Soluções — Aula 2: O Que é Ética, e o Ciclo Ético

Computação e Sociedade

Autor

Marcos M. Raimundo — Instituto de Computação, UNICAMP

Aula Exercícios

NotaTeste 1 — Utilitarismo — o princípio da utilidade e as correções de Mill
  • □ Se uma prefeitura decidisse investimentos em transporte público exclusivamente somando o total de horas economizadas por todos os usuários, sem considerar como esse tempo economizado se distribui entre bairros ricos e pobres, essa prefeitura estaria aplicando uma lógica estruturalmente igual à do balanço hedonista original de Bentham.
  • □ Se todos os seres humanos tivessem exatamente a mesma capacidade de sentir prazer e dor, em quantidade e intensidade idênticas, a distinção de Mill entre prazeres “superiores” e “inferiores” deixaria de fazer sentido, porque essa distinção depende de haver diferença qualitativa entre tipos de prazer, não de diferença de capacidade entre pessoas.
  • □ Se Bentham tivesse aceitado a existência de prazeres qualitativamente superiores a outros (a primeira correção de Mill), isso, por si só, já teria resolvido o problema de que o cálculo utilitarista puro poderia sacrificar uma minoria em nome da maioria.
  • □ Como Mill corrige o utilitarismo de Bentham em dois pontos distintos, isso significa que, depois de Mill, não sobrou nenhuma crítica válida ao utilitarismo — as quatro críticas clássicas discutidas na aula foram formuladas antes das correções de Mill e não valem mais depois delas.
Dica(Resposta) Teste 1 — Utilitarismo — o princípio da utilidade e as correções de Mill
  • ✔ Verdadeiro — O balanço hedonista de Bentham soma prazeres e dores esperados sem distinguir quem especificamente os recebe — “cada indivíduo conta como uma unidade anônima” na soma. Somar horas economizadas por todos os usuários, sem olhar a distribuição entre bairros, é exatamente essa mesma operação (agregação cega à distribuição), só transposta do domínio do prazer/dor para o domínio de tempo economizado. É a mesma estrutura lógica de cálculo, aplicada a outro tipo de “moeda”.
  • ✗ Falso — O item descreve corretamente que a distinção de Mill é sobre tipo de prazer (intelectual vs. físico), não sobre a capacidade das pessoas de sentir prazer — mas conclui errado. Como a distinção nunca dependeu de diferenças de capacidade entre pessoas, igualar essa capacidade (a premissa contrafactual do item) é irrelevante para ela: a distinção qualitativa entre tipos de prazer continuaria fazendo sentido exatamente como antes. O erro é inferir que uma premissa que nunca sustentou a distinção, ao ser alterada, destruiria a distinção.
  • ✗ Falso — As duas correções de Mill respondem a objeções diferentes. A primeira (prazeres superiores/inferiores) refina o que conta como prazer — não tem nenhum mecanismo de proteção do indivíduo contra o grupo. É a segunda correção (o princípio de liberdade) que resolve especificamente o problema de sacrificar uma minoria em nome da maioria. Trocar uma pela outra é confundir dois remédios para dois problemas distintos — exatamente o tipo de mistura que a aula avisa para não fazer.
  • ✗ Falso — As quatro críticas clássicas (imprevisibilidade, justiça distributiva/Rawls, relações pessoais, fins e meios) são apresentadas na aula depois de discutir as correções de Mill, e não são resolvidas por elas — são objeções estruturalmente diferentes, que sobrevivem tanto ao utilitarismo de Bentham quanto ao de Mill (a própria crítica de Rawls, por exemplo, é dirigida ao utilitarismo em geral, citando Mill implicitamente ao não distinguir as duas versões). Corrigir dois problemas específicos não é o mesmo que imunizar a teoria contra toda crítica possível.
NotaTeste 2 — Utilitarismo — as quatro críticas clássicas
  • □ No limite em que fosse possível prever toda consequência de uma ação com certeza absoluta, a crítica da imprevisibilidade deixaria de se aplicar ao cálculo utilitarista, mas as demais três críticas (justiça distributiva, relações pessoais, fins e meios) continuariam valendo mesmo assim.
  • □ A crítica de que o utilitarismo “ignora relações pessoais” (o exemplo do naufrágio, escolher entre salvar um amigo ou um cirurgião famoso) se aplicaria, pela mesma lógica, a um algoritmo de triagem hospitalar que prioriza pacientes exclusivamente por uma pontuação agregada de expectativa de vida, sem qualquer peso para o vínculo entre o paciente e quem decide.
  • □ Se a Ford, no caso do Ford Pinto, tivesse usado o utilitarismo de regra desde o início, ela teria automaticamente escapado da crítica de que “os fins justificam os meios”, porque o utilitarismo de regra nunca permite quebrar princípios fundamentais em nome de um resultado agregado melhor.
  • □ Como a crítica de Rawls aponta que o utilitarismo “não reconhece a separação fundamental entre as pessoas”, isso significa que qualquer teoria que use algum tipo de soma ou agregação de bem-estar (mesmo que pondere por equidade) é necessariamente incompatível com a justiça distributiva.
