Soluções — Aula 2: O Que é Ética, e o Ciclo Ético
Computação e Sociedade
Dica(Resposta) Teste 1 — Utilitarismo — o princípio da utilidade e as correções de Mill
- ✔ Verdadeiro — O balanço hedonista de Bentham soma prazeres e dores esperados sem distinguir quem especificamente os recebe — “cada indivíduo conta como uma unidade anônima” na soma. Somar horas economizadas por todos os usuários, sem olhar a distribuição entre bairros, é exatamente essa mesma operação (agregação cega à distribuição), só transposta do domínio do prazer/dor para o domínio de tempo economizado. É a mesma estrutura lógica de cálculo, aplicada a outro tipo de “moeda”.
- ✗ Falso — O item descreve corretamente que a distinção de Mill é sobre tipo de prazer (intelectual vs. físico), não sobre a capacidade das pessoas de sentir prazer — mas conclui errado. Como a distinção nunca dependeu de diferenças de capacidade entre pessoas, igualar essa capacidade (a premissa contrafactual do item) é irrelevante para ela: a distinção qualitativa entre tipos de prazer continuaria fazendo sentido exatamente como antes. O erro é inferir que uma premissa que nunca sustentou a distinção, ao ser alterada, destruiria a distinção.
- ✗ Falso — As duas correções de Mill respondem a objeções diferentes. A primeira (prazeres superiores/inferiores) refina o que conta como prazer — não tem nenhum mecanismo de proteção do indivíduo contra o grupo. É a segunda correção (o princípio de liberdade) que resolve especificamente o problema de sacrificar uma minoria em nome da maioria. Trocar uma pela outra é confundir dois remédios para dois problemas distintos — exatamente o tipo de mistura que a aula avisa para não fazer.
- ✗ Falso — As quatro críticas clássicas (imprevisibilidade, justiça distributiva/Rawls, relações pessoais, fins e meios) são apresentadas na aula depois de discutir as correções de Mill, e não são resolvidas por elas — são objeções estruturalmente diferentes, que sobrevivem tanto ao utilitarismo de Bentham quanto ao de Mill (a própria crítica de Rawls, por exemplo, é dirigida ao utilitarismo em geral, citando Mill implicitamente ao não distinguir as duas versões). Corrigir dois problemas específicos não é o mesmo que imunizar a teoria contra toda crítica possível.
Dica(Resposta) Teste 2 — Utilitarismo — as quatro críticas clássicas
- ✔ Verdadeiro — A Crítica 1 é especificamente sobre a impossibilidade de prever consequências com certeza — remover essa incerteza por hipótese elimina exatamente essa crítica. Mas as outras três críticas não dependem de incerteza: a justiça distributiva questiona como o bem-estar se distribui mesmo com certeza total sobre o resultado; a crítica de relações pessoais questiona o tratamento anônimo dos indivíduos; a crítica de fins e meios questiona a disposição de quebrar princípios fundamentais em nome de um resultado agregado — nenhuma dessas três é resolvida por ter previsão perfeita.
- ✔ Verdadeiro — O mecanismo da crítica é tratar cada indivíduo como “uma unidade anônima” num cálculo agregado, ignorando vínculos e relações particulares. Um algoritmo de triagem que só olha uma pontuação agregada de utilidade (expectativa de vida) reproduz exatamente esse mecanismo — é a mesma estrutura da crítica, transposta do exemplo do naufrágio para um sistema de decisão automatizado em saúde.
- ✗ Falso — No caso Ford Pinto específico, o utilitarismo de regra de fato reverte a conclusão (recolher o carro) — mas isso não prova a generalização de que ele “nunca permite” quebrar princípios fundamentais em qualquer cenário possível. O utilitarismo de regra ainda julga a regra pelas consequências agregadas de segui-la; em princípio, uma regra que quebra um direito fundamental poderia, em outro cenário hipotético, ainda maximizar a felicidade agregada como regra geral. A aula resolve o caso concreto, não oferece uma prova de imunidade categórica da variante de regra contra a Crítica 4 em qualquer situação.
