Ao longo da evolução, mutações globais podem alterar a ordem dos genes de um genoma. Tais mutações são chamadas de eventos de rearranjo. Em Rearranjo de Genomas, estimamos a distância evolutiva entre dois genomas calculando a distância de rearranjo entre eles, que é o tamanho da menor sequência de eventos de rearranjo que transforma um genoma no outro. Representando genomas como permutações, nas quais os genes aparecem como elementos, o problema de calcular a distância de rearranjo entre dois genomas torna-se equivalente ao problema de calcular a distância de rearranjo entre duas permutações. Assumindo que uma das delas é a identidade, podemos reduzir o problema de calcular a distância de rearranjo ao problema de ordenar uma permutação utilizando o menor número de eventos de rearranjo.
Este problema, que é referido como Problema da Ordenação, varia de acordo com os tipos de eventos de rearranjo considerados. Nesta dissertação, focamos nosso estudo em dois tipos de eventos: reversões e transposições. Variações do Problema da Ordenação que consideram esses eventos têm se mostrado difíceis de serem resolvidas otimamente, por isso a maior parte dos algoritmos propostos, os quais denominamos genericamente por Algoritmos de Rearranjo de Genomas, são aproximados e é esperado que os próximos avanços ocorram nesse sentido. Em razão disso, desenvolvemos uma ferramenta que avalia as respostas desses algoritmos. Para ilustrar sua aplicação, nós a utilizamos para avaliar as respostas de 16 algoritmos de rearranjo de genomas aproximados relativos a 6 variações do Problema da Ordenação.
Além da ferramenta, este trabalho traz outras contribuições. Desenvolvemos um algoritmo exato para calcular distâncias de rearranjo que é mais eficiente em termos de uso de memória do que qualquer outro algoritmo que encontramos na literatura. Apresentamos conjecturas que dizem respeito à forma como as distâncias de rearranjo se distribuem. Validamos conjecturas referentes ao diâmetro, que é o maior valor atingível pela distância de rearranjo entre uma permutação qualquer e a identidade considerando-se todas as permutações com o mesmo número de elementos. Apresentamos demonstrações formais para o fator de aproximação de alguns dos algoritmos avaliados. Por fim, mostramos que o fator de aproximação de 7 dos 16 algoritmos avaliados não podem ser melhorados, o que contradiz algumas hipóteses levantadas na literatura, e conjecturamos que o fator de aproximação de outros 6 algoritmos também não podem.