Dica(Resposta) Teste 2 — Utilitarismo — as quatro críticas clássicas
  • ✔ Verdadeiro — A Crítica 1 é especificamente sobre a impossibilidade de prever consequências com certeza — remover essa incerteza por hipótese elimina exatamente essa crítica. Mas as outras três críticas não dependem de incerteza: a justiça distributiva questiona como o bem-estar se distribui mesmo com certeza total sobre o resultado; a crítica de relações pessoais questiona o tratamento anônimo dos indivíduos; a crítica de fins e meios questiona a disposição de quebrar princípios fundamentais em nome de um resultado agregado — nenhuma dessas três é resolvida por ter previsão perfeita.
  • ✔ Verdadeiro — O mecanismo da crítica é tratar cada indivíduo como “uma unidade anônima” num cálculo agregado, ignorando vínculos e relações particulares. Um algoritmo de triagem que só olha uma pontuação agregada de utilidade (expectativa de vida) reproduz exatamente esse mecanismo — é a mesma estrutura da crítica, transposta do exemplo do naufrágio para um sistema de decisão automatizado em saúde.
  • ✗ Falso — No caso Ford Pinto específico, o utilitarismo de regra de fato reverte a conclusão (recolher o carro) — mas isso não prova a generalização de que ele “nunca permite” quebrar princípios fundamentais em qualquer cenário possível. O utilitarismo de regra ainda julga a regra pelas consequências agregadas de segui-la; em princípio, uma regra que quebra um direito fundamental poderia, em outro cenário hipotético, ainda maximizar a felicidade agregada como regra geral. A aula resolve o caso concreto, não oferece uma prova de imunidade categórica da variante de regra contra a Crítica 4 em qualquer situação.
  • ✗ Falso — A própria aula apresenta duas respostas utilitaristas à crítica de Rawls que continuam agregando, mas de forma ponderada por equidade: Sidgwick (preferir a distribuição mais equitativa entre situações de felicidade total igual) e Hare (a utilidade marginal decrescente já empurra o cálculo para menos desigualdade). Isso mostra que agregação e atenção à distribuição não são mutuamente exclusivas — a crítica de Rawls é ao utilitarismo que ignora a distribuição, não a qualquer forma de soma.
NotaTeste 3 — Ford Pinto — três cálculos utilitaristas
  • □ Como a Ford apresentou um argumento ato-utilitarista para não recolher o carro, e esse argumento foi criticado, isso significa que a crítica correta ao caso é que o utilitarismo, enquanto teoria, está errado — e por isso o livro rejeita usar o utilitarismo para avaliar o caso Ford Pinto.
  • □ A mesma lógica que torna o utilitarismo de regra mais exigente do que o utilitarismo de ato no caso Ford Pinto se aplicaria a uma empresa de alimentos decidindo se deve, só uma vez, usar um ingrediente mais barato e ligeiramente menos seguro, para atender uma demanda pontual de baixo custo.
  • □ Se absolutamente nenhum consumidor jamais soubesse que o Ford Pinto tinha um defeito de segurança, o argumento utilitarista de ato usado pela própria Ford (comparar custo de reforma vs. custo de acidentes esperados) continuaria sendo estruturalmente o mesmo cálculo, porque ele não depende de quem sabe o quê — só dos custos agregados esperados.
  • □ Se a crítica de que o cálculo original da Ford era baseado em estimativas pouco confiáveis do número de fatalidades esperadas fosse completamente resolvida (estimativas perfeitamente precisas), isso eliminaria também a objeção mais fundamental ao caso — a de que o argumento abandona princípios como “não se pode colocar um valor sobre a vida humana”.
Dica(Resposta) Teste 3 — Ford Pinto — três cálculos utilitaristas
  • ✗ Falso — O livro não rejeita o utilitarismo — ele mostra que outras formulações dentro da própria teoria (o princípio de liberdade de Mill, o utilitarismo de regra) revertem a conclusão da Ford para “deveria ter recolhido”. O problema identificado não é que “utilitarismo está errado”, é que a Ford escolheu a formulação mais rasa e conveniente entre várias disponíveis dentro da mesma família de teoria.
  • ✔ Verdadeiro — O utilitarismo de regra pergunta se a regra geral (“empresas devem usar ingredientes seguros”) maximiza felicidade a longo prazo, independentemente de o ato pontual parecer vantajoso isoladamente — exatamente a mesma estrutura usada para o Ford Pinto (“empresas devem produzir carros seguros”). É uma transferência direta e válida do mecanismo para outro setor.
  • ✔ Verdadeiro — O cálculo ato-utilitarista da Ford é puramente sobre custo social agregado esperado (reforma vs. acidentes) — não referencia em nenhum momento o que os consumidores sabem ou deixam de saber. É a crítica kantiana (reciprocidade) que depende do estado de informação dos consumidores, porque seu mecanismo é justamente “enganar a racionalidade alheia negando informação”. Esta questão testa se o aluno mantém as duas críticas — utilitarista e kantiana — separadas em vez de misturar seus mecanismos.