- ✗ Falso — A própria aula apresenta duas respostas utilitaristas à crítica de Rawls que continuam agregando, mas de forma ponderada por equidade: Sidgwick (preferir a distribuição mais equitativa entre situações de felicidade total igual) e Hare (a utilidade marginal decrescente já empurra o cálculo para menos desigualdade). Isso mostra que agregação e atenção à distribuição não são mutuamente exclusivas — a crítica de Rawls é ao utilitarismo que ignora a distribuição, não a qualquer forma de soma.
Dica(Resposta) Teste 3 — Ford Pinto — três cálculos utilitaristas
- ✗ Falso — O livro não rejeita o utilitarismo — ele mostra que outras formulações dentro da própria teoria (o princípio de liberdade de Mill, o utilitarismo de regra) revertem a conclusão da Ford para “deveria ter recolhido”. O problema identificado não é que “utilitarismo está errado”, é que a Ford escolheu a formulação mais rasa e conveniente entre várias disponíveis dentro da mesma família de teoria.
- ✔ Verdadeiro — O utilitarismo de regra pergunta se a regra geral (“empresas devem usar ingredientes seguros”) maximiza felicidade a longo prazo, independentemente de o ato pontual parecer vantajoso isoladamente — exatamente a mesma estrutura usada para o Ford Pinto (“empresas devem produzir carros seguros”). É uma transferência direta e válida do mecanismo para outro setor.
- ✔ Verdadeiro — O cálculo ato-utilitarista da Ford é puramente sobre custo social agregado esperado (reforma vs. acidentes) — não referencia em nenhum momento o que os consumidores sabem ou deixam de saber. É a crítica kantiana (reciprocidade) que depende do estado de informação dos consumidores, porque seu mecanismo é justamente “enganar a racionalidade alheia negando informação”. Esta questão testa se o aluno mantém as duas críticas — utilitarista e kantiana — separadas em vez de misturar seus mecanismos.
- ✗ Falso — O material distingue explicitamente duas categorias de objeção ao cálculo da Ford: objeções práticas (valores monetários arbitrários, estimativas pouco confiáveis) e objeções mais fundamentais (abandonar o princípio de que vida humana não tem preço, ou o princípio de liberdade de Mill). Resolver a primeira categoria (números precisos) não toca a segunda — mesmo com estimativas perfeitas, o argumento ainda colocaria um valor monetário sobre vidas humanas para decidir se vale a pena recolher o carro, o que é justamente o que a objeção fundamental rejeita.
Dica(Resposta) Teste 4 — Teoria kantiana — o imperativo categórico
- ✔ Verdadeiro — O argumento de Kant depende precisamente do fato de que a prática de prometer só existe porque as pessoas geralmente confiam nela — “se quebrar a promessa por conveniência se tornasse uma lei geral, ninguém mais confiaria em ninguém para cumprir uma promessa”. Se a prática não dependesse de confiança preexistente, não haveria autocontradição lógica ao universalizar a máxima, e o argumento perderia exatamente o mecanismo que o sustenta.
- ✔ Verdadeiro — A formulação citada na aula é explícita: “tratar a humanidade, seja na sua própria pessoa, seja na de qualquer outro, sempre também como um fim, nunca meramente como um meio”. O imperativo não se esgota nas relações com terceiros — ele também rege como o agente trata a si mesmo. Isolamento social completo removeria o objeto “terceiros”, mas não removeria o objeto “própria pessoa”.
- ✔ Verdadeiro — O mecanismo kantiano de violação da reciprocidade não é sobre mentir ou causar dano físico especificamente — é sobre negar a alguém a informação que permitiria uma decisão racional autônoma. Uma plataforma que sabe que seu modelo é impreciso e não informa isso aos clientes está usando a confiança/racionalidade deles como meio para seus próprios fins, exatamente como no exemplo do empréstimo e no Ford Pinto.
