Aula 1 — Fundamentos Estatísticos do Aprendizado Supervisionado
2026-08-10
Todo algoritmo supervisionado é a composição de três peças: uma suposição distributiva, uma verossimilhança e uma regra de decisão.
| Prática do dia a dia | Formalismo estatístico underlying |
|---|---|
| Mínimos Quadrados | Máxima Verossimilhança sob erro Gaussiano |
| Regularização (L1 / L2) | Inferência Bayesiana com Priori (Laplace / Gaussiana) |
| Resíduo de previsão | Gradiente da log-verossimilhança |
Usados em paralelo. Divergências de notação ou ênfase são discutidas explicitamente.
O que exatamente significa “aprender a distribuição dos dados”?
Uma distribuição é o formato que os dados assumem no espaço.
O mesmo objeto, em mais dimensões
Regra mais simples possível: um limiar \(t\).
\[ x \le t \;\Rightarrow\; \text{classe A} \qquad x > t \;\Rightarrow\; \text{classe B} \]
A resposta usual: no cruzamento das curvas.
Anote. Ela está errada.
| Intuitivo | Técnico | Também chamado |
|---|---|---|
| alarme falso | Tipo I | falso positivo |
| escape | Tipo II | falso negativo |
Atenção: “Tipo I/II” só existe depois de declarar a hipótese nula. Aqui: A = normal (nula), B = anômala.
Mover o corte troca uma área pela outra. Nenhum corte zera as duas.
\(\Rightarrow\) erro de Bayes: irredutível, é propriedade dos dados.
O que estava escondido: as classes não são igualmente frequentes.
\[ 950 \text{ pontos da classe A} \qquad 50 \text{ pontos da classe B} \]
Vamos contar os erros de verdade — no cruzamento e num corte deslocado.
O corte deslocado erra muito menos.
E ele não veio de tentativa e erro — vem de um princípio.
Onde a justificativa verbal falhou:
“igualmente plausíveis” \(\ne\) “igualmente prováveis”
Todas as escolhas da aula derivam de duas regras básicas:
Invertendo a regra do produto (\(p(x, \mathcal{C}_k) = p(\mathcal{C}_k \mid x)\,p(x)\)):
\[ \boxed{p(\mathcal{C}_k \mid x) = \frac{p(x \mid \mathcal{C}_k)\,p(\mathcal{C}_k)}{p(x)}} \]
\[\text{Posteriori} \;\propto\; \text{Verossimilhança} \;\times\; \text{Priori}\]
Prevalência \(p(D) = 0{,}01\). Sensibilidade \(p(+\mid D) = 0{,}90\). Falso positivo \(p(+\mid\bar D) = 0{,}03\).
Teste positivo. Probabilidade de estar doente?
\[ p(D\mid+) = \frac{0{,}90 \times 0{,}01}{0{,}90\times0{,}01 + 0{,}03\times0{,}99} \approx \mathbf{0{,}233} \]
Em 10.000 pessoas: 90 verdadeiros positivos contra 297 falsos positivos.
Mesma lição do Passo 4, no caso discreto: a priori decide.
O comportamento de \(p(x)\) quando \(|x| \to \infty\) define a sensibilidade a eventos extremos.
Dados em \([0,1]\): escores normalizados, taxas, proporções, probabilidades calibradas.
O suporte do modelo é uma decisão de modelagem, não uma tecnicalidade.
\[ \operatorname{Beta}(x\mid a,b) = \frac{\Gamma(a+b)}{\Gamma(a)\Gamma(b)}\,x^{a-1}(1-x)^{b-1} \]
Momentos — forma fechada. Com média \(m\) e variância \(v\) amostrais, se \(v < m(1-m)\). Máxima verossimilhança — não tem forma fechada. Resolvida numericamente via scipy.stats.beta.fit. Não prometa uma fórmula que não existe.
Armadilha: zeros e uns exatos
Correções: clipping declarado, Smithson–Verkuilen, modelos zero/one-inflated.
Sem anomalias rotuladas: ajustar \(p(x)\) só nos dados normais.
Região de exclusão: cauda \(\{x>t\}\) ou conjunto de nível \(\{x : p(x)<\lambda\}\).
\[ \text{Tipo I} = P(x>t) = 1 - I_t(a,b) \qquad\Longrightarrow\qquad t_\alpha = I^{-1}_{1-\alpha}(a,b) \]
O limiar é um quantil do modelo; \(\alpha\) vale por construção.
Com uma única densidade ajustada, o erro Tipo II não está definido.
E o ponto negativo: com uma densidade, só o Tipo I é calculável.
Proxima Aula: Tudo isto usou uma variável. Com \(d\) variáveis:
\[ p(x\mid\mathcal{C}_k) \in \mathbb{R}^d \;\longrightarrow\; M^d \text{ células} \]
Naive Bayes — a primeira suposição estrutural do curso:
\[ p(x\mid\mathcal{C}_k) = \prod_{i=1}^d p(x_i\mid\mathcal{C}_k) \]
O preço dessa suposição é o assunto da próxima aula.
UNICAMP — Instituto de Computação