Soluções — Aula 4: Autovalores, Autovetores e Matrizes Simétricas
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Dica(Resposta) Teste 1 — Autovalores e autovetores: a equação básica
- ✔ Verdadeiro — \(A\mathbf{x}=\lambda\mathbf{x}\) com \(\lambda=0\) dá \(A\mathbf{x}=\mathbf{0}\) — exatamente a definição de núcleo/espaço-nulo de \(A\). O caso-limite \(\lambda=0\) conecta diretamente as duas linguagens: “autovetor de autovalor zero” e “vetor do núcleo” são a mesma coisa.
- ✔ Verdadeiro — Uma rotação de \(90°\) manda todo vetor não-nulo para uma direção perpendicular à original — nenhuma reta que passa pela origem fica invariante. Isso é consistente com o polinômio característico dessa rotação não ter raiz real (as raízes são complexas, \(\pm i\)): o caso extremo em que “não girar” falha para toda direção do espaço.
- ✔ Verdadeiro — Por indução, \(\mathbf{x}_k=A^k\mathbf{x}_0\); se \(A\mathbf{x}_0=\lambda\mathbf{x}_0\), então \(A^k\mathbf{x}_0=\lambda^k\mathbf{x}_0\) (aplicar \(A\) repetidamente só multiplica pelo mesmo escalar cada vez). A trajetória inteira fica sobre a reta gerada por \(\mathbf{x}_0\) — aplicação direta da definição de autovetor a um domínio (sistemas dinâmicos) diferente do fio condutor desta aula.
- ✗ Falso — A não-unicidade só vale depois de já existir um autovetor para aquele \(\lambda\) — qualquer múltiplo escalar dele também serve. Isso não implica que todo \(\lambda\) real seja autovalor de \(A\): só os \(\lambda\) que são raízes do polinômio característico \(p_A(\lambda)\) têm autovetor associado. O erro é confundir “quando existe um autovetor, existem infinitos” com “sempre existe um autovetor”.
Dica(Resposta) Teste 2 — O polinômio característico
- ✗ Falso — Contraexemplo direto: \(A=2I\) tem polinômio característico \((\lambda-2)^2\) (raiz dupla \(\lambda=2\)), mas todo vetor não-nulo de \(\mathbb{R}^2\) é autovetor — o autoespaço \(E_2\) tem dimensão \(2\), não \(1\). Raiz dupla (multiplicidade algébrica 2) não força multiplicidade geométrica 1; a relação entre as duas multiplicidades é só “geométrica \(\le\) algébrica”, nunca uma implicação automática de igualdade.
- ✔ Verdadeiro — Se \(A\mathbf{x}=\lambda\mathbf{x}\), então \((cA)\mathbf{x}=c(A\mathbf{x})=c(\lambda\mathbf{x})=(c\lambda)\mathbf{x}\) — o mesmo \(\mathbf{x}\) resolve a equação de autovalor de \(cA\), com autovalor \(c\lambda\). Alterar a matriz por um cenário contrafactual (escalá-la inteira) preserva a direção especial, só reescala o fator de esticamento.
- ✔ Verdadeiro — A equivalência entre autovalor e raiz do polinômio característico não depende da origem da matriz — vale para qualquer \(A\in\mathbb{R}^{n\times n}\), incluindo matrizes de transição de estados de uma cadeia de Markov ou qualquer outro modelo baseado em matrizes quadradas. A técnica generaliza diretamente para grau 3 (só fica algebricamente mais trabalhosa).
- ✗ Falso — \(\det(A)=0\) é a condição para que \(\lambda=0\) especificamente seja autovalor de \(A\) (basta substituir \(\lambda=0\) em \(\det(A-\lambda I)\)). Não é necessária para a existência de algum autovalor real — contraexemplo: \(A=2I\) tem autovalor real \(\lambda=2\) (múltiplas vezes), mas \(\det(A)=4\ne 0\). O erro é generalizar uma condição específica (\(\lambda=0\)) para todo o conjunto de autovalores.