- ✗ Falso — “Equivalentes” na filosofia kantiana significa que ambas decorrem do mesmo princípio racional supremo e devem, em teoria, concordar quanto ao veredito final — não que sejam o mesmo teste mecânico. Uma pergunta se a máxima pode ser universalizada sem contradição lógica; a outra pergunta se a pessoa é tratada como fim ou meramente como meio. São mecânicas diferentes, e o próprio livro aplica as duas separadamente ao Ford Pinto, com argumentos distintos para cada uma — não é uma aplicação redundante.
Dica(Resposta) Teste 5 — Teoria kantiana — rigidez, o assassino à porta, e a saída de Ross
- ✔ Verdadeiro — A distinção de Ross só tem poder explicativo para casos como o do assassino à porta porque o dever “vencedor” pode variar de acordo com o contexto concreto — no exemplo do livro, “ajudar seu amigo” vence sobre “cumprir a promessa de corrigir provas” nesta situação específica. Se um dos deveres sempre vencesse categoricamente em qualquer contexto (o oposto do pluralismo contextual de Ross), a distinção perderia justamente a flexibilidade que a torna útil para resolver dilemas como o do assassino.
- ✔ Verdadeiro — A distinção de dois níveis (o que parece bom à primeira vista vs. o que é bom considerando tudo) só tem função quando dois deveres genuínos podem competir entre si numa mesma situação. Sem nenhuma possibilidade de conflito entre deveres, não haveria nunca nada a “superar” — o dever único aplicável seria automaticamente o dever de nível mais profundo, e a distinção perderia sua utilidade prática.
- ✔ Verdadeiro — A estrutura do argumento de Ross é: dois deveres prima facie genuínos entram em conflito numa situação concreta, e um deles (o mais fundamental nesta situação) vence. No cenário do engenheiro, “seguir o protocolo documentado” e “impedir um acidente iminente evitável de outra forma” são ambos deveres reais em tensão — a mesma mecânica de “um dever prima facie superado por outro mais fundamental no contexto” se aplica, ainda que o domínio (engenharia, não uma promessa) seja diferente.
- ✗ Falso — Ross é explícito ao afirmar que uma norma prima facie “é um dever genuíno — não é ‘fake’ nem opcional”. O que ele propõe é que esse dever genuíno pode ser superado por outro dever igualmente genuíno, mais forte no contexto — isso é radicalmente diferente de dizer que deveres não existem e tudo é preferência. A confusão do item está em equiparar “superável por outro dever” com “inexistente” — Ross mantém o vocabulário normativo de dever o tempo todo, só o torna pluralista em vez de absoluto.
Dica(Resposta) Teste 6 — Ética das virtudes — eudaimonia, meio-termo e a crítica de Frankena/Kant
- ✔ Verdadeiro — A aula é explícita: “a coragem está equilibrada entre a covardia e a imprudência”. Coragem levada ao extremo absoluto, sem nenhum limite, é exatamente a definição de imprudência — um dos dois vícios entre os quais a virtude deveria ser o meio-termo. Por definição aristotélica, o excesso deixa de ser virtude.
- ✗ Falso — A virtude de “abertura à crítica” identificada no caso está especificamente ligada a como LeMessurier reagiu à dúvida externa de um estudante — levando-a a sério em vez de descartá-la — e depois relatou voluntariamente o problema a terceiros (advogados, seguradoras, prefeitura), mesmo arriscando sua reputação. Agir sozinho e em segredo, sem envolver ninguém, não expressaria essa mesma virtude relacional de abertura e transparência — poderia até expressar outra virtude (competência técnica), mas não a que o livro louva.
- ✔ Verdadeiro — O ponto da crítica citada na aula é que traços como “moderação da consciência e da paixão, autocontrole e deliberação fria” não são bons ou maus em si — dependem do fim a que servem. Um engenheiro meticuloso que usa exatamente essa meticulosidade para encobrir falhas de forma mais convincente reproduz a mesma estrutura: o traço psicológico (meticulosidade, controle) torna a pessoa mais eficaz no mal, não menos perigosa.