  • ✗ Falso — O material distingue explicitamente duas categorias de objeção ao cálculo da Ford: objeções práticas (valores monetários arbitrários, estimativas pouco confiáveis) e objeções mais fundamentais (abandonar o princípio de que vida humana não tem preço, ou o princípio de liberdade de Mill). Resolver a primeira categoria (números precisos) não toca a segunda — mesmo com estimativas perfeitas, o argumento ainda colocaria um valor monetário sobre vidas humanas para decidir se vale a pena recolher o carro, o que é justamente o que a objeção fundamental rejeita.
NotaTeste 4 — Teoria kantiana — o imperativo categórico
  • □ Se a promessa, no exemplo do imperativo categórico usado na aula, não dependesse de nenhuma prática social de confiança preexistente, o argumento de Kant de que quebrar promessas por conveniência não pode ser universalizado perderia sua base lógica.
  • □ No limite em que uma pessoa está completamente sozinha, sem nenhuma outra pessoa racional em sua vida, o segundo imperativo categórico (tratar a humanidade, na própria pessoa ou em qualquer outra, sempre como fim) ainda teria um objeto de aplicação, porque o imperativo se aplica também à própria pessoa do agente, não só a terceiros.
  • □ O mecanismo de “enganar a racionalidade de alguém, negando-lhe informação necessária para decidir por si mesma” (usado no exemplo do empréstimo desonesto e no caso Ford Pinto) se aplicaria da mesma forma a uma plataforma de crédito que aprova empréstimos usando um modelo de risco que a empresa sabe ser impreciso, sem informar isso aos clientes.
  • □ Como a primeira formulação do imperativo categórico (universalidade) e a segunda (reciprocidade) são ditas equivalentes por Kant, isso significa que elas sempre produzem exatamente o mesmo teste passo a passo em qualquer caso, e por isso o livro só precisaria ter aplicado uma delas ao Ford Pinto.
Dica(Resposta) Teste 4 — Teoria kantiana — o imperativo categórico
  • ✔ Verdadeiro — O argumento de Kant depende precisamente do fato de que a prática de prometer só existe porque as pessoas geralmente confiam nela — “se quebrar a promessa por conveniência se tornasse uma lei geral, ninguém mais confiaria em ninguém para cumprir uma promessa”. Se a prática não dependesse de confiança preexistente, não haveria autocontradição lógica ao universalizar a máxima, e o argumento perderia exatamente o mecanismo que o sustenta.
  • ✔ Verdadeiro — A formulação citada na aula é explícita: “tratar a humanidade, seja na sua própria pessoa, seja na de qualquer outro, sempre também como um fim, nunca meramente como um meio”. O imperativo não se esgota nas relações com terceiros — ele também rege como o agente trata a si mesmo. Isolamento social completo removeria o objeto “terceiros”, mas não removeria o objeto “própria pessoa”.
  • ✔ Verdadeiro — O mecanismo kantiano de violação da reciprocidade não é sobre mentir ou causar dano físico especificamente — é sobre negar a alguém a informação que permitiria uma decisão racional autônoma. Uma plataforma que sabe que seu modelo é impreciso e não informa isso aos clientes está usando a confiança/racionalidade deles como meio para seus próprios fins, exatamente como no exemplo do empréstimo e no Ford Pinto.
  • ✗ Falso — “Equivalentes” na filosofia kantiana significa que ambas decorrem do mesmo princípio racional supremo e devem, em teoria, concordar quanto ao veredito final — não que sejam o mesmo teste mecânico. Uma pergunta se a máxima pode ser universalizada sem contradição lógica; a outra pergunta se a pessoa é tratada como fim ou meramente como meio. São mecânicas diferentes, e o próprio livro aplica as duas separadamente ao Ford Pinto, com argumentos distintos para cada uma — não é uma aplicação redundante.
NotaTeste 5 — Teoria kantiana — rigidez, o assassino à porta, e a saída de Ross
  • □ Se Ross tivesse concluído que o dever de cumprir promessas é sempre, em qualquer contexto, mais fundamental do que o dever de ajudar um amigo em apuros, sua distinção entre normas prima facie e normas auto-evidentes não faria mais sentido como solução para casos como o do assassino à porta.
  • □ No limite em que existisse só um único dever moral possível em qualquer situação (nenhum conflito jamais poderia surgir entre dois deveres), a distinção de Ross entre nível prima facie e nível auto-evidente se tornaria desnecessária.
  • □ A mesma lógica usada para explicar por que mentir para o assassino à porta é, para a maioria das pessoas, obviamente aceitável (um dever prima facie sendo superado por outro mais fundamental no contexto) se aplicaria a um engenheiro que, sob ordem direta e documentada de um superior, ignora por uma única vez um protocolo de segurança para impedir um acidente iminente e evitável de outra forma.
  • □ Como Kant não permite nenhuma exceção às suas normas, e Ross permite que uma norma prima facie seja superada por outra, isso significa que a posição de Ross é, na prática, equivalente a dizer que não existem deveres morais genuínos — só preferências situacionais.
