a distância euclidiana máxima que o algoritmo poderia percorrer seria finita, podendo travar antes de alcançar o minimizador.
  • (B) Verdadeiro. A condição \(\sum \alpha_k^2 < \infty\) assegura que a soma da variância acumulada pelas perturbações brownianas \(\sum \alpha_k^2 \sigma^2\) convirja, drenando a energia térmica do ruído e permitindo a estabilização assintótica no mínimo.
  • (C) Verdadeiro. Para \(\alpha_k = \alpha_0/k\), a série \(\sum 1/k = \infty\) (diverge) e a série dos quadrados \(\sum 1/k^2 = \pi^2/6 < \infty\) (converge), satisfazendo ambas as condições.
  • (D) Falso. A progressão geométrica \(\sum \alpha_0 \gamma^k = \frac{\alpha_0 \gamma}{1 - \gamma} < \infty\) é finita para qualquer \(\gamma \in (0, 1)\). Logo, o decaimento puramente geométrico viola a primeira condição de Robbins-Monro, arriscando congelamento prematuro.

Teste 8: Paisagens Não-Convexas, Escape de Selas e Mínimos Planos

  • (A) Verdadeiro. Em pontos de sela estritos, onde o gradiente verdadeiro se anula mas existem direções com curvatura negativa, o ruído estocástico \(\boldsymbol{\xi}_k\) atua como uma força de perturbação aleatória que quebra a simetria e conduz o otimizador pelo caminho de descida.
  • (B) Verdadeiro. Em bacias pontiagudas (sharp minima), a curvatura elevada gera gradientes de altíssima magnitude que, combinados com o ruído amostral, desestabilizam o SGD e ejetam os pesos para fora da depressão.
  • (C) Verdadeiro. Lotes excessivamente grandes aproximam o comportamento do BGD determinístico, que tende a convergir para os mínimos mais próximos da inicialização (frequentemente pontiagudos), apresentando pior generalização fora da amostra do que modelos treinados com ruído moderado em lotes menores.
  • (D) Verdadeiro. O Cosine Annealing modela a redução da taxa de aprendizado através de uma transição suave e contínua baseada no cosseno, evitando quebras abruptas e propiciando refinamento assintótico eficiente da bola de ruído.