- ✗ Falso — Focar no caráter não significa ignorar o contexto factual/consequente por completo — é justamente o resultado prático concreto (o prédio realmente estar em risco de desabar numa tempestade de 16 anos) que dá substância e seriedade à ação de LeMessurier ser julgada como corajosa e responsável. A ética das virtudes julga o caráter revelado pela ação em seu contexto real, não em um vácuo sem consequências — a diferença para o utilitarismo é que as consequências não são o critério final de avaliação, não que sejam irrelevantes.
Dica(Resposta) Teste 7 — Ética do cuidado — relações assimétricas e a crítica de vagueza
- ✔ Verdadeiro — O próprio livro constrói o argumento sobre a Ford precisamente para mostrar que proximidade emocional não é necessária — basta a dependência assimétrica de informação. Se a teoria exigisse proximidade emocional por definição, o argumento sobre consumidores anônimos perderia sua base, porque não há esse tipo de proximidade entre a Ford e milhões de compradores que ela nunca conheceu individualmente.
- ✔ Verdadeiro — A aula enfatiza que “o reconhecimento da vulnerabilidade e da dependência desempenha um papel importante, especialmente se as relações forem assimétricas”. O mecanismo depende de uma parte ser mais vulnerável/dependente que a outra; sem essa assimetria em nenhuma direção, não há base nessa teoria específica para dizer que uma parte deve mais cuidado à outra do que o inverso (embora outros frameworks, fora da ética do cuidado, ainda pudessem fundamentar deveres mútuos por outras razões).
- ✔ Verdadeiro — A crítica citada na aula (“não fica claro o que ‘cuidado’ exatamente significa […] não dá indicações concretas de como agir numa situação específica”) é genérica quanto ao tipo de decisão — vale tanto para o julgamento de um caso já estudado quanto para qualquer novo comitê que tente decidir usando só esse framework, sem outro critério de apoio. É uma aplicação direta da mesma crítica a um cenário institucional concreto.
- ✗ Falso — A ética do cuidado discute conceitos que se repetem entre relações diferentes — vulnerabilidade e dependência assimétrica aparecem tanto em pai-filho quanto em empregador-empregado e médico-paciente, e no próprio caso Ford-consumidores. Ela não nega generalização nenhuma: rejeita que o julgamento moral deva partir de um princípio abstrato aplicado de cima para baixo, sem atenção ao contexto relacional — uma diferença de ponto de partida metodológico, não uma negação de qualquer conceito compartilhável entre relações.
Dica(Resposta) Teste 8 — O Ciclo Ético — Fase 1 e Fase 2
- ✗ Falso — As fases do Ciclo Ético são interdependentes, não isoladas — a Fase 1 orienta e limita o que a Fase 2 vai analisar. Uma formulação de meios/eficiência como a Tentativa 2 (“como garantir as duas empresas como fontes de bem-estar?”) tende a direcionar a análise para otimização de recursos, não para os valores morais em conflito (honestidade vs. lealdade à empresa) que só emergem quando o problema é formulado corretamente como pergunta moral. Usar a formulação errada compromete a qualidade da análise seguinte.
- ✔ Verdadeiro — A Fase 2 pede que se identifiquem interessados, valores e fatos relevantes. Removendo por hipótese todos os interessados exceto quem decide, a etapa de “identificar interessados e seus interesses” se reduz logicamente a um único ator — a própria pessoa decisora — tornando a análise dessa dimensão trivial (embora os valores e fatos ainda precisassem ser levantados normalmente).
- ✔ Verdadeiro — A Tentativa 1 de Gilbane Gold (“o chumbo vai causar efeitos à saúde?”) foi rejeitada como formulação do problema moral por ser puramente factual, mesmo sendo tecnicamente relevante. A pergunta sobre taxa de erro do modelo tem exatamente essa mesma natureza: é uma pergunta estatística/factual que, por si só, ainda não diz o que fazer diante da disparidade nem por que isso seria moralmente problemático — precisaria ser reformulada em termos de valores (justiça, dano) para se tornar um problema moral bem formulado.
- ✗ Falso — A recomendação de formular hipoteticamente (“se x, opção A; se y, opção B”) existe precisamente para evitar essa paralisia — ela permite avançar com a decisão mesmo sob incerteza, sem fingir uma certeza que não existe. É o oposto de exigir que todos os fatos estejam resolvidos antes de agir.