Dica(Resposta) Teste 5 — Teoria kantiana — rigidez, o assassino à porta, e a saída de Ross
  • ✔ Verdadeiro — A distinção de Ross só tem poder explicativo para casos como o do assassino à porta porque o dever “vencedor” pode variar de acordo com o contexto concreto — no exemplo do livro, “ajudar seu amigo” vence sobre “cumprir a promessa de corrigir provas” nesta situação específica. Se um dos deveres sempre vencesse categoricamente em qualquer contexto (o oposto do pluralismo contextual de Ross), a distinção perderia justamente a flexibilidade que a torna útil para resolver dilemas como o do assassino.
  • ✔ Verdadeiro — A distinção de dois níveis (o que parece bom à primeira vista vs. o que é bom considerando tudo) só tem função quando dois deveres genuínos podem competir entre si numa mesma situação. Sem nenhuma possibilidade de conflito entre deveres, não haveria nunca nada a “superar” — o dever único aplicável seria automaticamente o dever de nível mais profundo, e a distinção perderia sua utilidade prática.
  • ✔ Verdadeiro — A estrutura do argumento de Ross é: dois deveres prima facie genuínos entram em conflito numa situação concreta, e um deles (o mais fundamental nesta situação) vence. No cenário do engenheiro, “seguir o protocolo documentado” e “impedir um acidente iminente evitável de outra forma” são ambos deveres reais em tensão — a mesma mecânica de “um dever prima facie superado por outro mais fundamental no contexto” se aplica, ainda que o domínio (engenharia, não uma promessa) seja diferente.
  • ✗ Falso — Ross é explícito ao afirmar que uma norma prima facie “é um dever genuíno — não é ‘fake’ nem opcional”. O que ele propõe é que esse dever genuíno pode ser superado por outro dever igualmente genuíno, mais forte no contexto — isso é radicalmente diferente de dizer que deveres não existem e tudo é preferência. A confusão do item está em equiparar “superável por outro dever” com “inexistente” — Ross mantém o vocabulário normativo de dever o tempo todo, só o torna pluralista em vez de absoluto.
NotaTeste 6 — Ética das virtudes — eudaimonia, meio-termo e a crítica de Frankena/Kant
  • □ No limite em que uma pessoa tivesse excesso total de uma virtude (por exemplo, coragem levada ao extremo absoluto, sem nenhum limite), essa qualidade deixaria de ser, pela própria definição aristotélica de virtude como meio-termo, uma virtude — e passaria a ser um vício.
  • □ Se LeMessurier tivesse decidido não informar ninguém sobre o risco estrutural do Citicorp Center, mas tivesse, sozinho e sem avisar terceiros, reforçado a estrutura por conta própria durante a noite, essa ação ainda demonstraria a mesma virtude de “abertura à crítica” identificada pelo livro como louvável em seu comportamento real.
  • □ A crítica de Kant ao “psicopata frio” (cujas virtudes de autocontrole e deliberação fria o tornam mais perigoso, não menos) se aplicaria da mesma forma a um engenheiro de segurança extremamente meticuloso e obstinado, mas que usa essa mesma meticulosidade para encobrir falhas de forma mais eficaz e convincente.
  • □ Como a ética das virtudes foca no caráter de quem age, e não nas consequências da ação, isso significa que, para essa teoria, o resultado prático de uma ação (por exemplo, se um prédio realmente cai ou não) é completamente irrelevante para avaliar o comportamento de um engenheiro.
Dica(Resposta) Teste 6 — Ética das virtudes — eudaimonia, meio-termo e a crítica de Frankena/Kant
  • ✔ Verdadeiro — A aula é explícita: “a coragem está equilibrada entre a covardia e a imprudência”. Coragem levada ao extremo absoluto, sem nenhum limite, é exatamente a definição de imprudência — um dos dois vícios entre os quais a virtude deveria ser o meio-termo. Por definição aristotélica, o excesso deixa de ser virtude.
  • ✗ Falso — A virtude de “abertura à crítica” identificada no caso está especificamente ligada a como LeMessurier reagiu à dúvida externa de um estudante — levando-a a sério em vez de descartá-la — e depois relatou voluntariamente o problema a terceiros (advogados, seguradoras, prefeitura), mesmo arriscando sua reputação. Agir sozinho e em segredo, sem envolver ninguém, não expressaria essa mesma virtude relacional de abertura e transparência — poderia até expressar outra virtude (competência técnica), mas não a que o livro louva.
  • ✔ Verdadeiro — O ponto da crítica citada na aula é que traços como “moderação da consciência e da paixão, autocontrole e deliberação fria” não são bons ou maus em si — dependem do fim a que servem. Um engenheiro meticuloso que usa exatamente essa meticulosidade para encobrir falhas de forma mais convincente reproduz a mesma estrutura: o traço psicológico (meticulosidade, controle) torna a pessoa mais eficaz no mal, não menos perigosa.
  • ✗ Falso — Focar no caráter não significa ignorar o contexto factual/consequente por completo — é justamente o resultado prático concreto (o prédio realmente estar em risco de desabar numa tempestade de 16 anos) que dá substância e seriedade à ação de LeMessurier ser julgada como corajosa e responsável. A ética das virtudes julga o caráter revelado pela ação em seu contexto real, não em um vácuo sem consequências — a diferença para o utilitarismo é que as consequências não são o critério final de avaliação, não que sejam irrelevantes.