Dica(Resposta) Teste 3 — Não-unicidade e autoespaços
- ✔ Verdadeiro — \(A(c_1\mathbf{x}_1+c_2\mathbf{x}_2)=c_1A\mathbf{x}_1+c_2A\mathbf{x}_2=c_1\lambda\mathbf{x}_1+c_2\lambda\mathbf{x}_2=\lambda(c_1\mathbf{x}_1+c_2\mathbf{x}_2)\) — o autoespaço \(E_\lambda\) é, por construção, um subespaço vetorial (fechado sob combinação linear), propriedade que vale para qualquer matriz, simétrica ou não; a simetria só entra quando se compara autoespaços de autovalores diferentes.
- ✗ Falso — Se um autoespaço já tem dimensão \(2\) dentro de \(\mathbb{R}^2\), ele ocupa o espaço inteiro — não sobra nenhuma direção independente para um segundo autovalor distinto ter autovetor próprio (autoespaços de autovalores distintos são sempre linearmente independentes entre si). O caso extremo (dimensão do autoespaço igual à dimensão do espaço todo) já esgota a matriz: ela só pode ser \(A=cI\), sem espaço para um segundo autovalor diferente de \(c\).
- ✔ Verdadeiro — É exatamente a leitura correta de “autoespaço de dimensão \(>1\)”: não uma única direção especial, mas um subespaço inteiro de direções que compartilham o mesmo autovalor (mesmo fator de escala) — aplicação direta e correta do conceito a um domínio (visão computacional) fora do fio condutor da aula.
- ✗ Falso — A definição usual exclui \(\mathbf{0}\) da lista de vetores que podem ser chamados de autovetor, mas o autoespaço \(E_\lambda=\{\mathbf{x}:A\mathbf{x}=\lambda\mathbf{x}\}\) é, por construção, um subespaço vetorial — e todo subespaço contém \(\mathbf{0}\). \(\mathbf{0}\) pertence a \(E_\lambda\) mesmo sem ser chamado de “autovetor”; a confusão é entre o conjunto (subespaço, que inclui \(\mathbf{0}\)) e o rótulo aplicado a seus elementos não-nulos.
Dica(Resposta) Teste 4 — Teorema Espectral Real
- ✔ Verdadeiro — Com \(A=Q\Lambda_AQ^T\) e \(B=Q\Lambda_BQ^T\) (mesmo \(Q\)), \(AB=Q\Lambda_AQ^TQ\Lambda_BQ^T=Q\Lambda_A\Lambda_BQ^T\) (usando \(Q^TQ=I\)); como \(\Lambda_A\) e \(\Lambda_B\) são diagonais, sempre comutam entre si (\(\Lambda_A\Lambda_B=\Lambda_B\Lambda_A\)), logo \(AB=Q\Lambda_B\Lambda_AQ^T=BA\). Compartilhar a base é a condição extra que falta no caso geral (duas matrizes simétricas quaisquer não comutam necessariamente).
- ✗ Falso — O Teorema Espectral garante \(n\) autovalores reais (contados com multiplicidade) e uma base ortonormal de autovetores — não distinção entre eles. Contraexemplo direto: \(A=3I\) é simétrica e tem um único valor de autovalor (\(3\)), repetido \(n\) vezes; o teorema continua valendo (base ortonormal existe, qualquer base ortonormal de \(\mathbb{R}^n\) serve), só que sem autovalores distintos.
- ✔ Verdadeiro — O Teorema Espectral Real é um resultado puramente algébrico sobre matrizes simétricas — não depende de a matriz vir de regressão, projeção, ou qualquer contexto específico. Qualquer matriz Laplaciana de grafo (sempre simétrica, base do clustering espectral) herda a mesma garantia.
- ✔ Verdadeiro — É a contrapositiva exata do resultado central desta aula: “\(A\) simétrica \(\Rightarrow\) autovetores de autovalores distintos ortogonais” equivale logicamente a “autovetores de autovalores distintos não ortogonais \(\Rightarrow\) \(A\) não simétrica”. Ter autovalores reais não basta — a prova usa a simetria especificamente para forçar a ortogonalidade; sem ela, nada garante o ângulo reto.