Dica(Resposta) Teste 9 — O Ciclo Ético — Fase 3 e o kit de ferramentas da Fase 4
- ✔ Verdadeiro — A crítica à estratégia preto-no-branco é que ela esconde alternativas reais atrás de uma escolha binária aparente. Se, por hipótese, não houvesse mesmo nenhuma alternativa real disponível, o binário não seria uma simplificação artificial — seria a estrutura genuína do problema, e a crítica de “simplista demais” perderia seu objeto.
- ✔ Verdadeiro — Mesmo coincidindo sempre na recomendação final (uma hipótese extrema), os dois critérios continuam sendo logicamente diferentes: Pareto exige que ninguém piore de situação, enquanto a utilidade agregada permite que alguns piorem se outros ganharem mais o suficiente para compensar no total. Pareto é uma condição estritamente mais forte — essa diferença estrutural persiste independente de, nesse cenário hipotético, sempre apontarem para a mesma opção.
- ✔ Verdadeiro — No caso Jasmine, o utilitarismo de ato aprova a proposta por seu resultado agregado favorável, enquanto o teste de universalização kantiano rejeita a máxima subjacente. A mesma estrutura de tensão (resultado agregado favorável vs. máxima que não se sustenta universalizada — “toda equipe pode reduzir cobertura de testes quando conveniente para outro objetivo”) reaparece de forma análoga no cenário de engenharia de software.
- ✗ Falso — A definição citada na aula exige explicitamente “formular argumentos para essa afirmação” — ou seja, o framework intuicionista não aceita a intuição pura e não examinada como resposta final; ele exige que essa intuição seja justificada com razões articuláveis. Isso é estruturalmente diferente de uma escolha por preferência pessoal sem nenhuma justificativa — é precisamente esse requisito de argumentação que distingue “raciocínio moral argumentável” de “achismo”, tema que atravessa toda a aula desde a Abertura.
Dica(Resposta) Teste 10 — O Ciclo Ético — Fase 5 e as setas de retorno
- ✔ Verdadeiro — As duas perguntas de reflexão (“o framework sustenta minha intuição?” e “ele captura os aspectos relevantes?”) só têm utilidade diagnóstica porque, na prática, diferentes frameworks respondem diferente a elas para casos diferentes. Se a resposta fosse sempre “sim” para tudo, as perguntas nunca discriminariam nada, e perderiam sua função de filtro dentro do método.
- ✔ Verdadeiro — O método busca coerência entre três tipos de crença: julgamentos morais ponderados, princípios morais, e teorias de fundo. Sem nenhum julgamento moral ponderado prévio, o primeiro dos três polos simplesmente não existiria para essa pessoa, e o método perderia um terço de sua matéria-prima.
- ✔ Verdadeiro — A Seta 2, no caso Highway Safety, ocorre quando aplicar a lente kantiana (Fase 4) revela uma dimensão de justiça que a formulação original do problema (Fase 1) não via, levando a reformular e refazer as fases seguintes. A mesma estrutura — testar equidade na Fase 4 revela que a Fase 1 (“maximizar precisão”) escondia uma dimensão de justiça — é uma transferência direta e correta desse mecanismo para avaliação de algoritmos.
- ✗ Falso — A Seta 1 parte de uma citação literal de Whitbeck reproduzida pelo próprio livro (a crítica ao binário forçado do caso Highway Safety); a Seta 3 parte da descrição literal do livro sobre a dificuldade de aplicar o teste de reciprocidade ao caso. O que é reconstrução pedagógica é nomear esses trechos reais como “voltar de fase” (uma leitura estrutural do que o texto faz implicitamente) — não inventar o conteúdo do zero. Confundir “sem afirmação explícita sobre voltar” com “sem base textual nenhuma” é o erro do item.