NotaTeste 7 — Ética do cuidado — relações assimétricas e a crítica de vagueza
  • □ Se a ética do cuidado, como apresentada na aula, definisse relação moralmente relevante apenas como aquela que envolve proximidade emocional direta (amigos, família), o argumento do livro que responsabiliza a Ford pelos consumidores anônimos do Ford Pinto não seria sustentável dentro dessa mesma teoria.
  • □ No limite em que duas partes de uma relação têm exatamente a mesma vulnerabilidade e dependência mútua, a ética do cuidado, pelo mecanismo central discutido na aula, não teria uma base para atribuir um dever de cuidado mais forte de uma parte sobre a outra do que o inverso.
  • □ A crítica de que a ética do cuidado é “filosoficamente vaga” e não dá indicações concretas de como agir se aplicaria, pela mesma lógica levantada na aula sobre a ética das virtudes, a um comitê de ética que tenta usar somente a ética do cuidado para decidir, sem outro critério, se uma empresa deveria ou não lançar um produto de inteligência artificial.
  • □ Como a ética do cuidado enfatiza relações concretas em vez de princípios morais gerais, isso significa que essa teoria nega que existam valores ou princípios morais válidos aplicáveis a mais de uma situação — cada relação teria sua própria moralidade completamente isolada e incomparável com qualquer outra.
Dica(Resposta) Teste 7 — Ética do cuidado — relações assimétricas e a crítica de vagueza
  • ✔ Verdadeiro — O próprio livro constrói o argumento sobre a Ford precisamente para mostrar que proximidade emocional não é necessária — basta a dependência assimétrica de informação. Se a teoria exigisse proximidade emocional por definição, o argumento sobre consumidores anônimos perderia sua base, porque não há esse tipo de proximidade entre a Ford e milhões de compradores que ela nunca conheceu individualmente.
  • ✔ Verdadeiro — A aula enfatiza que “o reconhecimento da vulnerabilidade e da dependência desempenha um papel importante, especialmente se as relações forem assimétricas”. O mecanismo depende de uma parte ser mais vulnerável/dependente que a outra; sem essa assimetria em nenhuma direção, não há base nessa teoria específica para dizer que uma parte deve mais cuidado à outra do que o inverso (embora outros frameworks, fora da ética do cuidado, ainda pudessem fundamentar deveres mútuos por outras razões).
  • ✔ Verdadeiro — A crítica citada na aula (“não fica claro o que ‘cuidado’ exatamente significa […] não dá indicações concretas de como agir numa situação específica”) é genérica quanto ao tipo de decisão — vale tanto para o julgamento de um caso já estudado quanto para qualquer novo comitê que tente decidir usando esse framework, sem outro critério de apoio. É uma aplicação direta da mesma crítica a um cenário institucional concreto.
  • ✗ Falso — A ética do cuidado discute conceitos que se repetem entre relações diferentes — vulnerabilidade e dependência assimétrica aparecem tanto em pai-filho quanto em empregador-empregado e médico-paciente, e no próprio caso Ford-consumidores. Ela não nega generalização nenhuma: rejeita que o julgamento moral deva partir de um princípio abstrato aplicado de cima para baixo, sem atenção ao contexto relacional — uma diferença de ponto de partida metodológico, não uma negação de qualquer conceito compartilhável entre relações.
NotaTeste 8 — O Ciclo Ético — Fase 1 e Fase 2
  • □ Se a “Tentativa 2” de formular o problema Gilbane Gold (“como a cidade pode garantir tanto a Z-Corp quanto a Gilbane Gold como fontes de bem-estar?”) tivesse sido aceita como formulação final, a Fase 2 (análise) ainda conseguiria identificar corretamente os valores morais em conflito (como honestidade e lealdade à empresa), porque a Fase 2 não depende de como a Fase 1 foi formulada.
  • □ No limite em que só existisse um único interessado afetado por uma decisão (nenhum outro ator, nenhuma sociedade em volta), a Fase 2 do Ciclo Ético se reduziria trivialmente a analisar os próprios valores e interesses de quem decide.
  • □ A lógica usada para rejeitar a “Tentativa 1” de Gilbane Gold (uma pergunta puramente factual: “o chumbo vai causar efeitos à saúde?”) se aplicaria da mesma forma para rejeitar, como formulação de um problema moral, a pergunta “este modelo de machine learning tem uma taxa de erro estatisticamente maior para um subgrupo demográfico?”, porque essa também é uma pergunta de fato, não de valor, mesmo sendo tecnicamente relevante.
  • □ Como o livro recomenda formular fatos incertos de forma hipotética (“se x, opção A; se y, opção B”) na Fase 2, isso significa que nenhuma decisão pode ser tomada enquanto todos os fatos relevantes não estiverem completamente resolvidos.