Dica(Resposta) Teste 5 — Definitude positiva
- ✔ Verdadeiro — \(A\succeq 0\) exige \(\lambda_i\ge 0\) para todo \(i\) — satisfeito (zero conta). \(A\succ 0\) exige \(\lambda_i>0\) estrito para todo \(i\) — falha exatamente no autovalor zero. É o caso-limite entre as duas categorias, a fronteira exata entre “semidefinida” e “definida”.
- ✔ Verdadeiro — Para \(\mathbf{x}\ne\mathbf{0}\): \(\mathbf{x}^T(A+B)\mathbf{x}=\mathbf{x}^TA\mathbf{x}+\mathbf{x}^TB\mathbf{x}\), soma de duas parcelas estritamente positivas, logo estritamente positiva — a soma de dois positivos é positiva. Aplicação direta da definição de matriz definida positiva a uma operação (soma de matrizes) não discutida explicitamente na aula.
- ✔ Verdadeiro — Se \(\Sigma\) (covariância) tem autovalor \(0\) com autovetor \(\mathbf{v}\), então \(\mathbf{v}^T\Sigma\mathbf{v}=0\) — a “variância” de um portfólio com pesos proporcionais a \(\mathbf{v}\) é exatamente zero, mesmo que cada ativo individual tenha variância positiva. Aplicação correta e não-trivial do conceito de definitude a um domínio financeiro.
- ✔ Verdadeiro — A definição de matriz definida positiva já exige \(\mathbf{x}^TA\mathbf{x}>0\) estritamente (não só \(\ge 0\)) — diferente de semidefinida, em que \(\mathbf{x}^TA\mathbf{x}=0\) é permitido para algum \(\mathbf{x}\ne\mathbf{0}\). A armadilha do item é a premissa “nunca é negativa” soar como só \(\ge 0\) (o caso semidefinido); mas a hipótese explícita é “definida positiva”, que já garante positividade estrita, tornando \(=0\) de fato impossível para \(\mathbf{x}\ne\mathbf{0}\).
Dica(Resposta) Teste 6 — Quociente de Rayleigh e número de condição
- ✔ Verdadeiro — \(A\mathbf{x}=\lambda_{\max}\mathbf{x}\) \(\Rightarrow\) \(\mathbf{x}^TA\mathbf{x}=\lambda_{\max}\mathbf{x}^T\mathbf{x}\) \(\Rightarrow\) o quociente vale exatamente \(\lambda_{\max}\) — o caso-limite em que o supremo do quociente de Rayleigh é de fato atingido, não só aproximado.
- ✗ Falso — \(\text{cond}(A)=\lambda_{\max}(A)/\lambda_{\min}(A)\); dobrando todos os autovalores, o novo número de condição é \(\frac{2\lambda_{\max}}{2\lambda_{\min}}=\frac{\lambda_{\max}}{\lambda_{\min}}\) — exatamente o mesmo de antes, porque o fator \(2\) cancela na razão. O número de condição depende só da razão entre extremos, não da escala absoluta dos autovalores.
- ✔ Verdadeiro — A direção quase-degenerada (menor autovalor) vem exatamente de duas colunas quase-redundantes competindo pela mesma informação (o mesmo mecanismo de um par de atributos fortemente correlacionados); removendo uma delas, a matriz de design perde a coluna que causava a quase-dependência, e o menor autovalor da nova \(X^TX\) (menor, dimensão reduzida) tende a não ser mais espremido perto de zero — melhorando o condicionamento.
- ✗ Falso — \(\text{cond}(A)=1\) significa \(\lambda_{\max}(A)=\lambda_{\min}(A)\), ou seja, todos os autovalores iguais entre si — isso força \(A=cI\) para algum escalar \(c>0\), não necessariamente \(c=1\). Contraexemplo: \(A=5I\) tem \(\text{cond}(A)=5/5=1\), mas \(A\ne I\).