Dica(Resposta) Teste 11 — Caso Highway Safety — aplicando o ciclo
- ✗ Falso — A crítica de Whitbeck incide sobre a Fase 3 (gerar opções), não necessariamente sobre a Fase 1. É possível formular bem o problema moral (identificar o quê, quem, e por que é uma questão moral — os três critérios da Fase 1) e, ainda assim, restringir-se apenas às duas opções originais ao gerar alternativas na Fase 3. O próprio livro segue com as duas opções originais mesmo depois de citar a crítica de Whitbeck, sem reformular a Fase 1 — mostrando que as duas fases, apesar de conectadas pela Seta 1, são analiticamente distintas.
- ✗ Falso — Com tráfego igualado (20.000 veículos/dia em ambos) e fatalidades mantidas em 2 (A) e 1 (B), o risco por veículo seria 2/20.000 em A e 1/20.000 em B — ou seja, o dobro em A, não idêntico. Nesse cenário hipotético, tanto o argumento utilitarista (menos mortes absolutas em B, mas na verdade a intervenção que mais reduziria fatalidades ainda seria em A, que tem o dobro) quanto o argumento de equidade (A também passaria a ter o maior risco por veículo) apontariam para melhorar o Cruzamento A — os dois argumentos convergiriam, mas não porque o risco por veículo ficasse igual: ficaria desigual na direção oposta à do caso original. O item erra o cálculo ao afirmar “risco idêntico”.
- ✔ Verdadeiro — É a mesma estrutura de decisão: uma opção concentra mais tráfego e, por isso, mais impacto agregado ao ser melhorada (favorecida pelo utilitarismo); a outra atende poucas pessoas, mas sujeitas a um risco proporcionalmente maior ou mais frequente (favorecida por um argumento de equidade). A transferência de domínio (trânsito urbano para pavimentação rural) preserva o mecanismo central.
- ✗ Falso — A robustez do resultado numérico utilitarista (pouco sensível à escolha do esquema de precificação) não invalida o valor que a lente kantiana está protegendo (equidade na distribuição do risco). O livro apresenta os dois argumentos como coexistindo e merecendo reflexão na Fase 5 — não como um “vencendo por robustez” e o outro sendo descartado como errado. Robustez e correção do valor subjacente são perguntas diferentes.
Dica(Resposta) Teste 12 — Fechamento — as quatro perspectivas de Steen e a metáfora da bússola
- ✗ Falso — A nota de precisão trata de um problema de verificação de conteúdo/formulação teórica, não de nomenclatura. Nomes iguais não garantiriam, por si só, que os conceitos fossem idênticos — a verificação ainda precisaria ser feita lendo o capítulo de Steen. E, inversamente, como de fato ocorre no caso real (nomes diferentes — “ética do cuidado” vs. “ética relacional”), isso não impede que os conceitos sejam a mesma tradição. Confundir nome com conteúdo é exatamente o erro que a nota de precisão evita cometer.
- ✔ Verdadeiro — Parte do valor pedagógico da metáfora, reforçado “quatro vezes hoje com o Ford Pinto”, é reconhecer que perspectivas diferentes podem apontar para direções diferentes — não necessariamente para o mesmo caminho. Se as quatro perspectivas sempre coincidissem em qualquer decisão possível, essa lição específica sobre divergência perderia força pedagógica (embora a metáfora ainda funcionasse, de forma mais fraca, para o ponto isolado de “não decidir o caminho por você”).
- ✔ Verdadeiro — O formato descrito por Steen (“workshops […] guiados a olhar para seu projeto […] através dessas quatro perspectivas éticas”) depende apenas de aplicar as quatro lentes de forma estruturada a um projeto real, não de ter materiais formais de ética à mão durante a reunião — é uma prática deliberadamente leve, transferível a qualquer decisão de produto, incluindo reconhecimento facial.
- ✗ Falso — O próprio material citado nos slides do Bloco 3 afirma o contrário: “uma decisão moral que simplesmente ignora as teorias éticas […] é geralmente claramente antiética”. A bússola não decidir o caminho por si só não significa que ela seja inútil — ela orienta e estrutura a deliberação (via o próprio Ciclo Ético), tornando o raciocínio explícito e argumentável, mesmo sem automatizar a resposta final. É exatamente o oposto de “confiar na intuição não examinada”, que a aula rejeita desde a Abertura.