Dica(Resposta) Teste 8 — O Ciclo Ético — Fase 1 e Fase 2
  • ✗ Falso — As fases do Ciclo Ético são interdependentes, não isoladas — a Fase 1 orienta e limita o que a Fase 2 vai analisar. Uma formulação de meios/eficiência como a Tentativa 2 (“como garantir as duas empresas como fontes de bem-estar?”) tende a direcionar a análise para otimização de recursos, não para os valores morais em conflito (honestidade vs. lealdade à empresa) que só emergem quando o problema é formulado corretamente como pergunta moral. Usar a formulação errada compromete a qualidade da análise seguinte.
  • ✔ Verdadeiro — A Fase 2 pede que se identifiquem interessados, valores e fatos relevantes. Removendo por hipótese todos os interessados exceto quem decide, a etapa de “identificar interessados e seus interesses” se reduz logicamente a um único ator — a própria pessoa decisora — tornando a análise dessa dimensão trivial (embora os valores e fatos ainda precisassem ser levantados normalmente).
  • ✔ Verdadeiro — A Tentativa 1 de Gilbane Gold (“o chumbo vai causar efeitos à saúde?”) foi rejeitada como formulação do problema moral por ser puramente factual, mesmo sendo tecnicamente relevante. A pergunta sobre taxa de erro do modelo tem exatamente essa mesma natureza: é uma pergunta estatística/factual que, por si só, ainda não diz o que fazer diante da disparidade nem por que isso seria moralmente problemático — precisaria ser reformulada em termos de valores (justiça, dano) para se tornar um problema moral bem formulado.
  • ✗ Falso — A recomendação de formular hipoteticamente (“se x, opção A; se y, opção B”) existe precisamente para evitar essa paralisia — ela permite avançar com a decisão mesmo sob incerteza, sem fingir uma certeza que não existe. É o oposto de exigir que todos os fatos estejam resolvidos antes de agir.
NotaTeste 9 — O Ciclo Ético — Fase 3 e o kit de ferramentas da Fase 4
  • □ Se, no caso Gilbane Gold, a estratégia preto-no-branco original (“informar publicamente” ou “não informar”) tivesse sido a única opção genuinamente disponível, a crítica do livro a essa estratégia como “simplista demais” deixaria de se aplicar ao caso.
  • □ No limite em que o critério de Pareto e o critério de utilidade agregada (maior felicidade para o maior número) recomendassem sempre a mesma opção em qualquer decisão possível, ainda haveria uma diferença prática relevante entre os dois critérios, porque o critério de Pareto continuaria sendo, por definição, mais difícil de satisfazer.
  • □ A mesma lógica usada no caso Jasmine para mostrar que Kant e o utilitarismo de ato podem discordar sobre a mesma decisão se aplicaria a uma equipe de engenharia de software decidindo se aceita reduzir a cobertura de testes automatizados de um módulo legado para liberar orçamento para contratar mais desenvolvedores em outra área.
  • □ Como o “framework intuicionista” descrito na Fase 4 pede que se indique qual opção é “intuitivamente mais aceitável” e se formulem argumentos para isso, esse framework é, na prática, idêntico a simplesmente escolher por gosto pessoal sem nenhum critério.
Dica(Resposta) Teste 9 — O Ciclo Ético — Fase 3 e o kit de ferramentas da Fase 4
  • ✔ Verdadeiro — A crítica à estratégia preto-no-branco é que ela esconde alternativas reais atrás de uma escolha binária aparente. Se, por hipótese, não houvesse mesmo nenhuma alternativa real disponível, o binário não seria uma simplificação artificial — seria a estrutura genuína do problema, e a crítica de “simplista demais” perderia seu objeto.
  • ✔ Verdadeiro — Mesmo coincidindo sempre na recomendação final (uma hipótese extrema), os dois critérios continuam sendo logicamente diferentes: Pareto exige que ninguém piore de situação, enquanto a utilidade agregada permite que alguns piorem se outros ganharem mais o suficiente para compensar no total. Pareto é uma condição estritamente mais forte — essa diferença estrutural persiste independente de, nesse cenário hipotético, sempre apontarem para a mesma opção.
  • ✔ Verdadeiro — No caso Jasmine, o utilitarismo de ato aprova a proposta por seu resultado agregado favorável, enquanto o teste de universalização kantiano rejeita a máxima subjacente. A mesma estrutura de tensão (resultado agregado favorável vs. máxima que não se sustenta universalizada — “toda equipe pode reduzir cobertura de testes quando conveniente para outro objetivo”) reaparece de forma análoga no cenário de engenharia de software.
  • ✗ Falso — A definição citada na aula exige explicitamente “formular argumentos para essa afirmação” — ou seja, o framework intuicionista não aceita a intuição pura e não examinada como resposta final; ele exige que essa intuição seja justificada com razões articuláveis. Isso é estruturalmente diferente de uma escolha por preferência pessoal sem nenhuma justificativa — é precisamente esse requisito de argumentação que distingue “raciocínio moral argumentável” de “achismo”, tema que atravessa toda a aula desde a Abertura.
NotaTeste 10 — O Ciclo Ético — Fase 5 e as setas de retorno
  • □ Se as duas perguntas de reflexão da Fase 5 (“o framework sustenta minha intuição?” e “ele captura os aspectos moralmente relevantes?”) sempre tivessem a mesma resposta para qualquer framework aplicado a qualquer caso, o método do equilíbrio reflexivo amplo deixaria de conseguir distinguir frameworks mais adequados de menos adequados para um caso específico.