Dica(Resposta) Teste 7 — \(X^TX\): simetria e as duas faces desta aula
- ✔ Verdadeiro — Com colunas \(\mathbf{x}_1,\mathbf{x}_2\) ortogonais (\(\mathbf{x}_1^T\mathbf{x}_2=0\)) e mesma norma \(r\) (\(\mathbf{x}_1^T\mathbf{x}_1=\mathbf{x}_2^T\mathbf{x}_2=r^2\)), a submatriz \(2\times 2\) de \(X^TX\) é \(\begin{bmatrix}r^2&0\\0&r^2\end{bmatrix}=r^2I\) — múltiplo escalar da identidade, com os dois autovalores iguais a \(r^2\), logo \(\text{cond}=1\). O caso-limite ideal de condicionamento.
- ✗ Falso — Autovalores só são definidos para matrizes quadradas — o polinômio característico \(\det(X-\lambda I)\) nem faz sentido dimensionalmente para \(X\) retangular (\(N\ne d\)). O que \(X\) retangular tem são \(\min(N,d)\) valores singulares (via decomposição SVD, tema de aula futura) — uma noção relacionada, mas distinta de autovalor. Autovalores exigem matriz quadrada (e idealmente simétrica, para as garantias desta aula); \(X\) retangular precisa de outra ferramenta.
- ✔ Verdadeiro — O raciocínio de que um autovalor pequeno de uma matriz de covariância indica uma direção quase degenerada (variáveis quase redundantes) é uma consequência puramente algébrica do Teorema Espectral e do quociente de Rayleigh — não depende de os dados serem imobiliários, genéticos, ou de qualquer outro domínio.
- ✗ Falso — Semidefinida positiva (\(\lambda_i\ge 0\)) não implica invertível — invertibilidade exige definida positiva (\(\lambda_i>0\) estrito para todo \(i\)), que só vale quando \(X\) tem posto completo. Contraexemplo: fabricando uma coluna redundante exata (ex.: \(2\times\) uma coluna já existente) deixa \(X^TX\) singular (\(\det=0\)), mesmo continuando semidefinida positiva.
Dica(Resposta) Teste 8 — Covariância empírica e a semente de PCA
- ✔ Verdadeiro — Um autovalor da covariância mede a variância dos dados projetados na direção do autovetor correspondente; se um autovalor é quase zero, a variância nessa direção é quase nula — os pontos quase não se espalham ali, ficando concentrados ao longo da direção do outro autovetor (o de autovalor grande). O caso-limite exato é uma reta perfeita (autovalor menor exatamente zero).
- ✗ Falso — É exatamente o oposto: dividir cada coluna pelo próprio desvio-padrão muda a escala relativa entre as colunas, e a direção de maior variância (o autovetor principal) depende dessa escala relativa. Quando um atributo tem variância numérica bruta muito maior que os demais, a covariância bruta tende a ter autovetor principal dominado por esse atributo; padronizando, essa dominância deixa de existir e a direção principal passa a refletir a estrutura de correlação real entre os atributos, não a escala de cada um — a direção pode, sim, mudar.
- ✔ Verdadeiro — Mesmo mecanismo do item (b) deste bloco, transposto para outro dataset com atributos em escalas heterogêneas: a escala numérica bruta (não a relevância para o problema) decide qual atributo domina a direção principal, quando a covariância não é calculada sobre dados padronizados.
- ✗ Falso — Não existe identidade geral desse tipo. O traço de uma matriz de covariância é a soma das variâncias (que, pelo Teorema Espectral, também é igual à soma dos autovalores) — uma quantidade sem relação algébrica direta e geral com a soma dos quadrados das entradas fora da diagonal. Semidefinida positiva garante autovalores não-negativos, não nenhuma identidade entre traço e covariâncias cruzadas; a afirmação combina dois fatos verdadeiros isolados (matriz PSD, traço existe) numa conclusão que não decorre deles.