  • □ No limite em que uma pessoa nunca tivesse nenhum julgamento moral ponderado prévio sobre nenhum caso, o método do equilíbrio reflexivo amplo perderia um dos três tipos de crença moral que ele busca tornar coerentes entre si.
  • □ A Seta 2 (Fase 4 → Fase 1), que no caso Highway Safety aparece quando a lente kantiana revela uma dimensão de justiça que a formulação original não via, se aplicaria da mesma forma a uma equipe que, ao tentar aplicar um teste de equidade a um algoritmo de concessão de crédito já em produção, percebe que o problema originalmente formulado como “maximizar a precisão do modelo” escondia uma dimensão de justiça distributiva entre grupos.
  • □ Como o livro afirma explicitamente a Seta 2, mas não afirma explicitamente as Setas 1 e 3 (que são reconstruções pedagógicas), isso significa que as Setas 1 e 3 não têm nenhuma base no texto do livro e foram inventadas sem qualquer relação com o que os autores escreveram.
Dica(Resposta) Teste 10 — O Ciclo Ético — Fase 5 e as setas de retorno
  • ✔ Verdadeiro — As duas perguntas de reflexão (“o framework sustenta minha intuição?” e “ele captura os aspectos relevantes?”) só têm utilidade diagnóstica porque, na prática, diferentes frameworks respondem diferente a elas para casos diferentes. Se a resposta fosse sempre “sim” para tudo, as perguntas nunca discriminariam nada, e perderiam sua função de filtro dentro do método.
  • ✔ Verdadeiro — O método busca coerência entre três tipos de crença: julgamentos morais ponderados, princípios morais, e teorias de fundo. Sem nenhum julgamento moral ponderado prévio, o primeiro dos três polos simplesmente não existiria para essa pessoa, e o método perderia um terço de sua matéria-prima.
  • ✔ Verdadeiro — A Seta 2, no caso Highway Safety, ocorre quando aplicar a lente kantiana (Fase 4) revela uma dimensão de justiça que a formulação original do problema (Fase 1) não via, levando a reformular e refazer as fases seguintes. A mesma estrutura — testar equidade na Fase 4 revela que a Fase 1 (“maximizar precisão”) escondia uma dimensão de justiça — é uma transferência direta e correta desse mecanismo para avaliação de algoritmos.
  • ✗ Falso — A Seta 1 parte de uma citação literal de Whitbeck reproduzida pelo próprio livro (a crítica ao binário forçado do caso Highway Safety); a Seta 3 parte da descrição literal do livro sobre a dificuldade de aplicar o teste de reciprocidade ao caso. O que é reconstrução pedagógica é nomear esses trechos reais como “voltar de fase” (uma leitura estrutural do que o texto faz implicitamente) — não inventar o conteúdo do zero. Confundir “sem afirmação explícita sobre voltar” com “sem base textual nenhuma” é o erro do item.
NotaTeste 11 — Caso Highway Safety — aplicando o ciclo
  • □ Se David Weber tivesse ignorado completamente a crítica de Whitbeck e nunca considerado nenhuma alternativa além de A ou B, isso significaria que ele necessariamente teria formulado mal a Fase 1 do problema, independente de qualquer outro fator.
  • □ Se o Cruzamento A tivesse exatamente o mesmo tráfego diário do Cruzamento B (20.000 veículos/dia em ambos), mas mantendo os mesmos números absolutos de fatalidades (2 em A, 1 em B), o argumento utilitarista continuaria recomendando o Cruzamento A, e o argumento kantiano de justiça baseado em “risco por veículo” passaria a recomendar exatamente a mesma coisa, porque os dois cruzamentos teriam risco por veículo idêntico.
  • □ A mesma tensão do caso Highway Safety entre “reduzir o total de incidentes” e “reduzir a desigualdade de risco entre grupos” apareceria de forma estruturalmente análoga numa prefeitura decidindo entre pavimentar uma avenida movimentada do centro ou uma estrada rural usada por poucas famílias que enfrentam buracos perigosos com frequência.
  • □ Como o livro conclui que não é possível criar um esquema de precificação de vidas em que o Cruzamento B pontue melhor (a menos que se atribua peso negativo à vida humana), isso significa que a teoria kantiana/de justiça está simplesmente errada neste caso, e só a conclusão utilitarista deveria ser considerada válida.
Dica(Resposta) Teste 11 — Caso Highway Safety — aplicando o ciclo
  • ✗ Falso — A crítica de Whitbeck incide sobre a Fase 3 (gerar opções), não necessariamente sobre a Fase 1. É possível formular bem o problema moral (identificar o quê, quem, e por que é uma questão moral — os três critérios da Fase 1) e, ainda assim, restringir-se apenas às duas opções originais ao gerar alternativas na Fase 3. O próprio livro segue com as duas opções originais mesmo depois de citar a crítica de Whitbeck, sem reformular a Fase 1 — mostrando que as duas fases, apesar de conectadas pela Seta 1, são analiticamente distintas.
  • ✗ Falso — Com tráfego igualado (20.000 veículos/dia em ambos) e fatalidades mantidas em 2 (A) e 1 (B), o risco por veículo seria 2/20.000 em A e 1/20.000 em B — ou seja, o dobro em A, não idêntico. Nesse cenário hipotético, tanto o argumento utilitarista (menos mortes absolutas em B, mas na verdade a intervenção que mais reduziria fatalidades ainda seria em A, que tem o dobro) quanto o argumento de equidade (A também passaria a ter o maior risco por veículo) apontariam para melhorar o Cruzamento A — os dois argumentos convergiriam, mas não porque o risco por veículo ficasse igual: ficaria desigual na direção oposta à do caso original. O item erra o cálculo ao afirmar “risco idêntico”.
  • ✔ Verdadeiro — É a mesma estrutura de decisão: uma opção concentra mais tráfego e, por isso, mais impacto agregado ao ser melhorada (favorecida pelo utilitarismo); a outra atende poucas pessoas, mas sujeitas a um risco proporcionalmente maior ou mais frequente (favorecida por um argumento de equidade). A transferência de domínio (trânsito urbano para pavimentação rural) preserva o mecanismo central.
  • ✗ Falso — A robustez do resultado numérico utilitarista (pouco sensível à escolha do esquema de precificação) não invalida o valor que a lente kantiana está protegendo (equidade na distribuição do risco). O livro apresenta os dois argumentos como coexistindo e merecendo reflexão na Fase 5 — não como um “vencendo por robustez” e o outro sendo descartado como errado. Robustez e correção do valor subjacente são perguntas diferentes.
NotaTeste 12 — Fechamento — as quatro perspectivas de Steen e a metáfora da bússola
  • □ Se Steen tivesse chamado sua quarta perspectiva de “ética do cuidado” em vez de “ética relacional”, a nota de precisão da aula sobre não termos confirmado se as duas formulações são idênticas palavra por palavra deixaria de ser necessária, porque bastaria o nome ser igual para garantir que o conteúdo é o mesmo.
  • □ Se as quatro perspectivas de Steen sempre concordassem exatamente na mesma recomendação para qualquer decisão de projeto, a metáfora da bússola moral perderia parte de sua utilidade pedagógica, porque um dos pontos centrais da metáfora é que bússolas diferentes apontam para direções (valores) diferentes, não necessariamente para o mesmo caminho.
  • □ A prática de workshops de “Deliberação Ética Rápida” (aplicar as quatro perspectivas de Steen a um mesmo projeto) se aplicaria, com a mesma lógica, a uma equipe decidindo se deve lançar uma funcionalidade de reconhecimento facial em um aplicativo de segurança residencial, mesmo sem qualquer material formal de ética disponível durante a reunião.
  • □ Como a bússola moral “não diz para onde ir”, isso significa que teorias éticas são inúteis para a tomada de decisão prática, e é melhor confiar apenas na intuição não examinada de quem decide.
Dica(Resposta) Teste 12 — Fechamento — as quatro perspectivas de Steen e a metáfora da bússola
  • ✗ Falso — A nota de precisão trata de um problema de verificação de conteúdo/formulação teórica, não de nomenclatura. Nomes iguais não garantiriam, por si só, que os conceitos fossem idênticos — a verificação ainda precisaria ser feita lendo o capítulo de Steen. E, inversamente, como de fato ocorre no caso real (nomes diferentes — “ética do cuidado” vs. “ética relacional”), isso não impede que os conceitos sejam a mesma tradição. Confundir nome com conteúdo é exatamente o erro que a nota de precisão evita cometer.
  • ✔ Verdadeiro — Parte do valor pedagógico da metáfora, reforçado “quatro vezes hoje com o Ford Pinto”, é reconhecer que perspectivas diferentes podem apontar para direções diferentes — não necessariamente para o mesmo caminho. Se as quatro perspectivas sempre coincidissem em qualquer decisão possível, essa lição específica sobre divergência perderia força pedagógica (embora a metáfora ainda funcionasse, de forma mais fraca, para o ponto isolado de “não decidir o caminho por você”).
  • ✔ Verdadeiro — O formato descrito por Steen (“workshops […] guiados a olhar para seu projeto […] através dessas quatro perspectivas éticas”) depende apenas de aplicar as quatro lentes de forma estruturada a um projeto real, não de ter materiais formais de ética à mão durante a reunião — é uma prática deliberadamente leve, transferível a qualquer decisão de produto, incluindo reconhecimento facial.
  • ✗ Falso — O próprio material citado nos slides do Bloco 3 afirma o contrário: “uma decisão moral que simplesmente ignora as teorias éticas […] é geralmente claramente antiética”. A bússola não decidir o caminho por si só não significa que ela seja inútil — ela orienta e estrutura a deliberação (via o próprio Ciclo Ético), tornando o raciocínio explícito e argumentável, mesmo sem automatizar a resposta final. É exatamente o oposto de “confiar na intuição não examinada”, que a aula rejeita desde a Abertura.